Flávio Sátiro

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Dicionário Bibliográfico

APRESENTAÇÃO

Virgínius da Gama e Melo, em ensaio versando sobre autores e livros paraibanos, viu o romance de Patos como "fidelidade à terra", citando como exemplos dessa fidelidade o romance Manaíra, de Coriolano de Medeiros, as obras de Nelson Lustoza Cabral, os romances de Allyrio Meira Wanderley, assim como os de Ernani Sátyro.

Aos títulos apontados pelo saudoso crítico literário, poder-se-iam acrescentar, como tocados por aquela "fidelidade à terra", a obra de José Urquiza, os livros de Neó Trajano, os romances Festa de Setembro e A Cruz da Menina, de Flávio Sátiro Fernandes, as obras póstumas de Anníbal Bonavides, os livros de José Cavalcanti e de Luís Wanderley Torres.

Como "fidelidade à terra", na expressão cunhada por Virgínius da Gama e Melo, não hesito em classificar este Dicionário, cujas raízes se fincam nas areias brancas do Pinharas, contempladas, ao longe, pelo vetusto templo em torno do qual surgiu a cidade. Suas ramagens se espalham, hoje, por todo o Brasil, nas páginas escritas pelos filhos das Espinharas. Mesmo que o tema não seja telúrico ou por mais árida ou científica que seja a matéria, palpita, sem dúvida, nas páginas dos trabalhos aqui relacionados, a grandeza da alma patoense.

Na elaboração deste despretencioso Dicionário, são considerados autores patoenses: a) pessoas nascidas em Patos; b) pessoas que, mesmo não tendo nascido lá, ali se fixaram definitivamente integrando-se à vida da cidade; c) pessoas que, mesmo não se tendo fixado em definitivo na cidade, ocuparam os cargos de Prefeito, Vice-Prefeito ou Vereador ou a eles pleitearam.

Tocante à apresentação dos trabalhos, são admitidos livros e plaquetas. Monografias, dissertações e teses, datilografadas ou mimeografadas também são reconhecidas, desde que: estejam catalogadas em biblioteca pública ou privada (universitária), tenham sido apresentadas para obtenção do grau de Mestre ou Doutor ou tenham sido submetidas a congressos, seminários etc.

Independentemente de tudo isso, incluiram-se os poetas populares, quaisquer que tenham sido suas formas de expressão. É o povo presente, através de seus mais legítimos representantes. É, também uma forma de mostrar as raízes de nossa cultura, as quais estão, sem dúvida, nas diferentes manifestações da alma popular.

Quanto aos assuntos tratados, não houve qualquer restrição: livros de ficção, poesia, literatura, medicina, engenharia, física, química, eletricidade, filosofia, direito, história, geografia, educação, e quaisquer outras matérias estão aqui incluídos, desde que seus autores satisfaçam a uma daquelas três condições acima indicadas. Cada verbete compreende dados biográficos, informações bibliográficas e antologia. Esta útima parte, porém, só é disponível para textos de ficção, poesia, conto, crônica, e outros correlatos, excluídos os textos científicos.

Este Dicionário estará permanentemente em construção, para que seja continuamente aperfeiçoado. Espero que os seus leitores enviem sucessivos e-mails, contendo informações imprescindíveis para preencher os verbetes que faltam, complementar outros, retificar alguns, melhorar outros mais.

 

Índice do Dicionário

  • » ARAÚJO, FÁTIMA
  •  

    Nasceu em Patos, filha de Felix Araújo da Silva e Laurita Silva Araújo. Iniciou os estudos primários na cidade natal, concluindo-os em João Pessoa, onde seus pais fixaram residência, nos meados dos anos sessenta. Desde jovem iniciou suas atividades literárias, escrevendo poemas e crônicas. Graduou-se em Letras e em Comunicação Social, pela Universidade Federal da Paraíba. Freqüentou vários cursos de extensão e especialização. Ingressando no jornalismo, atuou em vários órgãos de imprensa de seu Estado, notadamente, O NORTE, CORREIO DA PARAÍBA e A UNIÃO. Dedicando-se à pesquisa histórica, realizou vários estudos na área, publicando os seus resultados em importantes obras que possibilitaram seu ingresso no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, no qual ocupa a Cadeira n. 23, que tem por patrono Apolônio Nóbrega e na qual sucedeu a Ernani Sátyro. Fátima Araújo pertence, também, à Associação Paraibana de Imprensa (API), e ao Sindicato dos Jornalistas da Paraíba. Divorciada, é mãe de Alberto, Felipe, Eneida Maria e Monalisa.

    BIBLIOGRAFIA

    - Buscando as flores, s/l, s/e, [1973].

    - Folhas do tempo - Contos e crônicas, s/l, s/e,s/d, 2a. ed.

    - História interpretativa e jornalismo, Discurso de posse no IHGP, 1986.

    - História e ideologia da imprensa na Paraíba, A União, 1983, João Pessoa.

    - História da API,Governo do Estado, 1985, João Pessoa.

    - Paraíba: Imprensa e vida, Governo do Estado, 1985, João Pessoa.

    - Antônio Mariz - A trajeória de um idealista, A União, 1996, João Pessoa.

    ANTOLOGIA

    DESAMOR

    De que serve ao amante a noite sem amor
    O jardim sem flor...
    A flor sem perfume, sem embriaguez?

    Ao pássaro prisioneiro de que lhe servem as asas?
    De que vale o amor de corpos sem poesia?
    Flor decrépita sem viço, sem perfume
    Olhar sem luz, sorriso sem encanto
    Vidas sem vida...


    O Fim


     Quero a morte
     Sonolenta e calma
     Dormir... me transportar...
     Aromas de rosas impregnando o leito...
     Quero ir vestida de branco
     Quero magia, leveza, encantamento...

     Flores desabrochando nos campos
     Vidas brotando no anoitecer.

    (Buscando as flores, págs. 47 e 63)


     

  • » ARAÚJO FILHO, JOSÉ PEREGRINO DE
  •  

    Filho do Presidente José Peregrino de Araújo, que governou a Paraíba, de 1900 a 1904. Era mais conhecido pelo nome de Doutor Pedro. Exerceu a atividade médica em Patos, onde fixou residência, após seu casamento com D. Maria Firmino Ayres, filha do Cel. Firmino Ayres Albano da Costa, grande latifundiário e chefe político no Piancó. Por designação do Cel. Miguel Sátyro e Sousa, de quem era concunhado e amigo, foi nomeado Prefeito de Patos, cargo que exerceu por 15 anos. Quando das eleições estaduais de 1934, elegeu-se para a Assembléia Estadual Constituinte. Doutorou-se em Medicina, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, a 26 de setembro de 1904.

    BIBLIOGRAFIA

    - Ritmo de Galone nas polineurites, 1904.


     

  • » ARAÚJO, OFÉLIA DE QUEIROZ FERNANDES
  •  

    Aguarde !!!


     

  • » ASFORA, MARGARET DE ARAÚJO
  •  

    Agurde !!!


     

  • » AZOUZ, MARINALVA PONTES DE FIGUEIREDO
  •  

    Aguarde !!!


     

  • » BANDEIRA, MANUEL GALDINO
  •  

    Nasceu em Patos, no ano de 1882 e faleceu em 1955, em São José de Piranhas, onde se radicara e passara a exercer as atividades de agricultor. Cantador afamado, teve oportunidade de cantar para o ex-Presidente Getúlio Vargas. Suas estrofes se acham reproduzidas em diferentes livros sobre poesia popular. No Dicionário Bio-bibliográfico de Repentistas e Poetas de Bancada, encontra-se a estrofe com que iniciou uma peleja com Pinto do Monteiro, assim concebida:

     Manoel Galdino Bandeira
     De São José de Piranha
     Dá grito no pé da serra
     Que estremece a montanha
     Cantador na minha unha
     Ou corre ou morre ou apanha.


     

  • » BARROSA, FRANCISCA
  •  

    Legendária cantadora paraibana, do fim do século passado e come&ccedilos deste. Nasceu em Patos. Segundo informação de Luís da Câmara Cascudo, mais conhecida como Xica Barrosa, ela era "alta, robusta, mulata simpática, bebia e jogava como qualquer boêmio, e tinha voz regular". Faleceu em 1916, na cidade de Pombal, assassinada em um samba.


     

  • » BATISTA, LINCOLN SALOMÃO LEITÃO
  •  

    Aguarde !!!


     

  • » BONAVIDES, ALUÍSIO FERNANDES
  •  

    Nasceu em Patos, filho de Fenelon Bonavides e Hermínia Fernandes Bonavides. Fez as primeiras letras na cidade natal. Ainda menino, transferiu-se para Fortaleza, onde passaram a residir sua mãe, viúva, e seus irmãos. Concluídos os estudos secundários, matriculou-se no Liceu Cearense. Ingressou no jornalismo, atuando em vários jornais de Fortaleza. Foi durante vários anos correspondente do jornal O Globo e outros jornais naquela capital. Professor universitário, lecionou na Escola de Administração do Ceará. Foi um dos fundadores da Associação Profissional dos Jornalistas do Ceará, criada em 1944, tendo participado de sua primeira diretoria, como membro do Conselho Fiscal. Foi Secretário do Governo, na Administração Faustino de Albuquerque. Durante algum tempo dirigiu a revista Panorama, de sua propriedade. Fixando residência em Brasília, assessorou o deputado Paes de Andrade, ao tempo em que este Presidiu a Câmara dos Deputados.


     

  • » BONAVIDES, ANNÍBAL FERNANDES
  •  

    Nasceu em Patos, a 14 de julho de 1918, filho de Fenelon Bonavides e Hermínia Fernandes Bonavides, ambos telegrafistas na cidade. Fez os estudos primários na sua cidade natal e iniciou os estudos secundários no Liceu Paraibano, onde foi um dos mais destacados alunos, tranferindo-se, posteriormente, para o Liceu do Ceará, onde os concluiu. Ingressando na Faculdade de Direito do Ceará, ali se bacharelou no ano de 1943. Desde a mocidade revelou pendores para a política e o jornalismo, tendo participado distinguidamente do Congresso da UNE, em 1942. Entre suas atividades jornalísticas destaca-se o exercício dos cargos de Redator-Secretário do CORREIO DO CEARÁ; Redator-Secretário do jornal UNITáRIO; Redator do jornal O POVO e Diretor-Secretário de O DEMOCRATA, todos da capital cearense. Exerceu a advocacia, dedicando-se, notadamente, à defesa dos interesses dos mais desprotegidos. Em 1962 elegeu-se deputado à Assembléia Legislativa do Ceará, pela legenda do P.S.T., tendo, contudo, seu mandato cassado, em 1964, após a eclosão do movimento militar daquele ano. Escreveu centenas de artigos e reportagens em jornais cearenses alencarina, assim como para outros órgãos da imprensa nacional. Um de seus artigos, versando sobre as lutas populares para a independência do Brasil, mereceu transcrição na imprensa mundial, inclusive no jornal PRAVDA, de Moscou. Simpatizante das idéias marxistas, filiou-se ainda jovem ao Partido Comunista, tendo ocupado o lugar de membro do Comitê Central. Em artigo que escreveu para O POPULAR DEMOCRáTICO, edição de 1º de agosto de 1983, diz o jornalista Fenelon Almeida: "Marxista-leninista, Anníbal Bonavides apontava ao povo o caminho do socialismo científico. Isso valeu-lhe prisão e outras perseguições. Eleito pelo povo do Ceará deputado estadual, a ditadura de 64 cassou-lhe o mandato e o deixou na rua da amargura, sem quaisquer perspectivas de emprego. Foi vender ddicionários entre os seus amigos. Mas continuou a ser bom, não se deixando envenenar pelo ódio. Aquilo serviu apenas para redobrar o seu amor ao povo, retemperar-lhe o ânimo e avivar-lhe a chama da confiança no socialismo. Nos últimos anos, tornou-se livreiro, fazendo de sua livraria "um dos mais ativos centros da vida e da luta democrática do Ceará, naqueles anos opacos em que vivemos sob o terror dos atos institucionais", conforme salientou o deputado Paes de Andrade, ao fazer o seu necrológio da tribuna da Câmara dos Deputados. Deixou um livro de memórias, intitulado Diário de um preso político, no qual narra os dias passados na prisão, após a cassação de seu mandato de deputado, além de registrar outras recordações, inclusive da infância e da adolescência vividas em Patos. Recentemente foi lançado outro livro de sua autoria, misto de ficção e memórias, intitulado As profecias do Arquimedes. Anníbal Bonavides faleceu em 1983, deixando viúva a senhora Aldaísa Viana Bonavides, além de quatro filhos e vários netos.

    ANTOLOGIA

    Memória


    As horas se escoam numa lentidão. Suspendo a leitura do romance, abstraio-me completamente. Não sei por que sinto saudades da infância. Do tempo de menino em Patos. Usava alpercatas de couro de rabicho. Portava baladeira, brincava de cangaceiro. De tarde, jogava "pelada" nas areias escaldantes da cidade. De noite pegava luta de box no coreto da rua Grande. Meu sangue, ardente como a soalheira do sertão. A imaginação, veloz como as águas do Espinharas. Amava a cidade, sua gente, seus costumes, tradições, suas festas. A Festa da Padroeira. Amava a feira, a banda de música de Anésio Leão, as retretas.

    Encantado, ouvia estórias de trancoso e de lobisomem. Extasiado, adorava as crônicas sobre os combates dos bandos de cangaceiros com a polícia. Cangaceiros famosos que, em correrias alucinantes, enceram de dramaticidade as estradas, cidades, vilas e povoados do Nordeste. Havia mistério na narrativa, um fascínio irresistível. O lobisomem, o cangaceiro, a alma do outro mundo, empolgavam os meninos do meu tempo, davam-nos impressões de ficção e de realismo. Sentado no fio de pedra, permanecia horas inteiras a ouvir as sagas bem urdidas, na voz de minha mãe, de dona Emerentina, de Ana lavadeira. Elas caprichavam na descrição, enfeitavam. Tinham sabor de romance as etórias. Literatura oral das crianças sertanejas. Minha mãe me prendia ao seu regaço, contando aventuras do sertão. Desfilavam bandoleiros, taumaturgos, valentões, Lampião, Antônio Silvino, Bento Quirino, Zé Pereira, Conselheiro, Padre Cícero. Os heróis e os santos da mitologia sertaneja. De legendárias, essas figuras telúricas e carismáticas, avultavam no plano da mitologia. Foi ouvindo tais estórias do misticismo e do cangaço que me iniciei no conhecimento da epopéia regional. Um dia, na praça da Igreja Velha, tive uma prova da violência. A fuzilaria rebentara no meio da feira de Patos. Soldados da polícia atiravam contra feirantes, por um motivo qualquer. Desembainhando peixeiras afiadas, os feirantes reagiam com as faces transfiguradas pela indignação. Aconteceu uma cena primitiva. Correu sangue. Num instante, a fuzilaria silenciara. Os feirantes selvagens, reeditando mil façanhas de seus antepassados bárbaros, que forjaram pelejando furiosamente por causa inglória, se haviam arrojado sobre o reduto policial. Impunham o combate no terreno clássico do sertão, o da arma branca. Antes de se atracarem, deixaram uma dezena de companheiros estirados no chão que os separara da soldadesca. Agarraram-se afinal com esgares, sopapos e furadas. Despedaçaram-se, animalizaram-se, reproduzindo quatro séculos de banditismo ilegal e oficial. No quatro cantos da praça, àquela altura, imperava a conhecida lei da selva com todos os seus artigos e parágrafos.

    Terminada a carnificina, o recinto da praça apareceu vazio de gente. Num dos lados, tingidos de vermelho, jaziam cadáveres e agonizavam feridos.

    No outro dia, o sino da Matriz levou doze horas badalando em sinal pelas almas dos mortos.

    E foi assim, numa manhã de muito sol, que assisti de longe e rapidamente, a uma demonstração do romanceiro trágico do meu povo, ilustração viva da valentia e da ferocidade dos homens, numa sociedade dividida em classes, cuja filosofia é a da força bruta, do dinheiro, do "salve-se quem puder". A sociedade de cobra engulindo cobra.

    Até o dia daquela cena, eu ainda não sabia o que significavam as palavras latifúndio e coronelismo. Foram depois o tempo, o Liceu, os livros, a política, a vida, os próprios homens, que se encarregaram de fazer a grande revelação.

    (Diário de um preso político, págs. 20/21)


     

  • » BONAVIDES, PAULO
  •  

    Paulo Fernandes Bonavides nasceu em Patos, a 10 de maio de 1925, filho de Fenelon Bonavides e Hermínia Fernandes Bonavides. Fez os estudos primários na cidade natal. Com a transferência de sua mãe, viúva, para Fortaleza, matriculou-se, após a conclusão dos estudos secundários, no Liceu do Ceará.

    Já nessa fase, passou a atuar no jornalismo cearense, colaborando em diferentes matutinos de Fortaleza. Àquela época foi orador oficial do Centro Acadêmico Clovis Bevilacqua, da Faculdade de Direito do Ceará e Secretário Geral da União Estadual dos Estudantes do Ceará. Transferiu-se, em seguida, para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Faculdade Nacional de Direito, por onde se bacharelou, em 1948. Voltando a Fortaleza, iniciou-se como advogado, retomando, também, as atividades jornalísticas. Esteve durante um ano nos Estados Unidos, realizando um programa de estudos, como "Visitante Associado aos Nieman Fellows" da Universidade de Harvard (1944/1945). Os resultados de suas observações foram por ele reunidos em um livro intitulado Universidades da América, que mereceu o Prêmio Carlos de Laet, da Academia Brasileira de Letras e que foi prefaciado por Gilberto Freyre. Foi Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Ceará, de 1951 a 1956. Foi professor de Sociologia Educacional do Instituto Justiniano de Serpa, de Fortaleza.

    Através de concurso, depois de ter sido aprovado para Professor Assistente, obteve a cátedra de Teoria Geral do Estado, da Faculdade de Direito do Ceará, defendendo a tese intitulada Do Estado Liberal ao Estado Social, ainda hoje de grande atualidade, perante uma banca examinadora constituída pelos professores Miguel Reale (São Paulo), Orlando M. Carvalho (Minas Gerais), Orlando Bittar (Pará), Flávio Marcílio e Lauro Nogueira (Ceará). Lecionou em várias outras instituições de ensino superior do Ceará. Lecionou Literatura Brasileira no Seminário Românico da Universidade de Heildeberg, na Alemanha. Convidado repetidamente para cursos e conferências nos Estados Unidos e Europa, é um dos mais notáveis juristas brasileiros, de notório saber no campo do direito constitucional, sobretudo. É membro da Association Internationale de Science Politique (França), da Internationale Vereinigung für Rechts und Sozialphilosophie (Alemanha), da American Foreign Law Association (Estados Unidos), American Society for Political and Legal Philosophy (Estados Unidos), do Instituto Iberoamericano de Derecho Constitucional (Mexico). Tem participado de inúmeros congressos, seminários e simpósios no Brasil e no exterior, na qualidade de conferencista e debatedor. Entre outros prêmios e comendas, foi agraciado com o prêmio Clovis Bevilaqua, da Universidade Federal do Ceará, Selo de Bronze do Jubileu de Reorganiza;ccedil;ão da UFC, Diploma comemorativo do Jubileu de Prata da Escola Superior de Guerra, Medalha comemorativa do Centenário de nascimento de Clovis Bevilaqua. Sua vasta bibliografia vem tendo sucessivas publicações, através das mais renomadas editoras do país. É colaborador constante de diferentes revistas jurídicas, tais como, Revista de Ciência Política, Revista de Direito Público, Revista de Informação Legislativa, Revista de Direito Administrativo, Revista Forense, Revista Estudios de Sociologia (Buenos Aires), Revista del Instituto de Ciencias Sociales (Barcelona). Foi Fundador e Diretor da extinta Revista Filosófica do Nordeste. Na última Conferência Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, realizada em fins de 1996, em Fortaleza, foi agraciado com a Medalha Ruy Barbosa, a mais alta comenda conferida por aquela entidade. é membro do Instituto do Ceará, da Academia Cearense de Letras e da Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Ex-Presidente do Instituto Brasileiro de Direito Constitucional. Pertence à Associação Internacional de Direito Constitucional, com sede em Belgrado, Iugoslávia, e &agrave. Professor Visitante nas Universidade de Colônia, Alemanha (1982), Tenessee, Estados Unidos (1984) e Coimbra, Portugal (1984). Recentemente, foi-lhe outorgado o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Lisboa, por proposta do Professor Jorge Miranda, o qual lhe será entregue em novembro de 1997.

    BILBLIOGRAFIA

    - Universidades da América, Edições O Cruzeiro, 1948, Rio de Janeiro.

    - The golden age of journalism in english literature (Defoe, Addison and Steele), 1950, Fortaleza.

    - O tempo e os homens, s/e, 1952, s/l.

    - Dos fins do Estado, Editora "Instituto do Ceará" Limitada, 1955, Fortaleza.

    - Demócrito Rocha - Uma vocação para a liberdade, Fundação Demócrito Rocha, s/d, Fortaleza.

    - Do Estado Liberal ao Estado Social, Malheiros, 1996, São Paulo, 6a. edição.

    - Teoria do Estado, Malheiros, 1995, São Paulo, 3a. edição.

    - Ciência Política, Malheiros, 1996, São Paulo, 10a. edição.

    - A crise política brasileira, Forense, 1978, Rio de Janeiro, 2a. edição.

    - Textos políticos de História do Brasil, Universidade Federal do Ceará 1973, Fortaleza.

    - Reflexões: Política e Direito, Forense, 1978, Rio de Janeiro

    - Constituinte e Constituição, Imprensa Oficial do Ceará, 1987, Fortaleza.

    - Política e Constituição - Os caminhos da democracia, Forense, 1985, Rio de Janeiro.

    - A Constituição aberta, Malheiros, 1996, São Paulo, 2a. edição.

    - História Constitucional do Brasil, Paz e Terra, 1990, Brasília.

    - Curso de Direito Constitucional, Malheiros, 1996, 5a. edição.


     

  • » BRASIL, MICHELINE
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    Nasceu em Patos, filha de Moacir Germano Brasil e Armery de Sousa Brasil. Ainda criança, radicou-se em Sousa, fixando-se, posteriormente, em Campina Grande, onde fez os estudos de primeiro grau nos Colégios São Vicente de Paula e Regina Coeli, cursando, em seguida, o segundo grau no CTUC. Atualmente, é Assistente Pedagógica no Centro de Tecnologia do Couro e do Calçado (CTCC), de Campina Grande e encontra-se ultimando o curso superior de Pedagogia. Poetisa, participou da Antologia de Autores Campinenses 97 e da mesma Antologia, edição 1998.


     

  • » CABRAL, ALFREDO LUSTOSA
  •  

    Nasceu em Patos, aos 14 de janeiro de 1883, filho de Silvino de Oliveira Lustosa Cabral e de Maria de Azevedo Cabral. Na sua cidade natal fez os estudos primários. Órfão de pai e mãe aos quatorze anos, decidiu seguir um irmão mais velho, de nome Silvino, que vindo do Amazonas, onde residia, para lá voltaria, depois de cinco meses de descanso na Paraíba. Alfredo Cabral, no Amazonas, conforme sua narrativa, foi seringalista, mateiro, remador, varejador de canoa, cozinheiro, regatão, agricultor e inspetor de quarteirão. Retornando à Paraíba, foi músico, vereador, rapadureiro, adjunto de promotor e professor, diplomando-se pela Escola Normal da Paraíba e exercitando o seu magistério em Patos, onde foi mestre de algumas figuras que alcançariam, depois, projeção nacional, a exemplo do Governador Ernani Sátyro e de D. Fernando Gomes dos Santos. Já na maturidade, aposentado do serviço público, ingressa na Faculdade de Medicina e Odontologia do Recife, por onde se torna odontólogo, exercendo sua profissão em Patos.

    BIBLIOGRAFIA

    - Dez anos no Amazonas (1897-1907), s/e, s/d, Brasília (2a. edição)(Prefácio de Octacílio Nóbrega de Queiroz)

    ANTOLOGIA


    Em março de 1897, chegou a Patos meu irmão Silvino Lustosa Cabral vindo das plagas amazônicas onde passara cinco anos. Grande foi o contentamento da família ao abraçá-lo. Perdido por aquele mundo, sem se ter qualquer notícia, deixava crer que já tivesse ele desaparecido da face da terra.Trouxe no bolso uns gordos cobres que arranjara por lá com ingentes sacrifícios.Foram dias de festa e alegria para todos, sua estada no seio dos irmãos e parentes. Levava o tempo contando as peripécias, os sofrimentos, os gozos e novidades por que passara naquela região. O pessoal, boquiaberto, ouvia estarrecido o desenrolar das narrativas. Uma coisa entristecia: nosso irmão chegara com intuito de passar com os seus apenas cinco meses e voltar àquela terra. Por mais que a família, parentes e amigos o demovessem do plano, mais ele se tornava resoluto, intransigente... Tinha que voltar. Os dias iam-se passando céleres, e eu, a cada momento, ouvia aquelas histórias bonitas, às vezes fantásticas, que ele contava, bem como da facilidade de se enriquecer em pouco tempo. Fiquei logo desejando conhecer tudo aquilo - passeios, viagens de canoa, aves canoras como o irapuru, pássaro quase encantado, caçada, índios, a bicharada. Meu irmão trouxe um cosmorama comprado no Pará com lindas vistas e paisagens de Manaus, Belém, Paris, Viena São Petersburgo, Rio de Janeiro, etc., um encanto para quem as desconhecia e mais um realejo de veio de tamanho regular com boas músicas e variado repertório. Na casa de Chiquinho Sacristão casado com a profa. Quinoca, nossa irmã, onde se hospedara, havia um burburinho doido. Todas as noites reuniam-se moças, rapazes para verem o cosmorama e as músicas harmoniosas do realejo. O vigário, o juiz, o promotor e outras pessoas gradas festejavam a casa do Chiquinho atraídas pela notícia da grande novidade. Tudo era grátis, nada se pagava. O nosso hóspede andava se abeirando aos seus vinte e quatro janeiros e eu contava os meus quatorze completos. Não o largava, queria sempre ouvir suas histórias admiráveis sobre o Amazonas, histórias essas que já me traziam a cabeça atordoada. Um dia tive ocasião de ouvi-lo perguntar se desejava acompanhá-lo para o Amazonas. A resposta foi incisiva, pronta, decidida. Os meus outros irmãos ao terem conhecimento da nova, acharam-me bem criança para enfrentar a viagem e todos a una voce discordaram. Resisti heroicamente alegando não ter mãe nem pai. Vivia sob os cuidados de irmãos. Assim tanto podia morar com um como com outro, todos eram iguais. Silvino era conhecido como um dos melhores cantores de modinhas. Espírito alegre, expansivo, rodeava-se da elite patense e facilmente conseguia improvisar danças quase todas as semanas, sempre em casa do Chiquinho. Patos viveu fase de deliciosa alegria. As visitas de moças, rapazes, parentes e amigos não se faziam esperar, todos ansiosos por conhecerem o Silvino e ouvirem dele as histórias do Amazonas.

    (Dez anos no Amazonas, 2a. edição, Cap. I, págs 23/24)


     

  • » CABRAL, NELSON LUSTOZA
  •  

    Nasceu em Patos, no ano de 1900, filho de Francisco Lustoza Cabral (Xixi) e Maria Dolores Lustoza Cabral. Fez os estudos primários em Patos, com os professores Padre José Viana, José Calazans e Pedro da Veiga Torres, que viria a ser, anos depois, prefeito da cidade. Concluídos os estudos preparatórios, feitos no Liceu Paraibano, ingressou na Faculdade de Direito do Recife, onde se bacharelou em 1921. Dedicou-se ao jornalismo, ao lado de Carlos Dias Fernandes, Oscar Soares, Celso Mariz e outros, atuando, sobretudo, no jornal A UNIÃO, do qual foi diretor. Transferindo-se para o Rio de Janeiro, continuou a atuar no jornalismo, mais especificamente no matutino O JORNAL, do qual foi um dos redatores. Pelas mãos de José Américo, ingressa, também, no serviço público. Nelson Lustoza Cabral era passageiro, juntamente com José Américo e outros, do avião que naufragou na costa da Bahia, vitimando fatalmente o Interventor Antenor Navarro. O que foram aqueles momentos de angústia e desespero ele deixou narrado no prefácio que escreveu para a segunda edição das novelas de José Américo de Almeida (Reflexões de uma cabra, Boqueirão e Coiteiros). Publicou: Paisagens do nordeste (1962), livro de recordações e reminiscências sertanejas; Garganta do esqueleto (romance) (1965) e Uma cruz para Kennedy (1966). Membro da Academia Paraibana de Letras, ocupou a Cadeira nº 38, que tem como patrono o poeta Américo Falcão. Faleceu em 19 de julho de 1981 e deixou viúva a senhora Emerenciana Barbosa Lustosa Cabral e os filhos Nelson, Moacir, Nilse, Mivla e Lélia.

    BIBLIOGRAFIA

    - Paisagens do Nordeste, s/e, 1962, São Paulo.

    - Garganta do Esqueleto, Editora-toé, 1965, Rio de Janeiro

    - Uma cruz para Kennedy, Ed. Leitura, 1966, Rio de Janeiro.

    ANTOLOGIA

    O carnaval no sertão de antigamente

    PATOS era na verdade uma cidadezinha bem alegre durante os festejos do carnval, com o seu entrudo gaiato e divertido e rumoroso.

    Lembro-me com profunda saudade dos seus papangus de rua, do seu velho zé-pereira, das batalhas de "laranjinhas", das seringadas d'água, dos banhos a muque no "açudinho".

    Era assim a pagodeira de Momo no sertão do meu tempo.

    A "laranjinha" - de cera e água perfumada - dava graça e distinção ao entrudo. Tornara-se por isso mesmo, desde logo, o divertimento preferido pela elite da cidade, embora se transformasse às vezes em brincadeira de mau gosto. Era justamente quando o sujeito, sem esperar, recebia em cheio a lapada de uma "laranjinha carnavalesca, mesmo jogada de troça, sem qualquer intenção ofensiva.

    De fato, era divertido e msmo engraçado estourar de ca&ccedi;oada uma "laranjinha" numa criatura distraída. Tinha seu pitoresco o gracejo da cena. Dava vivacidade à folia momesca nas ruas.
    Aliás, era preciso jeito e arte para pegar a "laranjinha" e jogá-la além, sem que ela se espatifasse antes de atingir ao alvo.

    Fui um garoto perito no seu lançamento. Sabem por que? Porque minha mãe fazia "laranjinha" de encomenda e também para mandar vender avulsamente na cidade.

    (Coitada da minha mãe! Inventava essas coisas somente para ganhar dinheiro pra casa. Achava pouco o trabalho na manivela de uma máquina de costura o dia inteiro.)

    Tinha a "laranjinha" a aparência de uma esfera pequenina. De uma pequena laranja. E sua forma que era de madeira correspondia apenas à metade, a uma banda, enfiada na ponta de um prego.

    Seu preparo começava assim: derretida a cera - cera de vela de igreja - numa tijeta de barro, metia-se primeiro a forma numa terrina d'água, mergulhando-a a seguir na cera líquida já levemente colorida.

    (Ainda hoje, ao acender uma vela, sinto logo no ar o cheiro da cera carnavalesca de antigamente se derretendo no fogo).

    Cortada a apara circular de toda a borda, o molde de cera se despregaava facilmente da forma.

    Passava-se depois à soldagem das duas bandas, soldagem que era feita delicadamente com a própria cera derretida e um pequenino pincel de pena de galinha. (Nesse trabalho minha mãe se esmerava).

    Pronta a esfera que poderia variar de tamanho e formato, vinha o enchimento com "Água florida" diluída em água do pote. E, por fim, a solda no furo aberto para a entrada da água aromatizada.

    Como era linda no colorido da cera transparente a "laranjinha" que minha mãe fabricava com mãos de fada para a cidade se divertir! Para o entrudo que era o encanto das moças e rapazes. E para as brincadeiras de rua, de imprevistos pitorescos.

    Recordo-me agora de uma "laranjinha" trazida de casa, que, da porta da mercearia de meu pai, eu joguei de pagode num matuto em plena feira.

    A pancada dágua se espalhou pelo tórax do sertanejo, lavando-lhe o peito já molhado pelo suor da canícula.

    Acontece, porém, para surpresa minha, o pior: o feirante, um cidadão de meia idade, amunheca com o choque ou a molhadela. Levam-no semi-morto para o interior da farmácia de Aprígio Sá, ao lado. E estoura a bomba!

    - Nelson de seu Xixi matou um homem com uma "laranjinha" dágua!

    A feira se volta para a farmácia que fica entupida de gente aguardando o desfecho da cena com a palavra do conhecido profissional. Palavra que surge afinal:

    - Não foi nada,,, - esclarece o Dr. Aprígio, num tom respeitoso, conselheiral, ajuntando: o homem estava era alcoolizado. Fingira-se de morto. Mas acaba de acordar com um simples cheiro de amoníaco. Está bom, está vivo. Ele vem já aí...

    A matutada cai no mais gostoso coro de gargalhadas ao saber que a morte se transformava em troça, em mangação. Ningu&eaacute;m, porém, arreda pé da farmácia para olhar a saída do morto-vivo ou do bêbado-curado que aparece um tanto desengonçado e se vai com a garotada da feira na rabada.

    Também fazia dessas a "laranjinha"...

    Era bravo e galhofeiro por excelência o carnval de rua no meu sertão de antigamente.

    Quantas vezes eu vi, por exemplo, a turma agarrar o indivíduo pelos pés e pelos braços, fazer o balanço do estilo e aos gritos e gargalhadas largá-lo com roupa e tudo dentro d'água, no açudinho da rua do Mosquito.

    O banho era pra valer. Mas no reinado sertanejo de Momo não valia absolutamento como desaforo. Porque era mesmo brincadeira de gente grande.

    Sim, esquecia-me do entrudo de seringa... Seringa de folha-de-flandre de dar cristel em cavalo. Seringa que o folião carregava, disfarçando-a ao longo do braço esquerdo, com o dedo no orifício de saída.

    Bem extravagante esse entrudo, porque aseringada deixava o cabra ensopado d'água que nem pinto na chuva.

    Entrudo de seringa cavalar? Só mesmo no Nordeste do meu tempo de lamparina de gás e candeeiro de manga de vidro!

    Na realidade eu gostava mesmo era do entrudo de "laranjinha", da "laranjinha feita por minha mãe.
    E de ver os mascarados perambulando pela cidade. Fazendo graça pra gente e medo de espantar à meninada mais miúda.

    Os papangus constituíam inegavelmente o ponto alto dos folguedos de rua.

    - Carnaval da minha terra! Carnaval da "laranjinha" colorida de água cheirosa que nunca mais eu vi igual em parte alguma! Até parece que sumiu comigo do sertão das Espinharas...

    Era assim o pobre e alegre carnaval da minha infância.

    (Paisagens do Nordeste, págs. 88/91)


     

  • » CANDEIA, CARLOS
  •  

    Carlos Candeia Pereira nasceu em Pombal, filho de Eduardo Pereira da Silva e Maria Candeia Pereira. Fez os estudos primários em Patos, realizando o curso ginasial no Ginásio Diocesano de Patos. Transferindo-se para João Pessoa, ali ingressou na Universidade Federal da Paraíba, graduando-se em Medicina. Após uma temporada em São Paulo, onde exerceu sua profissão, voltou a Patos, onde instalou consultório. Incursionando na política, candidatou-se a Prefeito de Patos, pela ARENA, não logrando eleger-se. Em seguida, candidatou-se a Deputado Estadual, obtendo um lugar na Assembéia Legislativa do Estado, na legislatura 1979/1983. Em seguida voltou às atividades profissionais de médico.

    BIBLIOGRAFIA

    - A fome não comove (Discurso sobre as condições extremas, dramáticas e gravíssimas, às quais é submetido o agricultor sertanejo, no Estado da Paraíba, durante a seca), A União, s/d, s/l.


     

  • » CARNEIRO, POLION
  •  

    Polion Carneiro de Oliveira nasceu em Patos, a 26 de fevereiro de 1944, filho de Severino Canuto de Oliveira e Joadiva Carneiro de Oliveira. Fez os estudos primários no Grupo Escolar Coriolano de Medeiros, em Patos. No Ginásio Diocesano de Patos iniciou o curso ginasial, concluindo-os na Escola Técnica de Comércio, do Recife. No Colégio Estadual de Patos iniciou o curso científico, concluindo-o no Colégio Carneiro Leão, do Recife. Exerceu o cargo de vereador à Câmara Municipal de Patos, pela legenda do antigo MDB, no período de 1969 a 1972. Após, radicou-se em Brasília, atuando intensamente na imprensa falada e escrita da Capital da República. Voltando a Patos, em 1976, reingressa na política, elegendo-se, novamente, vereador, pela legenda do PMDB, exercendo esse cargo até 1988. É graduado em Economia, pela Faculdade de Ciências Econômicas de Patos e Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito dos Institutos Paraibanos de Educação. Funcionário da Caixa Econômica Federal, é, atualmente, Presidente do Sindicato dos Bancários do Estado da Paraíba. Além de jornalista, revelou-se poeta, publicando um livro prefaciado pelo escritor Orlando Tejo. Reside em João Pessoa.

    BIBILIOGRAFIA

    - Versos de ninguém, 1979. Prefácio de Orlando Tejo.


     

  • » CAVALCANTI, JOSÉ
  •  

    Nasceu em São José de Piranhas, filho de Manuel Cavalcante da Silva e Bernardina Soares Cavalcante. Fez os estudos primários em sua terra natal. Transferindo-se para Patos, ali fez o curso ginasial, que concluiu em 1942, no Ginásio Diocesano. Casou-se com Rosalina Queiroz, com quem teve três filhos. Ingressando na política, foi deputado estadual em várias legislaturas e Prefeito Municipal de Patos, de 1963 a 1969. É autor de vários livros, de inspiração folclórica, nos quais narra "causos" ou "estórias" ligados à gente do povo, com a qual muito conviveu em Patos. Eleito membro da Academia Paraibana de Letras, ali sucedeu a Nelson Lustoza Cabral na cadeira n° 38, cujo patrono é o poeta Américo Falcão. Faleceu a 31 de dezembro de 1994, em João Pessoa, sendo sepultado no Cemitério Santa Catarina, naquela Capital. A obra de José Cavalcanti, profundamente enraizada nos sentimentos e costumes populares, tem sido muito discutida e pesquisada, a ponto de provocar a elaboração de um livro, de autoria de Amorim Filho e Expedito Duarte, intitulado Seu Zé da Paraíba. Publicado pela Editora AHIMSA, de São Paulo, o livro é referido pelos próprios autores como "um livro de humor baseado na vida e na obra de José Cavalcanti".

    BIBLIOGRAFIA

    - Potocas, piadas e pilhérias, s/e, s/d, s/l.

    - Casca e nó, s/e, 1974, João Pessoa.

    - Sem peia e sem cabresto, A União, s/d, s/l.

    - Gaveta de sapateiro, s/e, 1977, João Pessoa.

    - Rabo cheio, s/e, 1980, João Pessoa.

    - As fofocas de Seu Zé, 3 vols. s/e, 1983/1984, João Pessoa.

    - 350 lorotas políticas, s/e, s/d, s/l.

    - Buscapé, Unigraf, 1987, João Pessoa.

    - 500 pensamentos avulsos, s/e, 1992, João Pessoa.

    - Sabedoria popular, Academia Paraibana de Letras, 1992, João Pessoa.

    - Sertanejadas, s/e, 1993, João Pessoa.

    ANTOLOGIA

    O TANGERINO

    - Zé, você sabe bem que eu nasci e me criei aqui na Capital. Fui ao sertão, apenas, uma vez, às pressas. E, portanto, um mundo quase que totalmente desconhecido para mim. Ainda vou conhecê-lo. Mas, antes, desejaria que você que é de lá e conhece tudo aquilo, me dissesse, por bondade, o que quer dizer a palavra tangerino? Pergunto, porque em conversas, já ouvi você se referir, mais de uma vez, a este nome.

    - É facílimo de você entender. Tangerino é o mesmo tangedor de boi.

    - Ah! É o vaqueiro, não é?

    Não. O vaqueiro anda montado e encourado. É o vigia do gado. O encarregado de trazê-lo e levá-lo para o campo.

    E a diferença é só esta? Que um anda montado e outro a pé?

    Nada disso! Não se vexe, que eu lhe explico tudo direitinho. Ouça-me: o boi e o seu tangedor se confundem e se contrastam, a um só tempo. Ambos a pé: o boi com a sua teimosia, o tangerino com a sua paciência. Antigamente, quando ainda não existiam o trem e o caminhão, as boiadas, para toda e qualquer distância, eeram transportadas pelo pé, guiadas e seguidas pelos tangerinos.

    O tangerino, como já lhe disse, andava a pé. A sua indumentária era uma das mais simples do mundo: calça e camisa de brim grosso de cor parda, para esconder o sujo; chapéu de massa, comumente, velho, em cujos furos da copa, abertos por ele, eram conduzidos os rolinhos de palha de milho, cortadas, já no ponto de enrolar o fumo picado para o cigarro; de alpercatas de couro cru, de lepo-lepo, com uma correia enrabichada por trás do calcanhar e outra por cima do pé, amarrada em lcço, para dar mnaior segurança; de bisaco de lado e mucuta às costas, embrulhada num cobertor de lã, pardo-escuro, dentro da qual, além da rede e da muda de rreserva, conduzia, amarrados num saco, a farinha, a rapadura e o pedaço de carne seca de bode. E mais ainda, o rosário no pescoço, o quicé de faca no cóo da calça e a vara de pau-ferro empunhada na mão, com a qual arrebatava os bois teimosos.

    - E só pelo fato de ele tanger as boiadas, aliás uma coisa comum, você dá tanto valor assim ao tangerino?

    - Você estanha que eu dê tanta importância a uma figura humana modesta, an⊚nima, como a do tangerino, porque ainda não lhe foi revelado o conteúdo de serviços relevantes que ele prestou à nossa civilização interiorana.

    - Como, então?

    - Desbravando os nossos sertões, quando tudo ainda era mata, habitado pelos índios e pelas feras. É necessário que se diga que, como elemento civilizador, aqui nas caatingas do Nordeste, o boi andou na frente do homem. Foi o primeiro elemento civilizador dos nossos rincões. Não há um só palo de chão do cariri e do sertão que não guarde, carimbados no tempo e na distância, os rastros do boi e do seu tangedor.

    - E foi assim, rapaz?

    - Foi, sim. Se a História não registra, corra por conta de quem não soube escrevê-la. A verdade, incontestável, é que o curral foi o primeiro marco de civilização plantado nas nossas plagas ensolaradas.

    Só depois com o tempo, foram construídos o rancho, o cercado, a morada do vaqueiro, a casa da fazenda, a capela, o armazém e tudo mais que se fazia necessário.

    - E, por você falar nisso, quem sabe se não há por aí afora, aqui mesmo no nosso Estado, alguma cidade, ou mais de uma, originadas de um curral?

    - São várias. Patos mesmo, a terceira da Paraíba, é uma delas. Em conseqüência do que o povo de lá tem uma vocação pastoril tão acentuada. Festa de gado ali é festa do povo.. De todos. Que sacode, anima e agita tudo: campo e cidade, homens e mulheres, velhos e moços. Haja visto que as melhores exposições de animais e as mais animadas vaquejadas do Estado são as que se realizam em Patos, todos os anos.

    São afamadas.

    - E você, que é do campo, ainda chegou a conviver pessoalmente com o tangerio?

    - Tá! se convivi!, Eu tanto conheço bem o boi como o seu tangerino. De tangerino, na minha infância, fui amigo íntimo; do boi, na minha mocidade, fui vaqueiro.

    - Que bom! Então, é por isso que você fala dele com tanta segurança. Até parece que está vendo-o.

    - E, porventura, um sujeito telúrico, como eu sou, seria capaz de se esquecer de uma figura humana, da sua infância e da sua juventude, marcada a ferro e fogo na sua memória? Jamais.

    - E quando foi, mais ou menos, que ele deixou de prestar os seus serviços profissionais?

    - Para não determinar época exata, a sua atuação profissional, que desde o advento do caminhão e do trem começou a cair, de ano para ano, só paraizou totalmente mesmo com a pavimentação das principais rodovias.

    - Você ainda conhece alguns? Já que faz tão pouco tempo que as estradas foram pavimentadas.

    - De profissão exclusiva mesmo, ainda existem em S. José de Piranhas os Deós e o negro velho Caetano, do Peba, que transportavam as boiadas da Pinheiras, deixando, todas as vezes, meu pai com os olhos cheios de lágrimas. Todo fazendeiro quer bem ao seu gado.

    - Havia quantidade determinada de bois para cada tangerino?

    - Não. A quantidade era variável. Depois que o gado saía do pasto, poucos tangerinos, dois ou três,
    conduziam uma centena e mais de bois estrada afora. Seguiam calma e pachorrentamente, o chamado do guia, que, de quando em quando, soltava um aboio repassado de saudades e ressumante de queixumes e de tristezas.

    - E do tempo da sua adolescência, você só se lembra mesmo das boiadas que saíam da fazenda de sua pai?

    - Não. Lembro-me também das grandes boiadas que nas décadas de vinte e trinta, de duzentas e trezentas cabeças, cada, pernoitavam na Pinheiras, procedentes do Piauí em demanda da Bahia. Bois erados, de chifres enormes, os chamados "boi-do-Piauí" com os quais os cornos ainda hoje sã comparados.

    Daquela época, ainda guardo nos ouvidos, a dolência da música nostálgica com a qual o guia chamava a boiada:

                   
                            Ei, boinho, que vem de longe!
                            Que vai para o estado da Bahia,
                            Com santo Antônio na cabeceira
                            E Nossa Senhora na guia!

    (Sem peia e sem cabresto, págs. 111/113)


     

  • » CAVALCANTI, JOVANKA BARACUHY
  •  

    Nasceu em Patos, filha de Assis Cavalcanti e Iara Baracuhy Cavalcanti. Fez os estudos primários e secundários na cidade natal e o curso superior na UFPB. Professora da Universidade Federal da Paraíba, obteve o grau de Mestre em Ciências Sociais, sob a orientação dp Professor Jacob Carlos de Lima.

    BIBLIOGRAFIA


    - Classe média. Cotidiano familiar e representação do espaço habitado. UFPB, 1993, João Pessoa, (Mimeo).


     

  • » CAVALCANTI, MARIA DE FÁTIMA BARACUHY
  •  

    Nasceu em Patos, filha de Assis Cavalcanti e Iara Baracuhy Cavalcanti. Fez os estudos primários e secundários na cidade natal e o curso superior de Psicologia na Universidade Federal da Paraíba, da qual tornou-se professora. Em 1981, obteve o grau de Mestre em Psicologia, em curso ministrado pela UFPB, sob a orientação do Prof. Luis Maia.

    BIBLIOGRAFIA


    - O efeito da medicação fenotiazínica antipsicótica, sobre as relações de pacientes esquizofrênicos, no contexto do ambiente emocional da família , UFPB, 1981, João Pessoa, (Mimeo).


     

  • » CÉSAR, TARCÍSIO MEIRA
  •  

    Nasceu em Patos, em 1941, filho de José César Cavalcante Maria Rita Fragoso Meira. Inicou os estudos primários em Patos, fazendo o curso ginasial no Ginásio Diocesano de Patos. Transferiu-se, depois, para Recife, onde fez o curso colegial e completou sua formação intelectual, graduando-se em Ciências Sociais, pela Faculdade de Filosofia de Pernambuco. Ingressou na imprensa como profissional e colaborou em inúmeros jornais e revistas de todo o país. Em 1967, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde publicou seu primeiro livro. Publicou Poemas da terra estranha, livro de estréia, O espelho em que terminas.


    BIBLIOGRAFIA


    - Poemas da terra estranha, Leitura, 1969, Rio de Janeiro.

    - Poemas grotescos, 1983.

    - O espelho em que terminas, Arx Editora Ltda., 1986, Brasília.

    ANTOLOGIA

    Poema

    Há uma nesga de mar nos teus cabelos
    e não posso afastá-la dos meus passos:
    antes deixo-a tingir-se de amarelo
    para suster a cor nos meus cansaços.

    O mar é de tormenta e pouco dano,
    sem falar de corais com areia e sol.
    Melhor deixá-lo - fúria e desengano -
    enquanto em terra cresce o arrebol.

    As sereia da praia e azul disperso
    criando vão a cor que se emoldura.
    Depois o sol maduro queima o verso,
    enquanto a dor noturase aventura.

    (Poemas da terra estranha, pág. 69)


    Primeiro soneto sobre os olhos

            
     Aqueles olhos garços, intranqüilos,
     fitando a incerteza do infinito,
     junto compunham a emoção de um grito
     nunca ecoado como os mais cegos brilhos.

     Olhos doentes assim, feitos de espanto,      
     enormementes curvos com o medo
     instalado nas pupilas como um quedo
     silêncio ausente, mudo no seu canto.

     Olhos aquém de sombras e segredos
     que pela noite espiam, orbitais,
     oriundos de presságios e degredos.

     Olhos assim nunca se viu, medonhos,
     Como fitassem luares ancestrais
     e os mais atormentados, negros sonhos

     (O Espelho em que terminas, pág. 40)

              


     

  • » DANTAS, IVANILDO PEREIRA
  •  

    Nasceu em Patos, a 20 de agosto de 1960. Fez os estudos primários na cidade natal. Em 1986 concluiu o curso de Técnico Agrícola, da Escola Assis Chateaubriand, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), tendo sido o orador da turma pioneira daquela instituição, a qual concluiu os estudos em 1986.

    BIBLIOGRAFIA

    - Um tesouro de mensagem - Poesias, Versos, Mensagens, s/e, 1996, João Pessoa.

    ANTOLOGIA

    Justiça e paz

    Mais que uma amargura
    É uma vergonha nossa
    Uma extrema pobreza, abalando o mundo
    Façamos justiça, dividindo o pão nosso.

    Nesta campanha da fraternidade
    Coloquemos em nossa mente... em nosso olhar
    O amor, a justiça e a paz
    Promovendo os outros com vestes, saúde, pão e escola.

    Sejamos amigos, simples e humildes
    Na compreensão da justiça
    E na divulgaço da paz.

    Vamos ser justos e capazes
    Em segredo e sem egoísmo,
    Pratiquemos a caridade.


    Raios de luz

     No topo da montanha
     Uma luz irradia
     Elétrons positivos de esperanç
     Alcançando vidas doloridas.

     É que faz presença
     Em todo instante da vida.
     Trazendo amor e paz.
     Iluminando nossos destinos.

     O amor que vem do alto
     É do mais abençoado
     Fraterno, puro e divino.

     Hão de aparecer, para sempre,
     Esses feixes de raios comunicativos
     De Deus, Maria e Jesus Cristo.

     (Um tesouro de mensagem, págs. 39 e 45)


     

  • » DANTAS, JOMACI
  •  

    Jomaci Dantas Nóbrega nasceu em Patos, a 11 de outubro de 1967, filho de Joel Domingos Dantas e Maria das Dores Dantas Nóbrega. Com apenas quatorze anos de idade, começou a assistir cantorias e festivais de violeiros, realizados por todo o Nordeste. Posteriormente, ele mesmo promoveu vários festivais na região das Espinharas e do Vale do Piancó. Apesar de jovem, defrontou-se com diversos can tadores de maior experiência, tais como, Ivanildo Vilanova, Oliveira de Panelas, Otacílio Batista, Odilon Nunes de Sá, Valdir Teles e Pinto do Monteiro.

    BIBLIOGRAFIA


    - Sonetos do coração e outros poemas, s/e, 1997, s/l.

    ANTOLOGIA

    Eu queria cantar para meu pai

    Eu queria cantar para meu pai,
    A canção que outro dia fiz pra ele
    Concentrado na luz dos olhos dele
    Num amor que da minha alma sai.

    Como um filho que ama e que não trai,
    Abraçado também ia dizer-lhe
    Trago o pinho somente e quero nele
    Expressar-lhe a saudade que me atrai.

    O senhor nunca ouviu o meu repente.
    Ouça, agora, meu pai; venha, se sente
    E escute a canção da minha dor.

    Ao invés de chorar, me bata palma,
    Restaurando alegria em minha alma,
    Já que nunca cantei para o senhor".


    Desejos de poeta

     Quero só um bêmio como amigo,
     Uma flor, o luar, uma calçada,
     E um poeta na minha madrugada
     Pra cantar a canço que não consigo.

     Uma simples mulher beba comigo,
     Totalmente de amor necessitada,
     Eu conduza no drinque ou na tragada
     Minha última esperança pra o jazigo.

     Quero, sim, um boteco na cidade,
     Pra que eu possa esconder minha saudade
     Colocando no copo a minha dor.

     E o meu corpo ao perder toda a estrutura,
     Alguém bote na minha sepultura
     "Aqui jaz um cativo do amor".

     (Sonetos do coraço e outros poemas, págs. 3 e 18)


     

  • » DANTAS, PEDRO RAFAEL
  •  

    Nasceu em Patos, a 12 de janeiro de 1932. Poeta popular, passou a residir no atual Município de Passagem, segundo informação dada por Átila Almeida e José Alves Sobrinho, em seu Dicionário. Começou a escrever em 1952.


     

  • » DIAS, MESSINA PALMEIRA
  •  

    Nasceu em Patos, filha de Manuel Quinídio Sobral e Balila Palmeira. Com a transferência de seus pais para João Pessoa, faz os estudos de primeiro grau no Colégio Nossa Senhora da Salete e os de segundo grau no Colégio Pio X. Aprovada no concurso vestibular para a Universidade Federal da Paraíba, ali cursa a graduação, concluída em 1987. Dedicada às letras, volta-se para a área de literatura infantil, escrevendo vários livros, dois deles traduzidos para outros idiomas. Participou de diferentes encontros, seminários, simpósios, de cunho literário, alguns específicos de literatura infantil. Mais recentemente, tem-se dedicado à pesquisa histórica, tendo escrito, juntamente com sua mãe, a história da Caixa Econômica Federal, na Paraíba e a história do bairro Miramar, da capital paraibana.

    BIBLIOGRAFIA

    - Doriana e a escova azul, s/e, 1989, s/l.

    - As descobertas de Maria Fumaça, SESC, 1992.

    - Las descubiertas de Maria Humaza, Tradução de José Aranha, SESC, 1993, s/l.

    - A história se repete, rato é igual a rato, SESC, 1991, s/l.

    - La historia se repite, raton es igual a raton, s/e, 1993, s/l.

    - Dedo mindinho, seu vizinho, maior de todos, fura-bolos, cata-piolhos., s/e,1994, s/l.

    - A história do arco-íris, s/e, 1990, s/l.

    - L'histoire de larc-en-ciel, Consulado da França (Recife), 1993, s/l.

    - De menino de engenho a escritor do mundo, FUNESC, 1996, João Pessoa.

    - Meu album de pintura e fantasia, s/e, 1991, s/l.

    - História da Caixa Econômica Federal na Paraíba.

    - Bairro do Miramar, sua história, seus moradores, s/e, 1997, João Pessoa.


     

  • » DIONÍSIO FILHO, MANUEL
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    Nasceu em 1922, em Patos. Reside em Minas Gerais. Conhecido como Canelinha, dele são estes versos, colhidos do Dicionário Bio-Bibliográfico de Repentistas e Poetas de Bancadas:

    Não me leve para a guerra
    Não me faça essa surpresa,
    Pois não tenho natureza
    De ver meu sangue  na terra!
    Me deixe em cima da serra,
    Lá por dentro dos buracos,
    Para viver com os macacos,
    Embora passando fome:
    Depois escreva meu nome
    No livro dos homens fracos.


     

  • » DÓRIA, RITA DE CÁSSIA RODRIGUES SOARES
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    Nasceu em Patos, filha de José Soares de Souza e Olga Rodrigues Soares. Seu pai, residente hoje em Aracaju (SE), foi antigo livreiro na cidade de Patos, mantendo por muitos anos a Livraria e Tipografia Minerva. Posteriormente, já na maturidade, concluiu o curso de Ciências Econômicas, o que lhe possibilitou ingressar no magistério superior, aposentando-se como professor da Universidade Federal de Sergipe. Após deixar Patos, e antes de fixar-se em Aracaju, residiu José Soares em João Pessoa e Natal. Nesta última Capital, Rita de Cássia fez os estudos primários e secundários, aluna do Instituto Maria Auxiliadora. Com a transferência de seu genitor para Aracaju, fez o curso de segundo grau no Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora. Matriculou-se na Universidade Federal de Sergipe, graduando-se em Pedagogia, em 1985. A seguir, cursou especialização em Metodologia do Ensino e da Pesquisa no Ensino Fundamental, concluída em 1994. Além de atividades de magistério, exerce o cargo de Supervisora Escolar, vinculada à Secretaria da Educação e Cultura do Estado de Sergipe e à Secretaria da Educação e Cultura do Município de Aracaju, já tendo exercido várias cargos e funções comissionados, ligados à sua área profissional.

    BIBLIOGRAFIA

    - A PRÉ-ESCOLA E O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO: Um estudo comparativo entre as redes de ensino público municipal e particular de Aracaju. s/e, 1994, Aracaju. (Mimeo)


     

  • » FERNANDES, EIMAR DE QUEIROZ
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    Aguarde !!!


     

  • » FERNANDES, ENALDO TORRES
  •  

    Nasceu em Patos, em 1944, filho de José Mathias Fernandes e Josefa Torres Fernandes. Fez os estudos primários na cidade natal, continuando os estudos secundários no Ginásio Diocesano de Patos. Neste mesmo estabelecimento fez o curso colegial, após o que transferiu-se para Fortaleza em cuja Faculdade de Direito ingressou. Posteriormente, tranferiu-se para o Recife, bacharelando-se pela sua tradicional Faculdade de Direito. Voltando a Patos, dedicou-se à advocacia e ao magistério superior, lecionando na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras daquela cidade, da qual foi Diretor. Exerceu, interinamente, o cargo de Promotor da Comarca de Patos. Ingressou na Universidade Federal da Paraíba, como Professor do Curso de Direito do Campus VI, sediado na cidade de Sousa. Foi Diretor do Centro de Ciências Jurídicas e Sociais da UFPB, em Sousa. Participou de vários congressos de Direito, em um dos quais apresentou tese sobre importante item do temário. Faleceu em 13 de abril de 1984, vítima de acidente automobilístico. Pertencia ao Instituto Brasileiro de Direito Constitucional.

    BIBLIOGRAFIA


    - Limitação ao poder de reforma constitucional - IBDC, 1982, Belo Horizonte.


     

  • » FERNANDES, FLÁVIO SÁTIRO
  •  

    Nasceu em Patos, aos 13 de janeiro de 1942, filho de Sebastião Francisco Fernandes e Emília Sátiro Fernandes. Fez os estudos primários no Grupo Escolar Rio Branco e os estudos secundários no Ginásio Diocesano de Patos. Em 1957, matriculou-se no Colégio Padre Félix, no Recife, onde cursou o segundo grau, àquela época chamado Curso Científico. Aprovado no Vestibular para a Faculdade de Direito do Recife, ali matriculou-se em março de 1960, diplomando-se em 1964. De sua turma participavam, entre outros paraibanos, Romero ábdon Queiroz da Nóbrega, Eilzo Matos Nogueira, Mário Silveira, Roberto Figueiredo Cavalcanti (Orador da Turma), Carlos Hermano Mayer, Jomar Morais Souto. Voltando à cidade natal, passou a exercer a advocacia, sendo nomeado, em junho de 1965, Advogado de Ofício da Comarca de Patos. Em 1969, fundou, juntamente com José Gomes Alves, Presidente da Fundação Francisco Mascarenhas, a Faculdade de Ciências Econômicas de Patos, da qual foi o primeiro Diretor, exercendo o cargo por cinco anos. Também dirigiu, interinamente, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Patos e a Escola de Agronomia e Medicina Veterinária. Esta última daria origem ao Campus VII, da Universidade Federal da Paraíba, onde passaram a ser ministrados os cursos de Engenharia Florestal e Medicina Veterinária. Em Patos, exerceu, ainda, as funções de Presidente do Rotary Club local e de Secretário da Educação e Cultura do Município. Nesse último cargo se encontrava quando foi convidado pelo Governador *Ernani Sátyro para exercer as funções de Secretário do Interior e Justiça do Estado da Paraíba. No mesmo governo foi nomeado membro do Conselho Estadual de Educação, cargo que ocupou por quatro anos. Nomeado, em fevereiro de 1975, Procurador Geral do Tribunal de Contas do Estado, em setembro do mesmo ano foi indicado, pelo Governador Ivan Bichara, para o cargo de Conselheiro daquela Corte, no qual permaneceu até 2012, quando se aposentou, tendo sido, por três vezes, seu Presidente. É autor de romances, poesias, ensaios e de obras na área jurídica, além de trabalhos diversos divulgados em revistas e jornais. Pertence à Academia Paraibana de Letras, Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica, Instituto Brasileiro de Direito Constitucional, Associação Brasileira dos Constitucionalistas (Instituto Pimenta Bueno). Algumas de suas poesias se encontram inseridas no Jornal de Poesia.

    BIBLIOGRAFIA

    - Festa de Setembro (romance), Letras & Artes, 1996, João Pessoa, 2a. edição.

    - Aspectos do Direito Público, A União, 1985, João Pessoa, 2a. edição.

    - Manual do Prefeito e do Vereador, A União, 1982, João Pessoa, 2a. edição.

    - História Constitucional da Paraíba, Banco do Brasil, 1985, João Pessoa (1ª edição); Editora Fórum, 2009, Belo Horizonte)

    - Geografia do Corpo (Poesias), Unigraf, 1988, João Pessoa.

    - A Cruz da Menina, s/e, 1986, João Pessoa, 2a. edição.

    - Augusto dos Anjos e a Escola do Recife, SEC, 1984, João Pessoa.

     

    - Palavras ao vento (Discursos), s/e, 2005, João Pessoa.

     

    - Subsídios para a História do Ginásio Diocesano de Patos, s/e, 2000, João Pessoa (1ª edição); Sal da Terra, 2008, João Pessoa (2ª edição).

     

    - Na rota do tempo (Datas, fatos e curiosidades da História de Patos), s/e, 2003, João Pessoa.

     

    - O passarinho e a flauta (Poesias), Sal da Terra, 2008, João Pessoa.



    ANTOLOGIA:

    O passarinho e a flauta


    No meu jardim
    toca uma flauta.

    No meu jardim,
    um passarinho.

    No meu jardim,
    o passarinho canta
    e a flauta voa.

    Poema marinho

    Que faz o peixinho na imensidão do mar? - Nada. E o militar da Armada? - Nada.


     

  • » FERREIRA, JOAQUIM DE ASSIS
  •  

    Nasceu na Fazenda São Francisco, Município de Malta (Pb), aos 24 de novembro de 1908. Fez os estudos primários e secundários, assim como o curso superior no Seminário Arquidiocesano da Paraíba, onde recebeu as ordens sacras, em 26 de novembro de 1933. Foi nomeado vigário da Paróquia de Catolé do Rocha, dedicando-se também ao magistério e realizando um elogiável trabalho em favor da juventude local. Em meados dos anos 40 foi removido para Patos, atuando como inspetor federal junto aos ginásios criados pela Diocese. Destacou-se, sobremodo como orador, sendo considerado um dos maiores oradores sacros do Nordeste. Pregou na Basílica do Carmo do Recife, e em diversas outras Igrejas, tendo saudado a imagem de Nossa Senhora de Fátima quando de sua passagem por Patos, em 1953. Foi Diretor da Rádio Espinharas de Patos, onde, diariamente, lia uma crônica de sua autoria, versando sobre os mais diferentes assuntos, de caráter religioso, social, filosófico etc. Foi Capelão do Colégio Cristo Rei, onde morou, nos últimos anos de vida, assistido pelas Irmãs do Amor Divino. Faleceu com quase oitenta anos, aos 17 de agosto de 1987.


    BIBLIOGRAFIA

    - Crônicas das doze (No prelo)


     

  • » FLORENTINO, LUIZ CARLOS
  •  

    Aguarde !!!


     

  • » GENTIL, ROBERTO
  •  

    Aguarde !!!


     

  • » GOMES, FERNANDO (D.)
  •  

    D. Fernando Gomes dos Santos nasceu em Patos, a 4 de abril de 1910, filho de Francisco Gomes dos Santos e Veneranda Lustosa Gomes. Iniciou os estudos primários na cidade natal, tendo sido aluno do Professor Alfredo Lustosa Cabral. Foi coroinha do Pe. José Viana, vigário local, particularidade esta por ele considerada decisiva para a sua vida sacerdotal. Aos dez anos, matriculou-se no Seminário da Paraíba, onde estudou até o segundo ano de Teologia, transferindo-se, em seguida, para o Colégio Pio Latino-americano, em Roma, aí ordenando-se sacerdote, em 1º de novembro de 1932. Regressando ao Brasil, foi designado diretor do Colégio Diocesano Pe. Rolim, de Cajazeiras (Pb), cargo que exerceu por três anos. Em 1936, foi nomeado vigário daquela cidade, o que o fez concretizar um grande sonho de sua vida: ser vigário. No ano seguinte, é transferido para Patos, sua cidade natal, na condição de vigário. Aí, com o incentivo e ajuda oferecidos por D. João da Mata Amaral, Bispo da Diocese de Cajazeiras, à qual pertencia a Paróquia de Patos, cria dois colégios que teriam grande influência na vida social e cultural das Espinharas: o Ginásio Diocesano de Patos, para alunos do sexo masculino e o Colégio Cristo Rei, para alunas do sexo feminino. Em 1943, foi elevado à dignidade episcopal, nomeado Bispo de Penedo (AL), sendo sagrado na Matriz de Nossa Senhora da Guia, em Patos. De Penedo foi removido, em 1949, para a Diocese de Aracaju (SE), onde permaneceu até 1957, quando foi designado Arcebispo da recém-criada Arquidiocese de Goiânia (GO), tomando posse em solenidade a que compareceu o Núncio Apostólico, D. Armando Lombardi. Participou do Concílio Vaticano II e da II Conferência Geral do Episcopado Latino-americano, em Medellin, na Colômbia. Foi membro da Comissão Central da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Secretário do Regional Centro-Oeste da CNBB, Grão Chanceler da Universidade de Goiás e Fundador da Universidade Católica de Goiás. Faleceu a 1º de junho de 1985, sendo sepultado na Catedral de Goiânia.

    Dele disse Leonardo Boff:

    Dom Fernando nos faz recordar, seja pela sua figura imponente, seja pelo seu denodo, seja por sua impressionante força de persuasão, os grandes bispos do passado, como Santo Ambrósio, São João Crisóstomo e São Gregório Magno. Há poucos fatos eclesiais dos últimos 30 anos que não venham marcados pela presença de Dom Fernando Gomes. Influenciou na criação da Conferência Nacional dos Bispos, na fundação do Movimento de Educação de Base (MEB), na ereção de Brasília, como nova capital, na promoção da Ação Católica numa linha de libertação e na articulação da evangelização que une fé e vida dos pobres. Esteve presente no Vaticano II com notáveis intervenções em Medellin.

    BIBLIOGRAFIA

    - Carta Pastoral sobre A Vocação Sacerdotal , Editora Mensageiro da Fé Ltda., s/d, Salvador.

    - A ordem social nos documentos pontifícios , Confederação Nacional de Operários Católicos, 1946, Rio de Janeiro.

    - Sem violência e sem medo, Universidade Católica de Goiás, 1982, Goiânia.

    ANTOLOGIA

    Política e eleições em 1982

    O ano de 1982 vem chegando, carregado de esperanças e incertezas, como acontece a cada ano que surge. Mas essas esperanças e incertezas aguçam a nossa inteligência e não deixam de inquietar os nossos corações. Queremos saber quais são as esperanças que nos aguardam, quais as incertezas que nos podem inquietar. Ninguém tem condições de responder a esses questionamentos com segurança. Nada impede, porém, que arrisquemos palpites ou até mesmo asseguremos alguns acontecimentos previstos ou em processo de concretização. Sabemos, por exemplo, que 1982 será o ano das duas grandes paixões dos brasileiros: a política e o futebol. Falaremos apenas da política. Se as coisas acontecerem como estão previstas e até pré-estabelecidas, o novo ano movimentará o país em torno das eleições em todos os níveis, com exceção de Presidente da República. Pode-se prever, entretanto, que nem tudo correrá de acordo com o figurino, até porque o figurino - ou seja, as regras do jogo - não foi ainda definido e são tão frágeis e mutáveis os chamados "artifícios", que não falta quem admita a possibilidade de serem suspensas as eleições, naturalmente "para assegurar o regime democrático"... Para o governo, por exemplo, democracia significa a perpetuidade do poder nas mãos do atual regime e dos membros do Partido situacionista. Se isso não acontecer é sinal, segundo eles, de que não há democracia no País. Do outro lado, as oposições argumentam da mesma forma, mas em sentido contrário: se as oposições não ganharem, vão dizer, igualmente, que não há democracia no País. Enquanto a questão é colocada em termos genéricos e teóricos, não haverá maiores conseqüências. Termina todo mundo concordando que democracia é isso mesmo: mera luta pela conquista do Poder. Há nessa argumentação, entretanto, um sofisma que poderá ser trágico. A razão principal é a seguinte: se a democracia é a mera luta pela conquista do poder, todos os meios são considerados lícitos, ainda os mais iníquos. Ganha quem for mais forte, mais rico, mais poderoso, mais corrupto, mais irresponsável. Modifica-se, de maneira quase insensível, o conceito de democracia. De mera luta pelo poder, transforma-se em luta violenta do mais forte contra o mais fraco, do lobo contra o cordeiro, da mentira, da hipocrisia, da falsidade, contra o valor e a dignidade do homem. Nessa hipótese, a grande vítima, o grande sacrificado é o povo. São multidões famintas; os doentes, os marginalizados, os velhos, as crianças, os carentes, os oprimidos, os desprovidos de força, de dinheiro, de prestígio, de casa, de terra, de trabalho, que permanecem sem vez e sem voz. Quem não se lembra de que o conceito clássico de democracia é: "Governo do povo, com o povo, para o povo"? Com o passar do tempo e o desgaste dos valores humanos, tem-se conseguido exatamente o contrário. Democracia está se transformando em: "Governo dos opressores do povo, contra o povo, sem a mínima preocupação com a participação do povo". Se 1982 conseguir, pelo menos, intensificar a obra de restauração da ordem das coisas, compreenderemos o significado da ação da Igreja, em defesa das comunidades humanas, de dar consciência e restaurar a dignidade do povo humilde, sofredor - o único, porém, que pode ser o verdadeiro protagonista da idade nova. Ainda é tempo de esperar que os Partidos Políticos exerçam com fidelidade sua importante missão, no prélio eleitoral que se aproxima. As instituições e pessoas retas devem unir esforços no sentido de esclarecer os eleitores, ao menos nesses pontos fundamentais: - Voto é questão de consciência; não se compra nem se vende. - Os supostos "benefícios!" que alguns dizem oferecer ao povo, em troca de votos, não passam de maneira disfarçada de pretender comprar a consciência dos incautos eleitores. - O voto, consciente e livre, é secreto. Compete à Justiça Eleitoral examinar, classificar e tornar público o resultado das urnas.- Receber favores não faz mal, mas votar é coisa sagrada - que nada tem a ver com os presentes recebidos. Não há maior compromisso do que ser fiel à própria consciência. -Não se justifica que o cidadão consciente se abstenha de votar com dignidade, liberdade e responsabilidade. (Sem violência e sem medo, págs. 205/207)


    Hino de Nossa Senhora da Guia (*)


    Volve um olhar risonho sobre Patos
    Que é tua desde o seu primeiro dia,
    E para Deus dirige os nossos atos,   ]
    Ó, Virgem Santa, Senhora da Guia.     ]  (bis)

    As tuas bênçãos para nós tão caras
    Manda durante toda a nossa vida
    Sobre o vale formoso do Pinharas       
    Onde quiseste erguer a tua ermida.       

    Nas horas intranqüilas da tormenta,
    O teu riso de amor e de alegria
    Seja vigor que a nossa força ostenta,       
    Seja farol que para o céu nos guia.          

    Se amar não soubermos ao Senhor
    Ama por nós, dize ao bom Jesus
    Que faça nosso o teu imenso amor    
    Como Ele filhos teus nos fez na Cruz.          

    (*) Padroeira de Patos.


     

  • » GOMES, IRACEMA
  •  

    Nascida em Patos, é irmã do cantador Júlio Veríssimo Gomes. Informa Átila Almeida que, após o casamento, Iracema Gomes deixou de cantar.


     

  • » GOMES, JÚLIO VERÍSSIMO
  •  

    Nasceu em Patos, entre os anos de 1923 e 1926. Conhecido como Patativa, faleceu em Natal (RN), em 1972. Era irmão da cantadora Iracema Gomes.


     

  • » GUEDES, JOSÉ MONTEIRO
  •  

    Cantador, nasceu a 16 de março de 1905, em Patos, onde sempre residiu.


     

  • » JANSEN, ORLANDO
  •  

    Nasceu em Patos, a 6 de fevereiro de 1925, filho de Vicente Jansen de Castro e Alzira de Luna Freire Jansen. Na mocidade, foi vereador à Câmara Municipal de Patos, pela legenda do Partido Social Democrático (1947/1951). Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, turma de 1952. Após graduar-se, voltou à terra natal, dedicando-se à advocacia. Foi membro da OAB, inclusive Conselheiro daquele órgão de classe. Ingressando no Ministério Público, foi Promotor de Justiça de Princesa Isabel, Patos, Ma,anguape, Cajazeiras, Pombal, Campina Grande e da Capital. Promovido a Procurador de Justiça, integrou o Conselho Superior do Ministério Público. Exerceu também as funções de Procurador junto ao Tribunal Regional Eleitoral. Foi nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça da Paraíba, em 24 de maio de 1984, na vaga destinada a membros do Ministério Público, cargo no qual se aposentou.


    BIBLIOGRAFIA

    - Discurso de posse no cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, s/e, 1984, Paraíba.


     

  • » LEITE, FIRMINO AYRES
  •  

    Nasceu no dia 2 de outubro de 1902, na Fazenda Bela Vista, município de Catingueira, pertencente, então a Piancó, filho de Inocêncio Leite e Capitulina Ayres que, enviuvando, contraiu segundas núpcias com o Cel. Miguel Sátyro e Sousa, chefe político em Patos. Fez os estudos primários nesta cidade, concluindo-o em Campina Grande, no Colégio do Professor Clementino Procópio. O Curso ginasial foi feito no Colégio Diocesano da Paraíba e no Liceu Paraibano. Em 1922, aprovado no concurso vestibular, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia, onde cursou o primeiro ano do curso médico. No ano seguinte transferiu-se para a Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, onde colou grau, em 1927. Foi interno do Professor Henrique Roxo, psiquiatra, e do professor Fernando Magalhães, obstetra. Voltando à Paraíba, instalou-se na cidade de Patos, da qual foi Prefeito, de março de 1929 a maio de 1930. Transferindo-se para Piancó, ali exerceu a medicina e foi Prefeito, nomeado por Argemiro de Figueiredo. Com a queda deste, pediu exoneração do cargo, permanecendo no exercício da profissão. Suas atividades como médico, no Piancó, estenderam-se por vinte anos. Em 1947, a convite do engenheiro Estevam Marinho, assumiu a direção do hospital do DNOCS, em Coremas, cargo que exerceu por quatorze anos, obtendo, inclusive, para aquele órgão, a instalação de uma maternidade. Na eleição municipal de 1951, foi candidato a Prefeito de Patos, pela legenda da União Democrática Nacional (UDN), não logrando, contudo, eleger-se. Em 1961, transferiu-se de Coremas para João Pessoa, prestando serviços como Chefe do Serviço Médico do 2º Distrito Médico do DNOCS, até aposentar-se, em 1972. Era casado com áurea de Sá Leite, de família sousense. Faleceu em 26 de agosto de 1981. Deixou muitas poesias, notadamente sonetos, alguns inéditos, outros divulgados em jornais e revistas, quase todos reunidos em livro publicado pela família após seu falecimento.

    BIBLIOGRAFIA

    - Mugidos e aboios

    ANTOLOGIA

     Conselho


    Planta, amigo, uma árvore que seja,
    Jamais te desalente um solo enxuto,
    Rega a semente, um dia ela viceja
    E poderás ter pomos em tributo;
     
    Ao menos uma sombra benfazeja,
    Se te nega a colheita do seu fruto,
    Dar-te-á, pois nem tudo que se almeja
    Nos chega sem esforço resoluto.

    Pratica o bem, com intuito somente
    De ser por natureza generoso,
    Tornando-te humilde e complacente.

    Se uma pedra te fere, é bom guardá-la,
    Evitarás um ato inamistoso
    De quem tente outra vez arremessá-la.


    Carro-de-boi


    Quando lembro o passado, em minha mente,
    Ouço um carro de boi, longe a cantar,
    Mas hoje, como passa de repente,
    Velho engenho moroso, a se arrastar...

    Angústias sem rem remédio do presente
    Anseios incontidos de avançar...
    Gritamos a nós mesmos - para a frente,
    Dominados da pressa de chegar.

    Assim, não nos detemos pela estrada,
    Olhamos a paisagem de relance,
    Para esquecê-la ao termo da jornada.

    Se o homem quiser ser o que já foi,
    O bem que ele perdeu talvez alcance,
    Se voltar a tanger carro de boi.

    (Mugidos e aboios, págs. 77 e 33)


     

  • » LEITE, GEILSON SALOMÃO
  •  

    Nasceu em Patos, fa 18 de fevereiro de 1970, filho de Adilson Leite Silva e Geovânia Maria Salomão Leite. Fez os estudos de primeiro grau no Instituto Educacional Vera Cruz, em Patos. Os estudos de segundo grau foram iniciados no mesmo estabelecimento e concluídos no Colégio Contato, no Recife. Em 1987 matriculou-se no curso de direito da Universidade Católica de Pernambuco, concluindo o curso jurídico em 1991. Na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo fez o curso de Mestrado e obteve o correspondente grau de Mestre em Direito Tributário. Atualmente é aluno matriculado no curso de Doutorado da PUC/SP. Foi Professor da Universidade Camilo Castelo Branco, de São Paulo e Presidente da Associação de Pós-Graduandos da PUC/SP. Retornando à Paraíba, submeteu-se a concurso público para Professor de Direito Tributário do Departamento de Direito Público do Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal da Paraíba, obtendo a primeira colocaç&atildeo, sendo, em seguida, nomeado para aquela instituição, lecionando nos cursos de graduação e pós-graduação (Mestrado).

    BIBLIOGRAFIA


    - Do Imposto Territorial Rural, Ed. MAX LIMONAD, 1996, São Paulo.


     

  • » LIMA, JOÃO SEVERO DE
  •  

    Cantador e poeta popular, nasceu em Patos, 19 de junho de 1909. Começou a cantar e a escrever em 1935, consoante informação de átila Almeida e José Alves Sobrinho.

    BIBLIOGRAFIA

    O amor e o destino

    Como São Pedro enganou o diabo

    Discussão do fiscal com o poeta

    Nosso sertão foi assim

    O pai que forçou a filha na sexta-feira da paixão

    A profecia do divino Espírito Santo

    Saudade dos nordestinos

    A sociedade de São Pedro com o diabo

    A vinda do capa-verde

    O enviado da besta-fera.


     

  • » MAGALHÃES, MANUEL QUIRINO DE (CHYRINO DE MAGALHAENS)
  •  

    Nasceu em Patos, no ano de 1876, filho de João Pedro de Magalhães e de Maria Estela Quirino de Magalhães, professora primária. Fez os primeiros estudos na cidade natal. Aos vinte anos, segundo informa Álvaro Cardoso Gomes, em ensaio intitulado "Revisão de Chyrino de Magalhaens", inserido em seu livro "O poético: magia e iluminação", Quirino de Magalhães ingressou na Faculdade de Direito do Recife. Por essa época sonha com publicar uma revista literária que chega a ter seu primeiro e único número, saído em 1889, com o título Phalanges. Uma vez diplomado, segundo ainda Álvaro Cardoso Gomes, passa Quirino de Magalhães a advogar em Patos. Em 1905, publica o livro de poesias Epiphanias. Ao morrer, em 1923, deixa Qurino de Magalhães versos esparsos e fragmentos de poesias que comporiam o livro Vôo Véu, jamais concluído e publicado.

    BIBLIOGRAFIA

    Epiphanias

    ANTOLOGIA

    GRYPHO
    GRIFA O TYPÓÓRAPHO O CORAÇÃO DO HYPOGRIPHO

                                                       onde
                                                       as asas
                                                       soam
                                                       em revoada
                                                       mythológica
                     ali, o Silêncio é só espanto
                     nem a Noite cobre o véu do
                                   de
                                     sa
                                       len
                                          to
                     as palavras ensimesmadas voam: o espaço
                                      é o ofício do Poeta
                      a sua voz um cristal mudo



    EST(R)ELA
    NOITE

                                                                              onde
                                                                                       sombra
                                                                                    penumbra
                                                   não é a rósea rosa
                                                      desperta
                                                           SOL
                                            amarela corola aquecida

                                              fulgindo em raios fúlgidos
                  em negro
                       est(r)elas
                              brilham

                                      s               l                             r
                                                                                              a
                                          o                    t                      i

                                                       i
                                                                   á
                                                                                            s


     

  • » MARTINS, JOSÉ
  •  

     Nasceu em meados do século passado, em Patos, segundo informa átila Almeida. Irmão de Silvino Pirauá de Lima, supõe-se ser Lima seu nome de família, apesar de adotar o patronímico Martins.


     

  • » MEDEIROS, ANTÔNIO AMÉRICO DE
  •  

    Nasceu em 7 de fevereiro de 1930, em São João do Sabugi (RN). Cantador e poeta popular, radicou-se em Patos, dedicando-se ao comércio. Mantém um programa na Radio Espinharas de Patos, dedicado à poesia popular e a cantorias.

    BIBLIOGRAFIA

    Poema de aniversário

    Vida de vaqueiro


     

  • » MEDEIROS, CORIOLANO DE
  •  

    João Rodrigues Coriolano de Medeiros nasceu no Município de Patos, a 30 de novembro de 1875, filho de Aquilino Coriolano de Medeiros e Joana Maria da Conceição. Tangidos pela seca, seus pais emigraram, em 1877, para a Capital da Província. Fez os estudos primários com vários professores, matriculando-se, depois, no Liceu Paraibano, onde realizou e concluiu os estudos preparatórios. Em seguida, ingressou na Faculdade de Direito do Recife, cujo curso jurídico freqüentou até o terceiro ano, quando, premido por dificuldades financeiras, viu-se obrigado a abandonar os estudos, voltando à Paraíba e ingressando no comércio. Pouco tempo depois, é admitido no serviço público, como funcionários dos Correios, onde permanece de 1889 a 1900. Por essa época passa a colaborar na imprensa, como redator do jornal "O Commercio", de Arthur Achilles. Amante da música, participa da Banda do Clube Astréa, tocando clarineta. Também integra o Club Simphonico. Nessa época dedica-se ao magistério particular. Em 1910, é nomeado escriturário da Escola De Aprendizes Artífices, dela chegando a Diretor, nesse cargo se aposentando. Foi sócio fundador do Centro Literário Paraibano, da Associação de Homens de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, de cuja primeira Diretoria fez parte, e do Gabinete de Estudinhos de História de Geografia da Paraíba, criado para abrigar uma pequena dissidência do IHGP. A sociedade teve duração efêmera e seus membros, posteriormente, se reintegraram ao Instituto Histórico. Por sua iniciativa e inspiração, foi fundada a Academia Paraibana de Letras, da qual foi o primeiro presidente. Participou do Dicionario Historico, Geographico e Ethnographico do Brasil, comemorativo do Primeiro Centenário da Independência e publicado pela Imprensa Nacional. Foi sócio correspondente dos Institutos Históricos de Sergipe e São Paulo, além de outras instituições congêneres. Faleceu a 25 de abril de 1974.

    BIBLIOGRAFIA


    Dicionário Corográfico do Estado da Paraíba, INL, 1950, Rio de Janeiro, 2a. edição.

    Do litoral ao sertão (contos), Popular Editora, F. C. Batista & Irmão, 1917, Parahyba.

    O tesouro da cega, s/e, s/d, Parahyba.

    Resenha historica da Escola de Aprendizes Artífices, s/e, 1922, Parahyba.

    Os cinco heróis da conquista (conferência), s/e, 1925, Parahyba.

    O Barracão (romance), Ed. Artes Gráficas da EAA de Pernambuco, 1930, s/l.

    Manaíra (romance), Cia. Melhoramento, 1936, São Paulo.

    A evolução social e histórica de Patos (Palestra), A Imprensa, 1938, João Pessoa.

    O Tambiá da minha infância (reminiscências), CEC, 1994, João Pessoa, 2a. edição.

    Sampaio (reminiscências), CEC, 1994, João Pessoa, 2a. edição. (No mesmo volume com o precedente).

    ANTOLOGIA


    Vitorino Silveira de Carvalho, vingando a tortuosa ladeira do Boissó, chegara à margem do Afoga-boi. Descalçou-se, arregaçou as calças para atravessá-lo mas, às carícias do local, abrigou-se à sombra de velha cajazeira. Sentou-se recostado ao tronco rugoso da árvore e ficou-se a descansar da caminhada, a refrescar-se do sol. Estava amolentado pelo calor e aquela sombra, a aragem esquiva que descia pelo valezinho, lhe preuchavam as pálpebras num desejo intenso de modorrar.
    Reagiu.
    Assenhorou-se da paisagem num golpe de vista. À jusante do córrego, abriam-se duas colinas cobertas de renovos, pontilhadas aqui e além pelo violáceo brando das copas floridas de altas perobeiras que, todos os anos, ao romper de dezembro, transformavam toda a fronde verde numa grinalda opulenta, lembrando na saudade de suas flores, a devastação da floresta.
    Nem sempre fora assim.
    Outrora a mata cerrada cobria toda aquela extensão, adensando-se mais e mais para o lado da Bocaia. Nela se abrigavam bandos de jacus, de coatis e, aos domingos, ouviam-se gritos prolongados de caçadores açulando cães na perseguição de veados ou de caititus. Certa vez o machado impiedoso dum lavrador ecoou semanas no afã da broca. Surgiu ali a primeira derrubada; abriu-se o primeiro roçado; nem o queimaram e lá se ficou aquela mancha vermelha de folhas secas como grande chaga aberta no dorso da floresta!
    Era o câncer da devastação que, num decênio, devorou todas as matas seculares que verdejavam em torno da cidade da Paraíba.
    O viandante lembrou a vivenda assentada no alto, quase afogada nos ramos das mangueiras. Era uma casa de belo aspecto, de ampla escadaria à frente, e pretencioso frontão grego. Edificou-a um seu antepassado, Simp;ício José de Carvalho, senhor de muitos haveres, inclusive alguns engenhos na várzea do Paraíba. Este casara-se. Tempos depois cometera uma ingratidão contra a esposa, que nunca mais lhe mostrou a cara. Embora permanecendo sob o mesmo teto, dirigindo com o máximo desvelo os trabalhos domésticos, se o marido entrava em casa, recolhia-se, aferrolhava-se num aposento, aonde os serviçais iam receber-lhe as ordens. Assim passou anos e anos e, no dia em que lhe morreu o esposo, calma, sem um gesto de dor, sem um traço de ódio, veio prestar-lhe o útimo serviço. Pediu que as pessoas presentes deixassem o quarto fúnebre, cerrou a porta e, quando a abriu, estava o finado vestido corretamente para ir à cova.
    Depois a propriedade, sucessivamente, passou a outros donos; agora, de quem seria?
    Vitorino desceu o velário da recordação; abeirou-se do córrego, refrescou as mãos e o rosto no fio limpo das águas, outrora mais abunantes, cortando extenso tremedal onde alguns bovinos perderam a vida, pegando ao local e a corrente a denominação de Afoga-boi.
    Houve quem lhes propusesse o nome histórico Pasagem do Flamengo, relembrando terem-nos as tropas holandezas atravessado quando vieram ocupara a Paraíba; mas prevaleceu o batismo popular.
    Vitorino, sem ânimo de afrontar a soalheira, voltou ao tronco da árvore para recordar a si próprio. Era talvez o último descendente da família de José Narciso de Carvalho. Estava pobre, desanimado, desiludido da sorte, quase às portas da velhice, com uns restos de beri-beri a curar. Sem pai, sem mãe, sem lar, emigrara para o Amazonas aos dezoito anos. Lá se internara, numa luta constante, de seringal em seringal., de barracão em barracão. Uma fatalidade o acomanhava com persistência intangível. Parecia-lhe ter ficado no mundo para resgatar todas as culpas dos seus antepassados, inclusive o tenente-coronel José Narciso, ferrenho esclavagista que se tornara lendá'rio por sua avareza. No entanto possuía ciência perfeita de não ter, de propósito, concorrido para fazer mal a ninguém! Por fim a doença obrigou-o a voltar, Repatriou-se a custa do governo na terceira classe de um vapor da Lloyd Brasileira e, ão obstante seu horror ao barracão, ia agora assumir a gerência de um, para fornecer gêneros aos trabalhadores da estrada que se fazia ligando a capital ao porto de Cabedelo. Cansou de pensar, tomou a maleta, pegou as botinas, atravessou o Afoga-boi com água à meia canela. Na outra margem calçou-se, prosseguiu por uma vereda ladeirosa e, após dois quilômetros de marcha, desceu para caminhar numa trilha de areia esbranquiçada e fofa encandecida pelo sol das treze horas.
    Agora estava na região característica das proximidades da costa paraibana. A mata fora-se, ficaram restos de capoeiras, avultando os cajueiros copados ameigando os terrenos, espalhando no ar o aroma esquisito e agradável de suas flores, e dos seus primeiros frutos.
    O viajante, embora afeito às durezas da existência, se ressentia da caminhada. O suor manava-lhe dos poros, as pernas se emperravam enterrando-se na areia. Nãoencontrava ninguém, nem mesmo ouvia o canto de um pássaro ou o estrépito de algum animal na folhagem caída.
    Era o silêncio do deserto; não apavorava graças à luz formidável do sol.
    Caminhou por espaço de três horas, fazendo paradas amiúde até chegar a uma rústica vivenda, de páu a pique, coberta de folhas de zinco. Além, outras menores, porém no mesmo estilo. Era o barracão, eram as barracas dos trabalhadores.
    Vitorino teve um arrepio de pavor. Não via a floresta amazônica mas julgava a secura do lugar, seu afastamento dos povoados, a recordação de qe iria iniciar pela écima quinta vez o mesmo gênero de vida; de que ia por-se em contacto com a mesma espécie de indivíduos.
    E tudo lhe amargurou a alma na previsão sinistra de um desenlace de tragédia!
    Parou, teve ímpetos de recuar, de voltar, porém a necessidade de viver o levou adiante. Chegou-se, olhou por uma janela aberta: um cabrocha adolescente ressonava com estrondo, estirado numa rede armada na abertura do ângulo de enxames que constituíam as paredes. Eis a única pssoa li existente naquela hora.
    Vitorino falou, o outro despertou envergonhado, respondeu algumas palavras, abriu a porta ao recém-vindo cuja fisionomia indicava visível desgosto pr aquela espécie de presídio.
    No dia seguinte vários caminhões trouxeram as primeiras mercadorias, aparecendo ao cair da noite a primeira turma de compradores. Vitorino despachava, enquanto o cabrocha, seu auxiliar, lhe preparava a refeição do dia.
    (O Barracão, Capítulo I)


     

  • » MEDEIROS FILHO, SOLON
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    Nasceu em Patos, a 13 de dezembro de 1934, filho de Solon da Cunha Medeiros e Adyles Dinoá Medeiros. Fez os estudos primários em Patos, matriculando-se, depois, no Ginásio Diocesano de Patos, onde cursou os estudos ginasiais. O curso colegial foi realizado em Recife. Aprovado no Concurso Vestibular, matriculou-se na Escola de Engenharia da Universidade do Recife, diplomando-se em Engenharia Elétrica, em 1961. é, também, Bacharel em Matemática. Ingressou, posteriormente, no quadro docente do Curso de Engenharia da Universidade Federal de Pernambuco, lecionando a disciplina Medidas Elétricas. é funcionário da Companhia de Eletricidade de Pernambuco (Celpe). Fez estágios em Paris, junto à Eletricité de France; na Suíça, junto à Lanfis & Gyr; e na Hungria. Publicou: Medição de energia elétrica, já em terceira edição, pela Editora Guanabara; Fundamentos de medidas elétricas, já em segunda edição, pela mesma Editora; Problemas de eletricidade, também em segunda edição. Participou de vários congressos sobre eletricidade, no Brasil, na Argentina e na Colômbia, onde proferiu conferências. é casado com Miriam Valença de Medeiros, tendo filhos e netos.

    BIBILOGRAFIA


    Medição de energia elétrica;

    Fundamentos de medidas elétricas;

    Problemas de eletricidade<.STRONG


     

  • » MEDEIROS, MARTINHO DINOÁ
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    Nasceu em Patos, a 9 de janeiro de 1932, filho de Solon da Cunha Medeiros e Adyles Dinoá Medeiros. Fez os estudos primários e ginasiais em Patos. Em 1951 passou a residir em Campina Grande, onde fez os estudos de 2º grau, concluindo o curso de contabilidade, no Colégio Alfredo Dantas. Graduou-se em Economia, pela Faculdade de Ciências Econômicas de Campina Grande, fazendo, em seguida, o Curso de Aperfeiçoamento de Economistas e Sociólogos da Paraíba (CAESP). Professor da Universidade Federal da Paraíba, leciona no Curso de Economia. Durante vários anos prestou serviços a empresas privadas, em Campina Grande, tendo exercido o cargo de Secretário das Finanças daquele Município. Dedica-se a pesquisas genealógicas e históricas, sendo membro do Instituto Genealógico Brasileiro, de São Paulo. Casou-se em primeiras núpcias com Maria Saly de Vasconcelos, de quem é divorciado e com quem teve quatro filhos, e, em segundas núpcias, com Dilza Tavares Borba Medeiros. Em parceria com seu irmão Tarcísio Dinoá Medeiros, escreveu Ramificações genealógicas do cariri paraibano.


     

  • » MEDEIROS, TARCÍSIO DINOÁ
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    Nasceu em Patos, a 4 de agosto de 1939, filho de Solon da Cunha Medeiros e Adyles Dinoá Medeiros. Fez os estudos primários, em Patos, freqüentando, posteriormente, os Seminários de João Pessoa e Natal. Em continuação aos estudos feitos nesses Seminários, foi monge do Mosteiro Cisterciense de Santa Cruz, em Itaporanga (SE). Deixando os estudos eclesiásticos, fez o curso de Economia Ingressando na categoria de Auditor- Fiscal do Tesouro Nacional, exerceu sua primeita atividade em Boa Vista. Transferido para o Amazonas, lá foi Agente da Receita Federal e, posteriormente, Delegado da Receita Federal. Removido para a Secretaria da Receita Federal, em Brasília, foi Chefe de Divisão, Chefe de Gabiente e Coordenador de Sistema. Professor da Escola de Administração Fazendária - ESAF - publicou pela editora dessa Escola (1983), o livro Tributos, obrigações e penalidades pecuniárias de Portugal antigo, em co-autoria com José Eduardo Pimentel de Godoy. é membro do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal e do Instituto Genealógico Brasileiro, de São Paulo. Representou o Brasil junto ao CIAT - Centro Interamericano de Administradores Tributários - e em reuniões técnicas em Caracas (1977), Buenos Aires (1978) e em Tóquio (1978). Nesta última apresentou um trabalho no Seminar on Tax Administration. Delegado do Brasil no Conseil de Coopération Douanière, sediado em Bruxelas, (1981) e no mesmo ano enviado para visita ao Bildungszentrum der Bundesfinanzverhaltung, em Sigmaringem, na República Federal da Alemanha. Em 1984, convidado do governo alemão, visitou a administração tributária federal da Baixa Saxônia e Baviera. Dedica-se aos estudos genealógicos, tendo publicado com seu irmão, Martinho Dinoá Medeiros, um alentado estudo sobre as famílias do cariri paraibano.

    BIBILOGRAFIA

    Em busca do ritmo, Breve memória da Ilha dos Esquecidos e dos usos e costumes de sua gente (Gráfica Editora Camargo Soares Ltda., 1989, São Paulo)

    Freguesia do Cariri de Fora (Gráfica Editora Camargo Soares Ltda., 1990, São Paulo)

    Ramificações genealógicas do cariri paraibano, (CEGRAF, 1989, Brasília), em parceria com seu irmão, Martinho Dinoá Medeiros.


     

  • » MEDEIROS, WANDECY
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    Wandecy Medeiros nasceu em Paulista, Paraíba, no dia 20 de dezembro de 1974, filho de Atêncio Félix da Silva e Severina de Medeiros Silva. Reside em Patos desde criança. Estudou em escolas públicas e sempre gostou de redações e literatura. Em 1995, fundou o Grupo Teatral Brigando e Pedindo Paz e durante um ano atuou como diretor e ator. Escreveu a peça "Eu Duvido Você Não Sorrir" e conseguiu relativo sucesso nas apresentações que fez. Nesse período, além do palco, Wandecy Medeiros também escrevia peças teatrais para outros grupos, compunha músicas, cordéis e poesias. Em 1996, por convite do jornalista Marcos Nogueira, começa a escrever para o jornal O Sertão. Seus artigos tiveram muita aceitação e fez de Wandecy Medeiros um nome conhecido entre os intelectuais da cidade. No mesmo ano, juntamente com outro escritor, Maurílio Campos, lança o folheto Dicas e Ofertas e o jornalzinho Feliz Natal, porém o maior sucesso da dupla viria em 1997, quando criaram o jornal Folha Patoense. Este jornal tornou-se um dos maiores veículos de comunicação na imprensa patoense e hoje continua em atividade, inclusive com uma versã on-line, que pode ser acessada através do endereço: http://www.openline.com.br/~fpatos. Em 1997 Wandecy Medeiros começa a fazer o programa Filosofia Musical na Itatiunga AM. Mais tarde muda o nome do programa para Filosofia Universal e tem tido grande audiência entre o público de rádio AM. Wandecy Medeiros lançou em 1998 o seu primeiro livro, Poesias para Deus e para o Coração. O livro busca o resgate dos valores do espírito e da moral e foi bem aceito pela crítica patoense. Nesse ano presta vestibular pela Fundação Francisco Mascarenhas e foi aprovado entre os primeiros colocados no curso de Licenciatura Plena em Letras.


     

  • » MEIRA, DORNÉLIO BARBOSA
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    Nasceu em Patos, aos 11 de julho de 1943, filho de Geminiano Gomes Meira e Eufrásia Barbosa Meira. Fez os estudos primários na Escola D. Fernando Gomes, em Patos, e os estudos ginasiais e secundários na Escola Agro-Técnica de Bananeiras. Graduou-se em Odontologia. Reside em João Pessoa. É autor dos livros “Cronologia do Pensamento” e “Gotas de Mel – Taça de Fel”, este lançado em 8 de janeiro de 2005. Pertence à Academia Paraibana de Poesia.


     

  • » MEIRA, SANDRO
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    Nasceu em Patos, filho de Allyrio Meira Wanderley e Eulália de França. Graduado em Psicologia, é professor aposentado da Universidade Federal da Paraíba.


    BIBILOGRAFIA

    Água de chuva, chuva de verão (Poesias), s/e, 1986, João Pessoa.


    ANTOLOGIA

    Dicotomia

    Junto aos condenados
    à morte,
    põem um sacerdote.
    Nada obstante,
    junto aos condenados
    à vida,
    põem um sacerdote.
    Comemora-se.

    Feito de gente  num tempo e num espaço.
    Homem contra mulher,
    noite versus dia,
    branco contra preto,
    novo versus velho.

    Como se, diferentes,
    um, ao outro, dispensasse.
    Como se, indiferentes,
    sem o outro se passasse.

    Sombra ou réstia?
    Do ontem ou para o amanhã?
    Dejeto ou óstia?
    Exílio de Caim ou Canaã?

    Que teu gesto seja.
    Que tua palavra exprima.
    Que teu silêncio cale.
    Que tua ação transforme.


     Lápide

     Aqui vim a lume.
     Não fui consultado.
     Nunca reclamei.
       
     Gostaria de viver,
     arribar na seca,votar
     voltar com a chuva.


              (Água de chuva, chuva de verão, págs. 28 e 78)


     

  • » MONTEIRO, JOÃO DANTAS
  •  

    Nasceu em Patos, a 7 de maio de 1907. Jornalista e poeta, foi um dos fundadores da "Revista Centenária", que circulou em Campina Grande, em 1964. Segundo o verbete a ele correspondente, constante do "Dicionário Literário da Paraíba", "fortemente impregnada de matéria lírica, a poesia de João Dantas Monteiro se perfaz num clima de recordação, onde se incorporam os temas da infância, da paisagem sertaneja, das notas de amor, de saudade, solidão e sentimentos". Radicado em Campina Grande, faleceu a 23 de agosto de 1964.



    BIBILOGRAFIA

    Folhas de outono (Poesias), s/e, 1960, Campina Grande.

    Impressão de viagem. Excursão ao Tamarindo de Augusto dos Anjos , 1962.


     

  • » MOTA, EDIVALDO FERNANDES
  •  

    Nasceu em Patos, filho de Miguel Motta e Josefa Fernandes Motta. Fez os estudos primários e secundários em Patos, tendo sido aluno do Ginásio Diocesano de Patos. Ingressando na política, elegeu-se vereador à Câmara Municipal de Patos. Depois, eleito Deputado à Assembléia Legislativa da Paraíba, exerceu o mandato em sucessivas legislaturas. Em 1986, foi eleito Deputado Federal, pela legenda do PMDB, tomando parte na Assembléia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição Federal de 1988. Em 1990, foi reconduzido à Câmara dos Deputados, falecendo em 1993. Na Câmara, integrou a Comissão de Fiscalização e Controle.

    BIBILOGRAFIA

    Saudação ao Conselheiro Luiz Nunes Alves, em verso, Assembléia Legislativa da Paraíba, 1979, João Pessoa.

    Justificativa do Projeto de lei n. 77/81, da Assembléia Legislativa da Paraíba, que institui o Dia Estadual do Cantador de Viola e Poeta de Bancada e dá outras providências, Assembléia Legislativa da Paraíba, 1981, João Pessoa.

    A fala do povo, s/e, Brasília, 1989.


     

  • » NÓBREGA, ADHEMAR
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    Adhemar Alves da Nóbrega nasceu em Patos, a 13 de setembro de 1917. Iniciou os estudos primários em Patos, pelas mãos de sua genitora, D. Maria Ephigênia. Ainda menino, transferiu-se para João Pessoa, onde seus pais fixaram residência. Na capital paraibana, foi aluno do Lyceu Paraibano, ingressando, aos quinze anos, no jornal A UNIÃO, a princípio, como revisor e, depois, como repórter. Revelou-se, também ali, como articulista, cronista e crítico de cinema. Em João Pessoa, despertou Adhemar Nóbrega para a música, tornando-se aluno do Professor Gazzi de Sá, que exerceu grande atividade e influência entre os aficionados da música, na Paraíba. Com a vinda do casal Gazzi de Sá para o Rio de Janeiro, Adhemar Nóbrega assume a cadeira de Canto Orfeônico do Lyceu Paraibano, vaga com a ausência de D. Santinha Sá. Tempos depois presta concurso para o Banco do Brasil e é aprovado. Nomeado para a agência de Ilhéus, na Bahia, desiste do emprego, embarcando para o Rio de Janeiro. A instâncias, porém, de amigos, o Banco do Brasil relota-o em São Paulo, onde ele fixa residência até que, abandonando, definitivamente o emprego no BB, transfere-se para o Rio de Janeiro. Ingressa no Conservatório como extra-numerário, chance que não deixou escapar para alcançar aquela instituiç¸ão. Graças aos seus estudos e esforços, Adhemar Nóbrega consegue, depois, galgar o quadro de docentes daquela escola, tornando-se um grande amigo do Maestro Villa Lobos, de quem se torna, também, discípulo, colaborador e admirador. Foi no Conservatório que conheceu aquela que seria sua esposa, e colaboradora, Maria Milagros. Musicista, jornalista, escritor, poeta, crítico musical, Adhemar Nóbrega deixou inúmeros trabalhos nessas áreas, divulgados em jornais, revistas e plaquetas. Em 1971, publicou o livro "As bachianas brasileiras" e, em 1975, "Choros de Villa Lobos", ambos premiados. Membro da Academia Brasileira de Música, naquela instituição ocupou a cadeira nº 1, cujo patrono é José de Anchieta e cujo fundador foi Heitor Villa Lobos, a quem Adhemar Nóbrega sucedeu. Adhemar Nóbrega faleceu, no Rio de Janeiro, a 28 de dezembro de 1979.


    BIBILOGRAFIA


    As Bachianas Brasileiras de Villa Lobos. Rio de Janeiro, MEC/DAC/Museu Villa Lobos, 1971, ilust. 125p.

    Os Choros de Villa Lobos. Rio de Janeiro, MEC/DAC/Museu Villa Lobos, 1975, 138p.


     

  • » NÓBREGA, EVANDRO DANTAS DA
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    Nasceu em São Mamede (PB), município vizinho ao de Patos. Poucos dias após o nascimento, seus pais fixaram residência em Patos, de onde seu genitor é natural. Toda a sua infância e adolescência transcorreram, pois, nesta cidade. Daí julgar-se a si mesmo um autêntico "patoense da gema". Fez os estudos primários no Grupo Escolar Rio Branco e o curso secundário no Ginásio Diocesano de Patos, onde foi aluno do professor Manuel Messias do Nascimento e do Pe. Joaquim de Assis Ferreira. Com este último manteve inúmeras tertúlias literárias e filosóficas. Transferindo-se para João Pessoa, ingressou na Universidade Federal da Paraíba, por onde se graduou em História. Jornalista, atuou no jornal O NORTE, onde ainda se mantém, responsável, presentemente, pelo caderno de informática. Realizou estágios em jornais dos Estados Unidos. Dedica-se ao cultivo de idiomas estrangeiros. Ficcionista, publicou, recentemente, A glândula pineal do urubu, que ele próprio classificou de "conto quase novela" ou que ele mesmo chamou de "gospel fiction".


    BIBILOGRAFIA


    A glândula pineal do urubu, A União Editora, 1994, João Pessoa.


     

  • » NÓBREGA, GERALDA DE MEDEIROS
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    Nasceu no sítio Trapiá, Município de Pombal, filha de Artur Marcelino de Medeiros e Elisa Maria da Conceição. Aos quatro anos, radicou-se em São José de Espinharas, onde seus pais passaram a residir e onde ela fez o curso primário. Os estudos ginasiais e colegiais (pedagógicos) foram realizados no Ginásio Cristo Rei, em Patos. Em 1970, prestou concurso vestibular na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Patos, em cujo curso de Letras se matriculou após sua aprovação no Vestibular, colando grau em 1973. Posteriormente, realizou curso de Especialização em "Língua e Linguística", pela Fundação Universidade Regional do Nordeste. Em maio de 1992, obteve o grau de Mestre em Letras, pela Universidade Federal da Paraíba, apresentando dissertação perante banca examinadora constituída pelas professoras Sônia Maria Van Dijck Lima (Orientadora), Idellete Fonseca Muzart e Maria do Socorro Silva Aragão. Em junho de 1996, obteve o título de Doutora em Letras, pela mesma Universidade, defendendo tese perante ilustrada banca examinadora, composta das professoras Sônia Maria Van Dijck Lima (Orientadora), Maria do Socorro Silva Aragão, Elizalva de Fátima Madruga, Maria da Glória Bordini (UFRGS) e Constância Lima Duarte (UFRN). Suas áreas de interesse englobam estudos de crítica genética, cultura e literatura popular, e a obra de Hermilo Borba Filho. Tendo se dedicado ao magistério, lecionou nos seguintes estabelecimentos: Ginásio Cristo Rei, Colégio Comercial Roberto Simonsen, Colégio Estadual e Colégio Diocesano, todos da cidade de Patos. Após graduar-se, ingressou no magistério superior, tendo lecionado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Patos, no curso de Letras da Universidade Federal da Paraíba (Campus V, em Cajazeiras). Atualmente, é Professora Visitante da UEPB. Muitos de seus artigos se acham publicados em jornais e revistas especializadas.

    BIBILOGRAFIA

    Poética de uma linguagem proibida: Reflexões sobre uma vertente da ficção de Hermilo Borba Filho. João Pessoa. 1992. UFPB. (Mimeo).

    Percurso literário de uma cultura de resistência João Pessoa. UFPB. 1996. (Mimeo)


     

  • » NÓBREGA, JOÃO NORBERTO DA
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    Nasceu em Patos, a 6 de junho de 1886, filho do Alferes Severino da Costa Machado (Alferes Costinha) e de Iluminata da Costa Machado. Autodidata, curso apenas o primário mas tornou-se professor de primeiras letras e professor de música. O maestro José Siqueira, internacionalmente conhecido, foi seu aluno, quando residiu em Patos, tocando na banda de música local. Homem de múltiplos talentos, João Norberto foi membro da banda de música local, poeta, gramático, inventor. Idealizou uma máquina com a qual poderia o homem voar. Na época em que realizava as experiêcias com seu invento, o fato alcançou larga repercussão na imprensa. Um jornal da Capital publicou em manchete: "Revive nas Espinharas o velho sonho de Ícaro". Morreu, contudo, sem alcançar a concretização de seu invento, cujos prinípios jamais revelou. Quando de sua morte, em São Paulo, em 1969, o escritor Otacílio Nóbrega de Queiroz escreveu longa reportagem no Diário de Pernambuco, do Recife, na qual revela que João Norberto tinha "vocação boêmia" e era "exímio tocador de violão e cantador de modas, de réquiens e de missas solenes na igreja do torrão natal". Segundo o autor de "O homem gordo do Tauá", a grande dedicação de João Norberto da Nóbrega era o violão, a gramática, o verso rimado, a oratória, a quimera e o sonho". No ítimo diz Otacílio Queiroz era ele apenas bondade, ingenuidade, um lírico-sentimental por toda a vida, com a devoção deslumbrada por grandes oradores e poetas nacionais de sua distante época.

    BIBILOGRAFIA

    Cérebro e coração, Tip. São José, 1938, Patos.

    Como se fala o português, Tipografia Cantuária, 1927, Patos.

    Gramática sem mestre, s/e, s/d, s/l.

    Luz da infância, Tip. São José, 1934, Patos.

    Pátria e heróis, s/e, s/d, s/l.

    Zé Espera, Parahyba, Popular Editora, 1927.


     

  • » NÓBREGA, JOÃO RICARDO SOARES
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    Nasceu em Patos, em 1 de outubro de 1985, filho de Julávio Machado Nóbrega e Maria de Fátima Soares Nóbrega. Iniciou seus estudos na cidade natal, no Colégio Gente Inocente, demonstrando, desde então, seus pendores para a literatura e as artes. Participou, em 1995 de um recital levado a efeito pela Fundação Ernani Sátyro, em homenagem ao seu patrono, ocasião em que teve ensejo de declamar uma das produções poéticas ("Aspiração") do saudoso escritor patoense. Em meados de 1996, com a transferência de seus pais para João Pessoa, matriculou-se no Colégio PhD, onde freqüenta, atualmente, a 6a. Série do primeiro grau. Gosta de ler, de esportes e de xadrez. Em 1997, com apenas 12 anos, estimulado pelos mestres, compôs uma série de fábulas, que reuniu em um pequeno livro intitulado Minhas Fábulas..


    BIBILOGRAFIA

    Minhas Fábulas - s/e, s/d, s/l

    ANTOLOGIA

    O macaco curioso


    Acabara de chegar na floresta um macaco muito metido e curioso, de nome Zé Olhão. Ele vivia nos galhos dos outros macacos, olhando tudo o que eles faziam. Nenhum macaco escapava. Zé Olhão sempre se intrometia na vida de todo o mundo.
    Chegou o dia da colheia e todos os macacos, inclusive Zé Olhão, foram para as plantações de banana colher os alimentos deles. Quando acabou a colheira, Zé Olhão foi rapidamente ao seu galhos deixar as bananas, para voltar a rotina de curioso.
    Ele ficou tanto tempo olhando os outros macacos que se desligou das suas bananas. Existia nessa floresta um macaco sabido, de nome Nildo, que logo ficou cobiçando as bananas de Zé Olhão, que estavam sozinhas no galho. Nildo aproveitou a ausência de Zé Olhão, deu o bote nas bananas e fugiu.
    Zé Olhão começou a sentir fome e correu para comer as bananas que colhera anteriormente. Quando chegou ao seu galho, teve uma surpresa: não tinha nem as cascas das bananas.
    E, assim, ele passou o resto do dia com fome.

    Moral: "Cada macaco no seu galho".


     

  • » NÓBREGA, JOSÉ CLAUDINO DA
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    Nasceu em Patos, a 12 de setembro de 1909. Iniciou os estudos primários na cidade natal e completou-os no Rio de Janeiro, para onde se transferiu, em 1921. Em 1924, prestou exame para o Colégio Pedro II, perante uma banca examinadora da qual participaram, entre outros, os professores José Oiticica, Arthur Thiré e João Ribeiro. Aprovado com média 8,5, matriculou-se naquele estabelecimento em março do mesmo ano. Ali foi aluno, dentre outros, dos professores José Júlio da Silva Ramos e Hanneman Guimarães. Premido por dificuldades, vê-se obrigado a voltar para o seu Estado. Na Paraíba, faz o curso de Comércio, regressando, depois, ao Rio de Janeiro, onde passa a trabalhar em um escritório de engenharia. Em 1932, transfere-se para São Paulo. Em 1943, radicado em Santos, trabalha para o conhecido antiquário Antônio Frutuoso Amaro. A serviço deste viaja por todo o território nacional, à procura de antigüidades. Em 1946, por orientação daquele antiquário, fixa residêcia em Santa Catarina, dedicado ao mesmo ramo. Ali permanece por doze anos, voltando a São Paulo em 1958. Permanecendo no comércio de antigüidades, instala uma galeria de artes, na Rua Matias Aires. Colaborou no Boletim da Sociarte. Pertenceu à Sociedade dos Amigos da Arte de São Paulo, à Sociedade Numismática Brasileira, Brasileira, à Associaç&atildeo Brasileira de antiquários, à Associação dos Antiquários do Estado de São Paulo e ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Ao tomar posse no IHGSP, em 15 de julho de 1987, foi saudado pelo historiador Duílio Crispim Farina. Na ocasião o novo membro do IHGSP pronunciou discurso com o qual dissertou sobre a figura de álvaro da Veiga Coimbra, antigo membro daquela instituição. José Claudino da Nóbrega publicou um livro de reminiscências, intitulado Memórias de um viajante antiquário, no qual narra as suas viagens e excursões por todo o Brasil, no exercício das atividades de antiquário, adquirindo peças antigas para comercialização.


     

  • » NÓBREGA, OSMUNDO WANDERLEY DA
  •  

    Nasceu em Patos, a 8 de dezembro de 1904, filho de José Epaminondas da Nóbrega e Elvira Wanderley da Nóbrega. Graduou-se em Direito pela Universidade do Rio de Janeiro, em 1932. Fixando residência em Santa Catarina, foi Promotor Público de Araranguá e Blumenau. Ingressando na magistratura daquele Estado, foi Juiz de Direito das Comarcas de Caçador, São Bento do Sul, Tijucas e Florianópolis. Nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, foi seu Presidente, de 2 de janeiro de 1958 a 2 de janeiro de 1960, e também integrou o Tribunal Regional Eleitoral do mesmo Estado. No magistério superior, foi professor catedrático de Direito Civil, da antiga Faculdade de Direito de Santa Catarina.


    BIBILOGRAFIA


    Servidão industrial, 1952.

    Posse de bens públicos, 1955.


     

  • » OLIVEIRA, EXPEDITO EDUARDO DE (D.)
  •  

    Nasceu em Pacatuba, Estado do Ceará, em 8 de janeiro de 1910, filho de Alfredo Augusto de Oliveira e Elvira Eduardo de Oliveira. Ingressou no Seminário de Fortaleza em fevereiro de 1924. Exerceu as funções de Vigário das Paróquias de São Gerardo e de Nossa Senhora do Carmo, em Fortaleza. Foi Pró-Vigário Geral e Administrador-tesoureiro dos Patrimônios de São José e de Nossa Senhora do Rosário, e Capelão do Ginásio Nossa Senhora de Lourdes, em Fortaleza. De 1951 a 1953 foi Vigário Ecônomo da Catedral de Fortaleza. A 1º de outubro deste ano foi eleito Bispo Titular de Barca e Auxiliar do Arcebispo D. Antônio de Almeida Lustosa, sendo sagrado em 13 de dezembro do mesmo ano. Em 7 de março de 1959, foi nomeado 1º Bispo da recém criada diocese de Patos, tomando posse em 12 de julho de 1959, em solenidade presidida pelo Excelentíssimo Núncio Apostólico, D. Armando Lombardi. é autor de diversas Cartas Pastorais, inclusive aquelas dirigidas aos seus diocesanos de Patos. Sempre demonstrou pendor para a atividade teatral, chegando a formar, em Patos, um grupo de teatro, ao qual pretendeu confiar a interpretação de várias peças. Faleceu a 8 de maio de 1993, tendo sido sepultado na Catedral de Nossa Senhora da Guia, em Patos.

    BIBILOGRAFIA

    Carta Pastoral sobre o futuro Seminário Diocesano Patos-Paraíba, Imprensa Oficial, 1960, Fortaleza.


     

  • » OLIVEIRA, TEREZINHA SOARES DE
  •  

    Nasceu em Patos, filha de Sebastião Soares do Nascimento e Corina Soares de Oliveira. Fez os estudos primários e secundários na cidade natal. Graduou-se em Letras, fazendo, em seguida, o curso de Mestrado, com área de concentração em Literatura Brasileira. A defesa da dissertaço, necessária à concessão do respectivo grau, foi feita perante banca examinadora composta pelos Professores Idelette Muzart Fonseca dos Santos (Orientadora), Roberto Emerson Benjamim e Maria do Socorro S. de Aragão.

    BIBILOGRAFIA

    Romanceiro/Cancioneiro de Patos, (2 tomos), 1986, João Pessoa.


     

  • » PALMEIRA, BALILA
  •  

    Maria Balila Palmeira nasceu em Patos, filha de José da Costa Palmeira e Leontina Xavier de Melo Palmeira. Fez os estudos primários e ginasiais no Colégio Cristo Rei. Ali também fez o curso pedagógico. Transferindo-se para João Pessoa, teve oportunidade de prosseguir sua formação pedagógica, diplomando-se em Pedagogia, pelo Centro de Educação da UFPb. Frequüentou diversos cursos de especialização e aperfeiçoamento, inclusive o Curso da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, em João Pessoa, turma de 1984. Tem participado de inúmeros eventos de caráter cultural. Aluna da Aliança Francesa, compareceu a encontros, seminários e congressos relacionados com o ensino daquele idioma. Pertence à União Brasileira de Escritores, à Associação Paraibana de Imprensa, à Associação Nacional de Professores de História, ao Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica. Integra a Academia Paraibana de Poesia, ocupando a Cadeira de nº 8, que tem como patrono a poetisa Olivina Olívia Carneiro da Cunha. Membro do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, ocupa ali a Cadeira 19, que tem como patrono o jornalista José Leal. Recentemente tem intensificado suas pesquisas, levantando, juntamente com sua filha Messina Palmeira Dias a história da Caixa Econômica Federal na Paraíba e do bairro do Miramar, na capital paraibana.

    BIBILOGRAFIA

    Devaneios , s/e, 1980, s/l.

    A menina e a boneca (romance), Almeida Gráfica e Editora Ltda., 1981, João Pessoa.

    Barão do Abiahy, sua vida, sua obra, seus descendentes, s/e, 1986, João Pessoa.

    Infinito e poesia, s/e, 1987, s/l.

    Maria Eudócia de Queiroz Fernandes - Uma educadora - Um exemplo de vida.

    História da Caixa Econômica Federal na Paraíba, s/e, 1996, s/l.

    Bairro do Miramar, sua história, seus moradores, s/e, 1997, João Pessoa.


     

  • » PEREIRA, JOS
  •  

    Cantador nascido em Patos, em 1922, e radicado em Fortaleza (CE).


     

  • » PEREIRA, MANOEL
  •  

    Cantador nascido em Patos, em 1903. Residiu em Campina Grande, onde exerceu a profissão de barbeiro e onde faleceu.


     

  • » PEREIRA SOBRINHO, MANUEL
  •  

    Nasceu em Patos, a 8 de agosto de 1908. Fixando residência em Campina Grande, onde montou uma gráfica, de 1948 a 1956, conforme noticia átila Almeida. Em 1958, transferiu-se para São Paulo. Colhe-se do Dicionário Bio-bibliográfico de Repentistas e Poetas de Bancada que a sua produção de cordel é vasta, quase toda de romances. Segundo átila Almeida, "Manuel Pereira dizia o que pensava ou o que pensava o povo, sem rebuços, e daí ter conquistado inimizades".


    BIBLIOGRAFIA


    A afilhada da Virgem da Conceição

    Afirma o deputado Elpídio de Almeida, desmascarando o mentiroso Plínio Lemos

    Arlindo, a fera homicida e os mortos de Gravatá

    A caboclinha da gruta

    O cachorro Toni

    A casa branca da serra ou A princesa da fonte

    O castelo do homem sem alma

    A chegada de Noca no forró de Limoeiro

    Chicuca o professor dos ladrões

    O conde de Salvaterra


     

  • » PERIGO, SEVERINO
  •  

    Nasceu em Patos, entre 1875 e 1880. Cantador, era pedreiro de profissão. Falecido.


     

  • » PIRAUÁ, SILVINO
  •  

    Silvino Pirauá de Lima nasceu em Patos, no ano de 1848 e faleceu em Bezerros (PE), em 1923. Cantador e poeta popular. Foi tido como o discípulo amado de Romano do Teixeira, o célebre cantador que travou com Inácio da Catingueira legendária peleja, no mercado da então Vila dos Patos, no ano de 1890. Ao lado de Ugolino Nunes da Costa e Romano Caluete, seu mestre, Silvino é considerado um dos maiores nomes da poesia popular nordestina. Juntamente com Leandro Gomes de Barros, é tido como um dos criadores da literatura de folhetos. Segundo consta do Dicionário Literário da Paraíba, Silvino Pirauá, além de bom improvisador e glosador, introduziu várias inovações formais na poesia popular. Tendo aprendido a cantar no tempo das cantorias em quatro linhas (quadra), é um dos primeiros a usar a sextilha que abre novas possibilidades de criação poética. Silvino é tido, também, como o criador do "martelo agalopado", cantado em ritmo acelerado. É autor de uma das várias versões que se conhecem da peleja de Romano do Teixeira com Inácio da Catingueira. Lê-se no Dicionário Literário da Paraíba: "Os romances de Pirauá estão, há quase um século, entre os preferidos do leitor de folhetos". Três produções de Silvino Pirauá podem ser vistas no Jornal de Poesia http://www.revista.agulha.nom.br/poesia.html


     

  • » PONTES, CESÁRIO JOSÉ DE
  •  

    Nasceu em Patos, em 1875 e ali faleceu, em 1947. Cantador. Cegou aos sete anos de idade. Por isso era conhecido por Cesário Cego. Dele se conhecem algumas estrofes, inseridas no Dicionário de átila Almeida. Tendo sido convidado por José Monteiro para, juntos, cantarem uma missa, na qual seria ele o acólito, Cesário respondeu:

    José Monteiro, uma missa
    Cantada por mim e tu,
    é massa, em vez de farinha,
    Pra comer com feião cru;
    é fazer do altar um forno
    E da hóstia um beiju!

    Há uma outra versão dessa composiç&atildeo, considerada por átila Almeida como a verdadeira e assim concebida:

    Meu camarada, uma missa
    Cantada por eu e tu
    é uma casa de farinha
    Feita de tijolo cru
    Onde o altar é o forno
    E a hóstia é o beiju.


    Quando alguém lhe deu por esmola uma moeda de 40 réis fora de cirulação, Cesário reclamou:


    Quem só tiver dois vinténs
    Por favor deixe no bolso,
    Ou então fure no meio
    E passe um cordão bem grosso,
    Dê um nó nas duas pontas
    E pendure no pescoço!


     

  • » PRETO, MANOEL
  •  

    Rodrigues de Carvalho, em seu Cancioneiro do Norte, o dá como nascido em Patos. Dele se conhece a estrofe seguinte, resultante das experiências que colheu de suas caminhadas mundo afora, com a viola a tira-colo:


    Saí a enganar o mundo
    Cuidei que o mundo era meu,
    O mundo tem muitos donos
    Só enganado fui eu.


     

  • » QUEIROZ, OCTACÍLIO NÓBREGA DE
  •  

    Nasceu em Patos, a 31 de agosto de 1913, filho de Bertino Eudócio de Queiroz e Emerentina Nóbrega de Queiroz. Fez os estudos primários em Patos e os secundários e preparatórios no Liceu Paraibano, matriculando-se, em seguida, na Faculdade de Direito do Recife, por onde se bacharelou, no ano de 1943. Atuou no jornalismo profissional, destacadamente no DIÁRIO DE PERNAMBUCO, do Recife, do qual foi Redator e em A UNIÃO, da capital paraibana, do qual foi Diretor. Deputado à Assembléia Estadual Constituinte de 1947, ingressou no Ministério Público, licenciando-se para o exercício de vários cargos na administração estadual. Professor universitário, foi afastado desta função, quando do movimento militar de 1964, tendo sido, porém, reintegrado em face da promulgação da lei de anistia. Candidato a deputado federal e obtendo a primeira suplência em seu partido, logrou assumir, definitivamente, um lugar na Câmara dos Deputados, com o falecimento do Deputado Janduí Carneiro. Na legislatura seguinte reelegeu-se à mesma casa legislativa. Na outra legislatura, não mais sendo reconduzido à Câmara dos Deputados, abandonou a política, permanecendo em Brasília. Publicou O homem gordo do Tauá, (Imprensa Universitária, 1968, João Pessoa), trabalho premiado em concurso instituído pela Universidade Federal da Paraíba, para comemorar o centenário de nascimento do folclorista José Rodrigues de Carvalho, em 1968. Conhecido como polemista, é autor de uma vasta colaboração na imprensa pernambucana e paraibana, abordando, sobretudo, literatura, economia, sociologia, geografia, história etc. Pertence ao Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP).

    BIBLIOGRAFIA

    O Cardeal Mindszenty e o espírito anti-religioso, Departamento de Publicidade, 1949, João Pessoa.

    O homem gordo do Tauá, Imprensa Universitária, 1968, João Pessoa.

    Nordeste e energia solar, Câmara dos Deputados, 1975, Brasília.

    De um e outros juízes, Câmara dos Deputados, 1976, Brasília.

    Uma voz no plenário, Câmara dos Deputados, 1976,Brasília.

    Weber e a política nacional, Câmara dos Deputados, 1976, Brasília.

    Código de águas e outros dizeres, Câmara dos Deputados, 1977. Brasiília.

    Nomes, política debates, Câmara dos Deputados, 1977, Brasília.

    Federação, Câmara dos Deputados,1980, Brasília.

    Discursos regionais e memória de nomes, Câmara dos Deputados, 1981, Brasília.


     

  • » QUEIROZ, RONALD
  •  

    Ronald de Queiroz Fernandes nasceu em Patos, a 20 de janeiro de 1932, filho de Otávio Fernandes e Maria Eudócia de Queiroz Fernandes, uma veneranda professora de muitas gerações na cidade de Patos. Fez os estudos primários e ginasiais na cidade natal, concluindo estes últimos em 1946, no antigo Ginásio Diocesano de Patos, dirigido pelo conhecido educador católico, Monsenhor Manuel Vieira. Após ultimar o curso colegial, ingressou na Faculdade de Direito do Recife, por onde obteve o grau de Bacharel em Direito, no ano de 1957. Fez cursos de aperfeiçoamento na Escola Brasileira de Administração Pública, da Fundação Getúlio Vargas, no Instituto Brasileiro de Administração Municipal e na School of Public Administration da Universidade de Denver, Colorado, Estados Unidos. Foi Secretário da Prefeitura, Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Patos. Transferindo-se para a Capital do Estado, foi redator de "A União", jornal oficial, Diretor Geral do Departamento de Serviço Público e Secretário do Conselho Estadual de Desenvolvimento do Estado da Paraíba. Professor da Universidade Federal da Paraíba, dela e do serviço público viu-se afastado pelo movimento militar de 1964. Com o retorno pleno do regime democr&atico, foi reintegrado à Universidade, tendo pleiteado o cargo de Reitor da instituição, quando da consulta feita à comunidade acadâmica, em 1988, ocasi&atildeo em que, juntamente com o Professor Telmo Araújo, candidato a vice-reitor, lançou a Carta Programa intitulada "Por uma Universidade democrática, criativa e competente". Foi Diretor da COBAL. No Governo de Antônio Mariz exerceu as funções de Chefe da Casa Civil e no Governo José Maranhão ocupa o cargo de Secretário da Indústria e Comércio.

    BIBLIOGRAFIA

    Por uma Universidade democrática, criativa e competente, 1988.


     

  • » QUEIROZ, TELMA CORRÊA DA NÓBREGA
  •  

    Nasceu em Patos, filha de Lauro Nóbrega de Queiroz e Avani Corrêa Pinto Queiroz. Fez os estudos primários e ginasiais no Ginásio Cristo Rei, em Patos, e o curso colegial em João Pessoa. Em 1970, ingressou na Universidade Federal de Pernambuco, colando grau em Medicina, no ano de 1970. Durante a realização do curso fez estágios no Instituto de Psiquiatria do Recife, Hospital de Alienados da Tamarineira e Hospital da Restauração. Após concluir o curso de Medicina, prestou serviços no antigo INPS, em João Pessoa; Sanatório Clifford, também na Capital paraibana, Centro de Saúde Gutemberg Botelho, vincunlado à Secretaria da Saúde do Estado da Paraíba e Centro de Dependências e Toxicomanias do Estado da Paraíba. No final dos anos 70, realizou com aproveitamento diversos estágios e cursos de aperfeiçoamento, especialização e pós-graudação na França, tendo sido aluna dos professores doutores G. Daumenzon, Lanteri-Laura e Benoît, além do professor Jacques Lacan. Estudou no Hospital Henri Rousselle (Paris), no "Centre Hospitalier Spécialisé de Bourges (Serviço de adultos, chefiado pelo Dr. Secret), no "Centre Hospitalier Spécialisé de Fleury-les-Aubrais (Serviço de adultos, do Dr. Torrubia e Serviço de crianças do Dr. Boegner) e no "Centre Hospitalier de Chartres" (Serviço de crianças do Dr. Constant). Obteve o Certificado de Estudos Especiais, sob a orientação do Professor T. Lempérière, na U.E.R. Xavier Bichat-Université de Paris VII. Em 1993, foi aprovada em concurso público para Professor Auxiliar do Departamento de Medicina Interna, do Centro de Ciências da Saúde, da Universidade Federal da Paraíba.Tem participado de Congressos e seminários, no âmbito de sua especialidade, inclusive com a apresentação de trabalhos. Vários artigos de sua autoria se encontram publicados em jornais e revistas especializadas.

    BIBLIOGRAFIA


    Des difficultés diagnostiques de l'adolescence: Étude a propos d'un cas. (Mimeo) s/l, s/d, s/e.

    A propos d'un culte de possession afro-brésilien. (Mimeo) s/l, s/d, s/e.

    L'Automatisme Mental. Etude à propos d'un cas. (Mimeo) s/l, s/d, s/e.


     

  • » SÁ, ODILON NUNES DE
  •  

    Nasceu no lugar Riacho do Cipoacute;, município de Patos, em 8 de dezembro de 1900, filho de Celso Nunes de Sá e Maria Nunes de Sá, pequenos agricultores. Falecendo o pai, em 1913, assume Odilon o encargo de auxiliar a mãe no sustento da casa. Em 1920, começa a tocar concertina, com a qual anima as festas da redondeza. Em 1930, inspirado nos cantadores existentes na região, todos amigos da família, inicia sua carreira poética. Em 1937, tranfere-se para a Bahia. Ali trava famosa peleja com Manuel Campina, cantador baiano, por ele reproduzida em folheto. Em 1939, retorna à cidade natal, ali casando-se. Já manteve programas de rádio dedicados a cantorias, em diferentes emissoras, nas cidades de João Pessoa, Campina Grande e Patos. Segundo consta do Dicionário Literário da Paraíba, apesar da longa idade, "Odilon ainda impõe respeito nas cantorias que realiza. Embora tenha perdido grande parte de sua agilidade no manejo da viola, mostra-se ágil no repente, motivo pelo qual é considerado um dos grandes cantadores nordestinos". Reside em Patos, contando, atualmente, 96 anos de idade.

    BIBLIOGRAFIA

    Detalhes de um poeta, s/e, s/d, Patos.

    Vida, destino e sorte e outros poemas, Editora da UFPB, 1983, João Pessoa.

    Desafio do campo com a cidade

    A grandeza das plantas e o valor da criação


     

  • » SANTOS, SEBASTIÃO PEREIRA DOS
  •  

    Nasceu em Patos. Fixando residência em Campina Grande, ali vem publicando, anualmente, o Almanaque Apolo Norte. Informa átila Almeida que, por influência da numerologia, durante algum tempo adotou o nome Sebastilhão.

    BIBLIOGRAFIA

    A conquista da lua e as aventuras dos astronautas no vôo da Apolo 11

    Ida e volta à lua

    Homenagem póstuma ao inesquecível Ludugério e ao Atrópio

    O monstro que raptava moças e o milagre do Padre Cícero


     

  • » SÁTYRO, ERNANI
  •  

    Ernani Ayres Sátyro e Sousa nasceu em Patos, a 11 de setembro de 1911, filho de Miguel Sátyro e Sousa e Capitulina Ayres Sátyro e Sousa.

    Fez os estudos primários na terra natal, onde foi aluno da veneranda professora patoense Maria Nunes e dos professores Alfredo Lustosa Cabral, Severino Correia e Renato de Alencar. Ali foi discípulo também daquele que seria seu colega na Câmara dos Deputados, Rafael Correia de Oliveira. Em 1919 matriculou-se no Colégio Pio X, na Capital paraibana, que, à época chamava-se Parahyba. Naquele estabelecimento, dá início às suas atividades literárias, participando da Arcádia Literária, lá existente, e publicando na revista do Colégio o seu primeiro conto. Também naquela época manifestam-se os seus pendores políticos. Aluno do Lyceu Paraibano, costumava comparecer assiduamente à Assembléia Legislativa, para assistir às sessões diárias daquele colegiado. Como estudante, participou da campanha da Aliança Liberal, em 1929, tendo saudado, em nome de seus colegas, uma comitiva liberal que veio à Paraíba, em defesa das candidaturas de Getúlio Vargas e João Pessoa, à Presidência e Vice-Presidência da República, respectivamente. Em 1930, transferiu-se para o Recife, matriculando-se na antiga e tradicional Faculdade de Direito daquela Capital, por onde se bacharelou em 1933. Durante os tempos acadêmicos atuou na redação do Diário de Pernambuco e foi Presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade. Retornando à cidade natal, dedicou-se à advocacia e à política, elegendo-se deputado à Assembléia Constituinte da Paraíba, em 1934. Promulgada a Constituição de 1935, continuou como Deputado Estadual até 1937, quando foi implantado o Estado Novo, com a dissolução do Congresso Nacional e de todas as Assembléias Legislativas estaduais. Foi Chefe de Polícia e Prefeito da Capital paraibana. Com a redemocratização, voltou à atividade política, integrando a Assembléia Nacional Constituinte que elaborou a Carta Magna de 1946. Posteriormente, reelegeu-se, sucessivamente, deputado federal, exercendo essa representação até 1969, quando renunciou ao mandato para assumir um lugar no Superior Tribunal Militar. Aposentando-se desse cargo, foi eleito Governador da Paraíba, assumindo o posto em 15 de março de 1971 e nele permanecendo até 15 de março de 1975. Como Governador, realizou uma das mais profícuas administrações de que se tem notícia na Paraíba. Após deixar a chefia do Poder Executivo de seu Estado, exerceu, ainda, em dois períodos o cargo de Deputado Federal. Nessa fase, foi relator de importantes projetos, dentre os quais sobrelevam o de anistia aos implicados em questões políticas e o projeto do novo Código Civil que foi, com seu relatório e parecer, aprovado pela Câmara dos Deputados e remetido, em seguida, ao Senado Federal. Pertenceu à Academia Paraibana de Letras, ao Instituto Histórico de Geográfico Paraibano e à Academia de Letras de Campina Grande. Faleceu a 8 de maio de 1986, em Brasília, sendo ali sepultado. Em 1993, seus restos mortais foram trasladados para a sua cidade natal e colocados no mausoléu existente na casa em que nasceu e onde tem sede a Fundação Ernani Sátyro, instituição criada pelo Governo do Estado da Paraíba para dinamizar a cultura na região sertaneja e preservar a memória de seu patrono.


    Fundação Ernani Sátyro

    A estréia de Ernani Sátyro na literatura deu-se em 1954, com a publicação de seu romance O QUADRO-NEGRO, pela Editora José Olympio. O livro foi bem recebido pela crítica, dele se ocupando, em comentários de jornais, Olívio Montenegro, Adonias Filho, Temístocles Linhares, Adonias Filho, José Lins do Rego, Virgínius da Gama e Melo, Luiz Delgado, Nilo Pereira, Joel Pontes, Wilson Martins e outros. Em 1957, a mesma editora publicou o segundo romance de Ernani Sátyro, MARIANA, igualmente bem recepcionado pela crítica. Um terceiro romance, DIA DE SÃO JOSÉ, mantém-se ainda inédito, devendo ser publicado, brevemente, pela Fundação Ernani Sátyro. Poeta bissexto, na expressão de Manuel Bandeira, em cuja Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos estão incluídos dez poemas de sua autoria, Ernani Sátyro tornou-se "poeta contumaz", também na expressão de Manuel Bandeira, ao publicar em 1984 o livro de poesias intitulado O CANTO DO RETARDATÁRIO. Toda a obra de Ernani Sátyro está sendo reunida e publicada pela Fundação Ernani Sátyro.

    BIBLIOGRAFIA

    O novo conceito de legítima defesa, Tip. da Livraria Moderna, 1943, Campina Grande.

    O Quadro-Negro, Liv. José Olympio Editora, 1973, Rio de Janeiro, 2a Edição.

    Mariana, Liv. José Olympio Editora, 1957, Rio de Janeiro.

    O canto do retardatário, s/e, s/d, s/l.

    Carlos Dias Fernandes (Discurso de posse na Academia Paraibana de Letras, publicado juntamente com o discurso de saudação do Acadêmico Ivan Bichara Sobreira), A União Editora, 1964, s/l.

    Construir e humanizar (Discurso de posse no Governo do Estado da Paraíba e 1a. Mensagem à Assembléia Legislativa), s/e, 1971, s/l.

    Cadeira n. 1: Augusto dos Anjos (Discurso de saudação ao Acadêmico Humberto Nóbrega na Academia Paraibana de Letras, publicado juntamente com o discurso do empossando), Editora A União, 1971, s/l.

    Mensagens à Assembléia Legislativa 1973 e 1974, A União Companhia Editora, s/d, s/l.

    Direito Penal Militar e Segurança Nacional, s/e, 1977, Braília.

    José Américo O escritor e o estadista (In memoriam). (Discurso na Caˆmara dos Deputados, em homenagem a José Américo, publicado juntamente com os discursos pronunciados, na mesma ocasião pelos deputados Octacílio Nóbrega de Queiroz, Carneiro Arnaud e Flávio Marcílio), Câmara dos Deputados, 1980, Brasília)

    Código Civil (Projeto de Lei n. 634, de 1975) (Relatório aprovado pela Câmara dos Deputados), Câmara dos Deputados, 1982, Brasília.

    Uma voz do Nordeste para o Brasil (De volta à Câmara dos Deputados), Câmara dos Deputados; 1982, Brasiília.

    Argemiro de Figueiredo (Discurso em homenagem ao ex-Governador paraibano, publicado juntamente com o discurso do deputado Raimundo Asfora, pronunciado na mesma ocasião), Câmara dos Deputados, 1983, Brasília.

    Comissões Parlamentares de Inquérito (seus limites jurídicos e políticos) (Separata da Revista de Informação Legislativa, a. 20, n. 79, jul./set. 1983.

    Ernani contesta OAB e não concorda com emendas ao novo Código Civil, s/e, 1983, s/l. (Mimeo).

    Fatos e homens da vida pública brasileira, Câmara dos Deputados, 1983, Brasília.

    Mais um ano de atividade parlamentar, Câmara dos Deputados, 1983, Brasília.

    Presença no direito e na literatura, s/e, s/d, s/l. (Mimeo)

    Como se fossem memórias, Câmara dos Deputados, 1985, Brasília.

    De volta aos velhos caminhos, Câmara dos Deputados, 1985, Brasília.

    OBRAS COMPLETAS

    Grande é a vida, Fundação Ernani Sátyro, 1992, Patos.

    Retratos a bico de pena, Fundação Ernani Sátyro, 1992, Patos.

    Tradição e renovação, Fundação Ernani Sátyro, 1994, Patos.

    O Quadro-Negro (Romance), Fundação Ernani Sátyro, 1995, Patos, 3a. edição.

    Discursos acadêmicos, Fundação Ernani Sátyro, 1994

    Mariana (Romance), Fundação Ernani Sátyro, 1996, Patos, 2a. edição.

    ANTOLOGIA

    JUNHO

    Domingo, 3

    Enfim, eis-me de volta à cidade natal, com uma carta de bacharel, alguma literatura e nenhuma experiência.
    Poderia continuar aqui o diário que desde muitos anos venho escrevendo, com interrupções mais ou menos prolongadas, como acontece com todos os meus empreendimentos, Mas não quero. Para uma vida nova, uma encadernção também nova. Isto importa muito, por motivos que sinto interiormente, embora não os saiba explicar muito bem.
    Procurarei dizer as coisas tão simplesmente como as sinto. Nada de linguagem arrevezada e preciosa. Creio possuir, entre os poucos dons que a natureza me confiou, esse de escrever com naturalidade. Que depois se melhore a frade e corrija a gramática, endireite-se o pensamento, até onde ajudem as próprias forças, isso é até uma obrigação. Mas nada de exageros e tortura. O que vale é o que sai no primeiro impulso, sem artifícios e violências. Pensamento e forma são como corpo e alma. Só sabemos dizer o que realmente temos a dizer.
    Sei que às vezes me torno discursivo. Quero reagir, mas não há remédio. Existem impressões que nos habituamos a transmitir em tom de discurso, como há outras que só sabemos traduzir em voz baixa, quase sussurrando. E não é possível mudar, nesta altura da vida, o sentido de certas inclinações.
    Pelo meu gosto só falarei do essencial. Mas fica esclarecido, para evitar confusões, que o essencial muitas vezes se encontra nas pequenas coisas. Sou um sujeito exigente a este respeito. Só considero importante o que ocorre dentro de mim. Os acontecimentos lá fora, por mais extraordinários que eles sejam, não merecerão de minha pena os três pingos de uma reticência, se não repercutirem nos meus nervos e no meu sangue.
    Só não posso ser insensível à natureza. Em torno de suas oscilações também varia a nossa existência, numa terra em que os homens vivem de cara para cima, a consultar um céu mudo e engimático. Apenas acontece quero insistir nisto que mais do que esse espetáculo celeste me importam as pessoas, e nestas, principalmente, os retratos que me ficam cá dentro.
    Minha conversa será curta ou comprida, conforme as necessidades do espírito e o limite das energias físicas. Hoje, por exemplo, estou muito cansado da longa viagem que fiz a cavalo, para alcançar a cidadezinha do meu nascimento.
    É possível que amanhã volte mais lépido e disposto.
    Vou fazer o possível para que este diário não tenha o mesmo destino do outro, ou dos outros, que não passaram de tentativas. Não é que não goste do ofício. Gosto. É que sou volúvel para aquilo que me inspira paixão.
    Não valem as intenções. Vale apenas o que eu conseguir captar, para satisfação de minha sensibilidade. Até mesmo um diário ítimo deve ter preocupações de arte.
    Ou isso ou nada.
    (O Quadro-Negro, 3a. ed., págs. 59/60)

    ESPINHARAS, RIO DE MINHA INFÂNCIA

    (Fragmento)


    Todos cantam o seu rio
    O meu também vou cantar,
    Maior do que o Amazonas,
    Só menor do que o mar.
    ...........................................................
    Fala, meu rio, fala.
    Tuas nascentes vêm das mesmas serras molhadas pelos meus sonhos.
    Nas tuas águas já morri afogado,
    Mas aqui estou carregando-te nos meus braços,
    Com os olhos fechados
    Para não veres que estou chorando.
    Não quero que fiques triste e seco,
    Maltratado pelo sol,
    Tuas areias ardendo,
    Com o ventre generoso
    Perfurado de cacimbas,
    Sangrando água para todos.
    Quero que corra alegre e travesso
    Embora às vezes pensativo,
    Como naqueles dias
    Em que eu prometia fazer de nossa cidade a Capital do mundo,
    Sendo eu o rei
    E tu o oceano.
    Lembras as nossas conversas?
    Pois vai lembrando e falando,
    Mesmo quando não me ouvires mais.




    MÃE
     

    A meu irmão Firmino


    Este é o mais difícil dos poemas.
    E no entanto como ela era simples.
    Tão simples e natural.
    Que até parecia modelada, e n&atild; nascida.
    A sua impaciência era a pressa de servir.
    Os seus castigos eram uma de suas obediências a Deus.
    Quantas vezes, ao castigar, sorria.
    O marior elogio que te faço, ó Mãe,
    É dizer que tuas fraquezas eram mais fortes que minhas forças.
    Teus filhos foram muitos, mas são poucos.
    Tu os viste partir de um em um,
    Pequenos ou grandes.
    Tantas foram as mortes plantadas no teu coração
    E tamanha era a tua resignação diante de Deus,
    Que deste morada à Morte em tua casa.
    Trataste-a tão bem que ela se compadeceu de ti.
    E te levou antes de desfolhar as duas últimas pétalas.
    Só não se compadeceu a Morte, ao te levar,
    Foi das duas pélas
    Que ficaram
    A sangrar.


     (O canto do retardatário, págs. 83 e 113)


     

  • » SIMÕES, ANTÔNIO LIMA
  •  

    Nasceu em Patos, a 3 de maio de 1942. Fez o curso primário no Grupo Escolar Coriolano de Medeiros e no Grupo Escolar Rio Branco, ambos da cidade natal. Os estudos secundários foram realizados no Ginásio Diocesano de Patos e no Colégio Comercial Roberto Simonsen. Bacharelou-se em Direito pela Universidade Federal da Paraíba, tendo sido o orador de sua turma, que teve como paraninfo o Ministro Alcides Vieira Carneiro e como patrono o Ministro Ernani Sátyro. Ingressando no Banco do Estado da Paraíba PARAIBAN, em modesta função, galgou por seus próprios méritos o quadro de Advogados daquela instituição. Depois de ocupar outros cargos no serviço público, dedica-se, atualmente, à advocacia. Poeta, foi contemplado, em 1974, com o prêmio de Menção Honrosa, do Conselho Estadual de Cultura, pela publicação de seu livro de estréia. Foi amigo e admirador do saudoso poeta e homem público Raimundo Asfora, sobre quem escreveu um ensaio. Dono de prodigiosa memória, é capaz de reproduzir discursos proferidos por notáveis oradores paraibanos, tais como, Alcides Carneiro, Raimundo Asfora, Ernani Sátyro, José Américo de Almeida.




    BIBLIOGRAFIA

    Matinal (poesias), s/e, s/d, s/d, 2a. edição.

    Terraço cigano (poemas), A União Cia. Editora, s/d, João Pessoa.

    Toada de tangerino (poemas), s/e, s/d, s/l.

    Asfora, em noite e verso (Lances de vida e poesia), Grafset, 1989, s/l, 2a. edição. Asfora e os cantadores, JCMaster, s/d, João Pessoa.



    ANTOLOGIA



    Canto do Espinharas


    Infância à beira de um rio,
    um rio de cheias breves
    que se enfeitava de leves
    plumas de cristal macio.

    Rio de festa de criança,
    quando nos dias de cheia,
    sempre plantando esperança
    para quem plantou de meia.

    Furando tanta distância,
    poderosa em desafio,
    infância vivendo infância
    nas claras margens do rio

    Espinharas, legenda viva
    de todo menino pobre
    que transformava suas águas
    Em seu brinquedo mais nobre.



    Poema para uma tarde no porto



     Um pássaro
     Constrói na tarde um vôo
     E condecora a solidão do cais.

     E crescem as ondas
     Abertas em gritos
     Como um diálogo neutro.

     Já ouvi
     A história dos nautas
     Que habitam esse porto.

     Sempre às tardes
     O porto fica envolto
     Em lendas de búzios.

     (Matinal, págs. 19 e 35)


     

  • » SOUSA, JOSÉ ROMILDO DE
  •  

    Nasceu em Patos, a 23 de dezembro de 1951. filho de Otacílio Raimundo de Sousa e Maria das Neves de Sousa. Iniciou os estudos na Escola Dom Fernando Gomes e continuou-os no Colégio Estadual de Patos. Concluído o curso científico, fez vestibular para a Escola de Agronomia e Medicina Veterinária de Patos, onde graduou-se em agronomia. Desde cedo demonstrou pendores para a pesquisa histórica, reunindo grande acervo documental e fotográfico sobre a cidade de Patos. Por suas atividades culturais, já foi agraciado com vários prêmios, em louvor dessa sua atuação. É colaborador assíduo da imprensa local, escrevendo sobre assuntos ligados à história de sua cidade. É, também, sócio fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Patos, recentemente instalado.


    BIBLIOGRAFIA


    Patos do Majó Migué

    90 minutos: o álbum do futebol


     

  • » SOUTO, JOSÉ FERREIRA
  •  

    Nasceu em Patos, filho de Pedro Apolinário de Souto e Delfina Ferreira de Souto. Dedicou-se ao magistério, como professor da rede estadual de ensino e da Fundação Francisco Mascarenhas, em Patos.


    BIBLIOGRAFIA

    As damas que compõem a honra da sociedade

    Véu de serpentes


     

  • » TAVARES, HERMANO DE MEDEIROS FERREIRA
  •  

    Nasceu em Patos, a 13 de julho de 1941, filho de Arthur Ferreira Tavares e Elvira de Medeiros Ferreira Tavares. Fez os estudos primários no Grupo Escolar Rio Branco e os ginasiais no Ginásio Diocesano de Patos. Transferindo-se para o Recife, foi aluno do Colégio Padre Felix, onde fez o curso científico. Em 1960, prestou exame vestibular para o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), sendo aprovado e nele ingressando. Em 1964, graduou-se em engenharia eletrônica, por aquela instituição. Fez mestrado e doutorado na Universidade de Toulouse, França em 1966 e 1968. Trabalhou nas Universidades Federais da Paraíba e de Pernambuco, no ITA e na Escola de Engenharia de São Carlos (USP). Está na UNICAMP há 25 anos onde é professor titular da Faculdade de Engenharia Elétrica. Na administração acadêmica participou de diversos colegiados e comissões: foi Chefe de Departamento (três biênios), Coordenador de Pós-Graduação (dois biênios), Presidente da Associação de Docentes da UNICAMP e Diretor da Faculdade de Engenharia Elétrica (1 quadriênio). Foi também coordenador do CA de Engenharia Elétrica do CNPq de 78 a 80, membro do CA do acordo (França) CNPq-CEFI de 80 a 85, e coordenador do Comitê Técnico de Engenharia Elétrica da CAPES de 93 a 95. Atuou intensamente na Sociedade Brasileira de Automática, da qual foi Presidente de 87 a 89 e Chefe do CTA de 90 a 92. Em 1990 disputou a Reitoria da Universidade de Campinas. Em 30 anos lecionou mais de 120 disciplinas, orientou 7 trabalhos de iniciação científica, 23 teses de mestrado, 13 de doutorado e publicou cerca de 90 trabalhos científicos.


     

  • » TERTO, JOSÉ PAULINO
  •  

    Nome pelo qual, segundo informação de átila Almeida e José Alves Sobrinho, era conhecido o cantador José Paulino, natural de Patos, assassinado em 1910. Era cego de um olho, informam os mesmos autores, e foi o mestre de cantoria de Manuel Galdino Bandeira, de quem era cunhado.


     

  • » TORRES, LUÍS WANDERLEY
  •  

    Nasceu em Patos, filho de Pedro da Veiga Torres, venerando Professor primário naquela cidade, e de Maria Wanderley Torres (D. Cota). Fez as primeiras letras na cidade de Patos, prosseguindo os cursos primário, secundário e colegial no Colégio Pio X e no Liceu Paraibano, ambos na Capital de seu Estado. Transferiu-se, em seguida, para o Rio de Janeiro, colando grau em Direito pela Universidade do Brasil, no ano de 1938. Voltando à Paraíba, dedicou-se à advocacia, em Patos e comarcas vizinhas. Nesta cidade, teve oportunidade de manter contato com cientistas norte-americanos que ali estiveram durante alguns dias com a finalidade de observarem o eclipse solar ocorrido em 1 de outubro de 1940. De suas conversas com aqueles cientistas, resultaram diversas reportagens elaboradas para diferentes órgãos da imprensa, inclusive a Revista da Semana, do Rio de Janeiro. Em 1943, fixou residência em São Paulo, ingressando no Ministério Público daquele Estado e dedicando-se ao magistério superior de Direito. Romancista, historiador, sociólogo, folclorista, jurista, é membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.


    BIBLIOGRAFIA

    Adelaide, a filha do circo (romance), s/e, 1958, São Paulo.

    Prismas (contos), Ed. Gazeta de Limeira, 1947, Limeira.

    Crimes de guerra e crimes contra a humanidade (Genocídio), s/e, 1955, São Paulo.

    Crimes de guerra, o genocídio, Fulgor, s/d, São Paulo, 2a. edição.

    Os trabalhos e os dias (contos), s/e, s/d, São Paulo.

    Mani ou: Um monte chamado Pascoal (romance), s/e, 1975, s/l, 2a. edição.

    Nordeste pitoresco e engraçado, Edicon, 1984, São Paulo, 3a. edição.

    Tiradentes, a áspera estrada para a liberdade, L. Oren Editora, 1977, São Paulo, 2a. edição.

    Vida e morte do Padre Cícero, s/e, 1984, São Paulo.

    Punhado de poesias, Ed. Panartz, 1982.


     

  • » TRAJANO, NEÓ
  •  

    Neó Trajano da Costa nasceu em Patos, filho de Noé Trajano da Costa e Ernestina Vieira da Costa. Fez os estudos primários e ginasiais em Patos, tendo sido cursado estes no Ginário Diocesano de Patos. Transferindo-se para o Recife, ali fez o curso colegial, matriculando-se, em seguida, na Faculdade de Direito do Recife, por onde se graduou em 1951. Voltando à cidade natal, dedicou-se à advocacia, até quando aprovado em concurso para Juiz de Direito. Nomeado para a Comarca de Brejo do Cruz, transferiu-se, em seguida, sucessivamente, para as Comarcas de Malta, Patos, Campina Grande e João Pessoa, aí passando a residir, mesmo aposentado. Dedica-se, atualmente, à advocacia, na Capital, Patos e cidades vizinhas. Publicou uma trilogia de narrativas centradas na memória de fatos vividos desde a infância até os seus dias de Juiz em diversas Comarcas, inclusive da Capital.


    BIBLIOGRAFIA

    Patos da minha infância, Editora e Gráfica Santa Fé Ltda., s/d, Campina Grande.

    Do ginásio à Toga, NOPIGRAL, s/d, João Pessoa.

    Nos tempos de Juiz, Unigraf, 1995, João Pessoa.


     

  • » TRIGUEIRO, CARLOS MEIRA
  •  

    Nasceu em Patos, a 19 de novembro de 1945, filho de Carlos Dantas Trigueiro e Leonor Meira Trigueiro. Fez o curso primário em Patos. Realizou, em seguida, os estudos ginasiais no Ginásio Diocesano de Patos e no Colégio Estadual de Patos. Posteriormente, passou a estudar no Recife, fazendo o curso colegial nos Colégios Padres Felix e Carneiro Leão. .Graduou-se em Estatística pela UFPE, após o que obteve especialização em Planejamento Educacional. Realizou o Mestrado em Engenharia de Produção, no Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba. Professor Adjunto IV, da UFPb, é lotado no Departamento de Administração do Centro de Ciências Sociais Aplicadas, lecionando as disciplinas Administração de Marketing, Pesquisa de Marketing e Marketing de Serviços, nos Cursos de Graduação e Pós-Graduação em Administração de Empresas. Exerceu, entre outros, os cargos de Pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento da UFPB, Consultor-Residente do Núcleo de Assistência Técnica do Ministério da Educação, Membro do Conselho Deliberativo do SEBRAE, Presidente do Conselho Curador da UFPB, além de Consultor de diversas empresas paraibanas. Atualmente é Diretor de Marketing da PBTUR - Empresa Paraibana de Turismo. Colaborador assíduo da antiga revista "Estudos e pesquisas em Administração", editada pelo Departamento de Administração da UFPB, é autor de vários trabalhos na área de suas atividades profissionais.

    BIBLIOGRAFIA

    Estudos de casos no treinamento de executivos, Qualitymark Editora, 1995, Rio de Janeiro.

    A tomada de decisão nas pequenas e médias indústrias de João Pessoa: uma abordagem nos setores de produção e marketing, CT/UFPB, 1979, João Pessoa.(Mimeo)

    As pequenas e médias empresas industriais do Estado da Paraíba, CMA/CCSA/UFPB, 1980, João Pessoa (2 vols.)

    Problemática do semi-árido: uma abordagem administrativa, UFPB, 1984, João Pessoa. (Mimeo).


     

  • » TRIGUEIRO, OSWALDO MEIRA
  •  

    Nasceu em Patos, filho de Carlos Dantas Trigueiro e Leonor Meira Trigueiro. Depois de cursar os estudos primários e ginasiais na cidade natal, transferiu-se para o Recife, graduando-se em jornalismo, pela Universidade Católica de Pernambuco, em 1975. Seguidamente, obteve especialização em Direção Teatral (UFPB/FEFIERJ), Metodologia da Pesquisa em Etnomusicologia (Instituto Interamericano de Etnomusicologia y Folklore - Caracas, Venezuela) e Programa Sub-regional de Formação de Recursos Humanos em Política e Administração Cultural na América Latina. Em 1987, obteve o grau de Mestre em Comunicação, na área de Comunicação Rural, na Universidade Federal Rural de Pernambuco. Professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba, lecionou as seguintes disciplinas de graduação: Comunicação Rural, Comunicação Comunitária, Introdução à Comunicação, Metodologia da Pesquisa em Comunicação, Fundamentos Científicos da Comunicação, Teoria da Comunicação I, Seminário de Atualização em Comunicação. A nível de pós-graduação leciona as disciplinas "Produção Cultural e Comunicação de Massa" e "Metodologia da Pesquisa em Comunicação". Vinculando-se a diversas instituições culturais, tem participado de várias pesquisas, dentre as quais, "As Manifestações Artístico-Culturais como forma de Comunicação e Expressão", "Biblioteca da Vida Rural Brasileira", "Conto Popular e Tradição Oral no Mundo de Língua Portuguesa". Pertence à Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação - INTERCOM, Associaço Brasileira de Antropologia, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba, Federação Nacional dos Jornalistas, Comissão Estadual de Folclore. Desempenhou relevantes cargos acadêmicos, no âmbito da Universidade Federal da Paraíba, a saber: Coordenador do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular (NUPPO), Pró-Reitor Adjunto para Assuntos Comunitários (PRAC). Foi Vice-Presidente da Fundação Espaço Cultural José Lins do Rego (FUNESC). Até recentemente (Maio/1997) exerceu, por dois anos, o cargo de Sub-Secretário da Cultura do Estado da Paraíba, onde realizou um significativo trabalho em prol da cultura estadual, com as marcas da eficiência e da honradez. Especialista em folclore, tem diversos artigos e trabalhos divulgados em diferentes revistas.


    BIBLIOGRAFIA


    Festa do Rosário de Pombal (Colaborador), Ed. Universitária/UFPB, 1976.

    O Ex-Voto, um Veículo de Comunicação, Publicação do NUPPO/UFPB, Ed. Universitária, 1977, João Pessoa.

    A TV Globo em duas comunidades rurais da Paraíba: um estudo sobre a audiência da televisão em determinados grupos sociais, UFPE, 1987, Recife (Mimeo).

    A recepção crítica da televisão em comunidades rurais do Nordeste brasileiro: o caso específico da Paraíba. Publicação do Departamento de Cultura da Fundação Cultural do Estado de Sergipe/FUNDESC, 1993, Aracaju.

    Contos populares brasileiros (em parceria com Altimar de Alencar Pimentel), Editora Massangana, Fundaj, 1996, Recife.


     

  • » URQUIZA, JOSÉ ANTÔNIO
  •  

    Nasceu em Patos, a 17 de julho de 1922, filho de Antônio Urquiza Machado e Custódia Carneiro Urquiza. Fez os estudos primários na cidade natal. Graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, em 1948, passando a exercer a advocacia em sua cidade e comarcas adjacentes. Foi vereador em Patos. Nomeado Procurador do antigo IAPC, em Maceió, Alagoas, anos depois, lotado na Paraíba, ocupou o cargo de Superintendente do INPS. Eleito para a Academia Paraibana de Letras, faleceu antes de empossar-se naquela Casa. Romancista, novelista, contista, poeta, seu último trabalho foi de natureza política, um arrazoado contra o então Governador Ivan Bicahara Sobreira.

    BIBLIOGRAFIA


    Rastro de andarilho (Tragédia sertaneja), Ed. do autor, 1966, s/l.

    O saco, Imprensa Universitária, 1972, s/l.

    A p... vida, Igramol, 1973, s/l.

    O papo da coruja, s/e, s/d, s/l.

    Paraíba - As horas em ponto


     

  • » URQUIZA, LUIZ CARLOS
  •  

    Luiz Carlos de Urquiza Nóbrega nasceu em Patos, em 1932, filho de José Cândido da Nóbrega e Adélia Urquiza da Nóbrega. Aos 7 anos já era empregado no armazém de seu tio, Antônio Urquiza, no distrito de Santa Gertrudes, Município de Patos. Em seguida, foi trabalhar com outro tio, de nome José, proprietário de uma indústria de café e fubá na cidade de Patos. Ali foi empacontador e vendedor daqueles produtos, que carregava em um pequeno tabuleiro sobre a cabeça. Fez os estudos primários no Grupo Escolar Rio Branco, na cidade natal e iniciou o curso ginasial no Ginásio Diocesano de Patos, dirigido pelo educador Pe. Manuel Vieira. Transferindo-se para Fortaleza e, depois, para Belém do Pará, foi aluno do Liceu do Ceará e do Colégio Estadual Paes de Carvalho, da capital paraense. Matriculando-se na Faculdade de Direito do Largo da Trindade, em Belém, transferiu-se, posteriormente, para a Faculdade Paulista de Direito, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, por se bacharelou, em 1957. Fez, ainda, o curso da Escola Superior de Guerra, turma de 1974. No Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), em que ingressou como escrevente-datilógrafo, galgou diversos postos, tendo exercido, inclusive, a Chefia do Gabiente do Ministro do Interior, Mário Andreazza. Possui trabalhos publicados sobre trânsito, transporte e administração pública. No campo da literatura é autor do livro Poemas ao tempo, publicado em 1983.


    ANTOLOGIA

    Negócio

    Da penumbra dos meus longevos cinqüenta,
    olho, face a face, o esplendor dos teus dez anos.
    Amo-te, filho querido,
    do fundo profundo do meu velho coração.
    E porque te amo tanto,
    e tu a mim, negócio te proponho:
    cede-me um pouco de tua juventude,
    que te darei migalha de minha velhice;
    dá-me um pouco do teu entusiasmo,
    que te cedo retalho de minha experiência;
    doa-me parcela de tua alegria,
    que te nutro de momento de minha tristeza;
    dedica-me porção de tua vitalidade,
    que te retribuo com dízimo de minhas fraquezas;
    entrega-me fração dos teus impulsos,
    que te devoro mochila de minha prudência;
    dá-me esmola de tuas divertidas ingenuidades,
    que te retribuo com centavos de minhas malícias;
    confia-me parte de tua audácia,
    que te faço doação de pouco de minha insegurança;
    abdica em meu proveito de parte de tua arrogância,
    que te ofereço o manto de minha humildade;
    ilumina-me com a luz de tua alvorada,
    que te antecipo as cores do crepúsculo;
    mostra-me, enfim, a vida plena em que exultas,
    que te direi da morte que nos espera um dia.
    De mim vieste, para viveres além de mim.
    Brotaste em vida,
    para que eu pudesse morrer,
    renascendo em ti.
    Tu, filho, és o elo da corrente,
    que não se rompe às trevas.
    És tu a luz dos caminhos novos,
    já não consigo percorrer,
    senão em ti caminhar. Fica, agora, com tudo que te dei,
    que para mim é a tarde que chega,
    plena de estrelas apressadas.

    Aurora Amo a aurora. No lugar de cada estrela que se apagaeu coloco um sonho. Findo o dia, sepultos os sonhos, brilham as estrelas novamente. Triste os contemplo pela noite afora. Alegre vou me tornando com a madrugada, pois eu amo a aurora. No lugar de cada estrela que se apaga...

    (Poemas do tempo, pág. 25/26 e 66)


     

  • » VICTOR, JOSÉ MOTA
  •  

    Nasceu em Patos. É autor de vários textos teatrais, alguns deles premiados em concursos.


    BIBLIOGRAFIA

    Folhetim - Uma volta de 180 graus na vida e obra de José Américo de Almeida. s/e, s/d, s/l.


     

  • » VIEIRA, JOSÉ
  •  

    Poeta popular cujo acróstico é JVIEIRA. é o que dele informam átila Almeida e José Alves Sobrinho.


     

  • » WANDERLEY, ALLYRIO MEIRA
  •  

    Nasceu na Fazenda Campo Comprido, Município de Patos, a 22 de outubro de 1906, filho de Francisco Olídio Wanderley e Ignácia Meira Wanderley (Sindá). Fez os estudos primários no Colégio Leão XIII, do Con. José Viana, em Patos. Posteriormente, estudou no Colégio Pio X, na capital do Estado. Transferindo-se para o Recife, ali concluiu os estudos secundários, após o que abandonou o ensino regular. Tornou-se autodidata, dedicando o tempo às leituras. Residiu durante algum tempo em São Paulo, após o que retornou à Paraíba. Transferiu-se, em seguida, para o Rio de Janeiro. Jornalista, atuou em vários órgãos da imprensa carioca, notadamente em "O Jornal", cujo rodapé literário assinou por algum tempo. Jornalista, romancista, crítico, poeta, ensaísta, tradutor, deixou uma vasta obra. Voltando à Paraíba, escreveu para diferentes jornais do Estado, notadamente "O Norte" e "A União". Seu nome foi escolhido para patrono da Cadeira 37 da Academia Paraibana de Letras. Faleceu a 15 de janeiro de 1955, em João Pessoa, e foi sepultado em Patos.


    BIBLIOGRAFIA

    Sol criminoso, Georges Selzoff, 1931, São Paulo.

    Os brutos

    Bolsos vazios (romance), Editora Guaíra, 1935, Curitiba.

    Ranger de dentes (romance), Leitura, 1945, Rio de Janeiro.

    As bases do separatismo (ensaio de sociologia), A. Meira Editor, 1935, São Paulo.

    Os carneiros cinzentos (ensaios), Editora Teone, 1954, João Pessoa.

    ANTOLOGIA

    Esta tarde, estou desocupado; vou contar a minha história. O coração é meu tinteiro. Se estas memórias não findam, é que eu me sobrevivo a mim mesmo. Sim, o homem é a sua ambição e a minha ambição morreu de fome.
    Estranhar-se-á que, assim jovem, me volva para o passado? Mas, sem dúvida, explica-se: há tempos, descobri que todo futuro acaba no silêncio único. É curioso e é medonho. Cada passo adiante é um passo atrás; quanto se anda, tanto se recua. A existência é uma retirada...
    Bem.
    Naquela ingênua cidadezita sertaneja falavam do meu talento. Colaborava num semanário de palmo e meio, domingueiro e literário, discursava na Associação dos Empregados no Comércio quando era preciso discursar, elegiam-me orador do clube de futebol, o invicto e alvi-rubro Borborema, discutia as obscuridades eternas com o vigário e possuía uma estantezinha abastecida a capricho. Francamente, eu cria também nessa centelha de divindade; era mesmo, em segredo, o meu maior admirador; por isso, talvez, lia até à borda das madrugadas.
    Uma ocasião que lhe mostrara um conto de minha lavra, o velho Zeca Escrivão me disse:
    Cimaldo, por que não procura outro meio, melhor, no sul do país? Siga o meu alvitre; não enterre sua inteligência num deserto... Seja duro, bote a proa para o alto mar e você irá longe!
    Pesei-lhe as palavras. À noite, revi a papelada esboços de novelas, tassalhos de poemas, peças e peças em debuxo onde pressentia inéditos fulgores. Com as duas mãos e um pouco de coragem construiria o meu destino. Abri-me a meu pai e, passada um semana, despediamo-nos:
    Prometo-lhe ser alguém...
    Vai, meu filho, e tem fé!
    Beijei minha mãe, cega de lágrimas; abracei o amigo, o suave Zeca Escrivão. No céu, surgiu um instante dourado; depois, os craúnas e os reflexos acordaram. Meu pai, o doce e forte lavrador, segurando-me o estribo, e o olhar muito fito em meu olhar, advertiu-me ainda:
    A vida costuma puxar a gente para baixo; custe o que custar, sê um homem, meu filho!
    Ouvi e calei. A manhã cantava pelos caminhos, como uma mulher loura; a terra, a amada do sol, espreguiçava-se toda, descansada e cérula. Deixei o claro solo natal, atravessei ruidoso regato fulvo e saí, sozinho e desarmado, no encalço da minha ilusão.
    Cheguei, lembro-me, num setembro à Paulicéia. As moscas alegravam-se de achar luz abundante sobre as paredes, arremansava-se nos jardins uma efusão de verdes, borboletas ansiosas e azuladas vogavam entre os postes e os gritos da rua. Tomada de primavera, a cidade era múrmura e inquieta opala atravessada de resplendores ou embaçada de cerrações.
    Morava em Santa Ifigênia, numa pensão alemã e estudava num externato, pertinho. Alinhavava os preparatórios e meu pai, muito sabido, desejava um bacharel na família. Então, eu fitava sempre o céu, como um girassol. Divagava pelas leituras, como por países de fada e lenda e ouro. No ar, as horas rolavam a custo, semelhando insetos de chumbo, tal a densidade de esperança. E à noite, a um canto do quartinho, montão de esterlinas ou de estrelas, lá estava a fulgir abafadamente na penumbra aquela miragem... Não compreendia bem o que fosse mas dava-lhe um nome, que esqueci. Às vezes, surpreendia-me de novo na terrinha natal e meiga: debaixo de uma cajarana bem velhinha, ao lado de Zeca Escrivão, rodeados da saudade e do arrebol, recordávamos os entardeceres e as fantasias indeléveis de outora; uma sussurração densa e macia, e agradável como o incenso, subia das casas, rojava nas ruas, vinha os pés aliar-me infindamente.
    Quimeras de papelão.
    Não contraí doenças nem amizades. Cristóvão Dourado, paulista e moreno, e Carmelo Verpetti, pintor de quatro lustros, eram as minhas camaradagens. Dias inteiros, no terraço da pensão, de relações cortadas com o mundo e esquecidos das espantosas realidades da vida, devaneávamos a todo pano ou escutávamos a tagarelice estentórea dos altofalantes. Desprezávamos a loucura ecumênica; só nos interessava a existência em cor das telas, a conquista do mármore selvagem ou o desabrochar das estrofes de chama e de anil.
    Habitávamos longe, muito longe, na ilha do sonho...
    Tinha seu valorzinho o Dourado. Estudara gramática um mês e tanto, e não emburrecera inteiramente. Publicara alguns versos e contos, granga grossa e pouco ouro; daí, perderem-no os colegas. Saciado de elogios, foi mais uma promessa crônica, gênio latente e consagrado, a atravancar-nos as confeitarias e a literatura.
    São as vítimas do incenso...
    Doutro metal, o Verpetti. Sem dúvida, não raro se parecia com os demais. Por exemplo: era um mamífero também. Mas, tinha o ombro esquerdo mais alto que o direito e nunca lhe descobri a corrente obsessão da publicidade; nascera com a mazela azul do talento, o infeliz. Por isso, uma vez, ao crepúculo, num viaduto, sucedeu-lhe o que lhe sucedeu. Prejudicavam-no, no palco da terra, as suas intemperanças de ilusão, um apego de ostra à penumbra e lamentável incapacidade para o descaramento.
    Que espera da vida, Carmelo? perguntei-lhe uma ocasião. Cimaldo, imagina-se que se tem inteligência e não se passa, freqüentemente, de uma besta iludida. Besta de boa fé; mas besta, Cimaldo.
    Dourado atalhou-lhe:
    Modétia é vício. Se eu pensasse assim não estaria consolidado...
    -...pelo florescente cabotinismo nacional.
    Ganhei o meu lugarzinho na literatura, meninos!
    A literatura, dita brasileira, lembra uma literatura, como uma melancia lembra uma montanha...
    Os seus contos e versos, esparsos em revistas e gazetas, eram a sua vigilante e intratável vaidade; tirante esse pequeno v&icaute;cio sem brilho, restava uma inofensiva criatura, passo tardio, costas abauladas, cabelo a fartar e duas palmas de moça o Cristóvão Dourado.
    Através do portão, víamos a rua carregada de bulício e de ocaso. A vida vagava, vestida de seda e de chita, as mãos cheias de promessas e de castigos, um olhar de vidro na pupila que era um sol. E cruzavam muitos homens, muitos: aquele arrastava um cuidado, semelhante a grossa cadeia de ferro: acolá, outro, de casimira cinzenta, coxeava com o sapato apertado; um terceiro, que lhe pisou o pé direito, sobraçava sorrindo e apressado, um ramalhete de orquídeas; atrás dele vinha esse aqui, doce e lento, turvo, descoberto, sempre à espera de mirtos e de louros para a calva...
    De improviso, Dourado observou:
    Olhem, que perna... No ponto do bonde, a moça de meias cor de carne... Meu Deus!
    Bom, já vimos; agora, voltemos ao assunto, disse Verpetti.
    Não vale a pena, o Cimaldo implica...
    Implico, não.
    Ao menos, publiquei o que pude; e você?
    Alguns têm vivacidade, improvisam, e é muito; outros têm paciência, elaboram, e é mais.
    Há não sei quanto, anuncia um romance e o romance nada de aparecer...
    Para começar pelo canibalismo gramatical desta época dos folhetos? Aprendo antes: depois, não me confundirei com os abutres do idioma. Quero nascer mestre. Aqui, ou se escreve demais ou se escreve de menos, pára-se na estréia ou produz-se às arrobas; daí, sermos atrofiados ou efêmeros.
    Entretanto, a cr&itacute;tica e o público...
    Isso, entre nós, ainda é mitologia... E, por cima, também se admira por contágio ou por sugestão; donde, a vitalidade das famas de cobre!
    Ora! que lucraria eu em matar-me na caça da perfeição?
    A arte se basta, Cristóvão; é o que tem de comum com o sol.
    Para mim, o essencial é o aplauso.
    Isto me irritou até a medula; gritei:
    Afinal, não me espantam os progressos da imbecilidade humana!
    Não se briga por opiniões, interveio Verpetti.
    Por opiniões é que se briga!
    Tolices...
    Mas, não é? Os nossos poetas, em regra com a olímpica vocação da albarda, são uns autômatos versejantes. E, cantar sem sentir não é mentir a cantar?
    A sinceridade faz o justo, Cimaldo; o artista, não. É necessário pôr mais alguma coisa...
    A inspiração? indaguei, suspenso.
    A habilidade! retrucou, sorrindo,.
    Ao cabo, retorqui-lhe, pouco se me dá; a importância da poesia é a mesma do berimbau.
    Escurecia. Só uma chama de sol, escarlate e póstuma, percorria as nuvens. Baixavam-se as portas de aço das lojas, acendiam-se as vitrinas e duas ou três estrelas acabavam de chegar ao céu, nuas como raparigas que se banham num mar azul. Dourado e Verpetti retiraram-se quase logo e eu, que precisava argamassar o futuro à força de músculo e desejo, corria ao trabalho.
    Uma esperança inveterada.
    Arrependido dos meus ócios, via a insondável esterilidade da preguiça. É um crime malversar as horas. Sentir é muito; pensar é mais; obrar é tudo. Aquecia-me e lutava. Sim; sonhar, poder e subir...
    Mas, refletia de repente, de que servem as nossas suntuosas ninharias se até o sol, no alto ar, uma vez se apagará como uma brasa pequena?
    Eis a incansabilidade do tempo. Ontem, seduzia-me uma narração da carochinha; hoje, apavora-me a novela da eternidade. A morte, no seu apetite de aniquilamento, consome deuses, rios, constelações inteiras e ainda apanha, aqui no quintal da pensão, as formiguinhas que passam tão baixo e as exíguas lagartas verdes que moram no fundo das rosas.
    A carne range e o osso treme, se se pensa, e, se não, dá no mesmo; a sua foice infalível não esquece nem despreza.
    Distraio-me, garatujando as paredes com giz. Rio dos bonecos, os bonecos riem de mim, e os minutos batem em todos nós com os seus machados pesados, e ninguém sente nada. Um dia, inesperadamente, eles nos desvaneceram da face da vida!
    Cristóvão Dourado advertiu-me: Procure uma namorada; estudar, estudar, estudar, é perigoso: acaba fazendo calos na palma da mão... Divida as horas. Porém, ajeite-se, primeiro; nada de gravata para o ombro, punhos esfiapados, barbas de mês, sabe?
    Nesse comenos, encontrei no bonde da Barra Funda uma rapariguinha quieta, míope, leitosa; mais tarde, parava na esquina e ela se debruçava da janela, piscando mansamente por detrás dos óculos.
    Senhorita, têm-se visto casos em que o amor fez de um homem qualquer um grande homem...
    Coisas de cinema, Cimaldo!
    Coisas da realidade, da realidade também... Que pretenderia que eu fosse?
    Meu ideal... meu ideal mesmo... está em Hollywood!
    Virei as costas àquela alma sem asas e recaí nos antigos hábitos. Escrevinhava freneticamente, doido por ver a feição da minha frase: delineava o primeiro romance: A Vocação de Jarjalã. Do Nordeste, no fim do mês, recebia a mesada; pagava aqui, pagava ali, pagava além e, dois dias após, um tostão não me restava.
    Era assim eu, Cimaldo Olídio, quando cheguei à Paulicéia, em mil novecentos e tantos, com quase vinte anos, sobeja esperança e nenhum dinheiro; agora, nesta tarde de ócio e de bruma, quis dar-me ao trabalho de tecer, com algum amor, nem sei porque, este ramo de lembranças e de violetas...
    (Bolsos vazios, Cap. I)


     

  • » WANDERLEY, JOSÉ PERMÍNIO
  •  

    Nasceu em Patos. Estudou as primeiras letras nessa cidade. Com o falecimento de seu pai, viu-se obrigado a interromper os estudos, dedicando-se à atividade agropecuária, por meio da qual construiu uma das melhores propriedades rurais do sertão paraibano, dirigida para a exploração do solo, criação de gado bovino e fabricação de laticíneos. Apesar de se ter afastado da escola, jamais se descurou de suas leituras, o que lhe propiciou meios de se dedicar às letras e às pesquisas históricas. Estudou e pesquisou a história de seu município, disso resultando a elaboração de um pequeno mas importante trabalho sobre aspectos históricos da região das Espinharas.


    BIBLIOGRAFIA


    Retalhos do sertão, Fundação Ernani Sátyro, 1992, Patos, 2a. edição.


    ANTOLOGIA

    O RIO

    O rio da Cruz, o lírico imenso, na frase carinhosa de Allyrio Meira Wanderley, é um privilegiado da natureza.
    Um braço nasce no pequeno planalto ao sopé do Pico do Jabre, em terras alcatifadas e altamentes ferazes, das propriedades "Aliança", "Amparo", "Jabre", "Santo Antônio" e "Bom Conselho"; o outro braço, muito encachoeirado, nasce em Santo Aleixo e, ambos unidos, sofrem o abraç pouco amigo das penedias impressionantes da pequena cidade de Mãe d'Água, para espraiar-se em "ubertosas campinas aluviais", de Mãe d'Água de fora, Santo Estêvão, Boi do Brito, Cruz, Capo Comprido e outras, sem esquecer seus afluentes de baixios igualmente férteis, das propriedades "Urtigas", "Ilhas", Várzea de Jurema", etc.
    Conflui com o rio Farinha, seu irmão mais modesto, um pouco acima da cidade de Patos, recebendo então o nome de Pinharas ou Espinharas.
    Pouco abaixo dessa confluência existe o Poço da Pedra, onde a gurizada de meu tempo aprendia a nadar. (Aqui não resisto à evocação de uma saudade: Tininho, péssimo estudante e ótimo companheiro, monopolizava a turma, ora com seu espírito galhofeiro, ora com suas acrobacias de salto mortal do alto da pedra, para mergular de cabeção. Do além, recebe, amigo velho, minha saudade!.
    O Farinha deve seu nome a suas areias mutio brancas, tais quais o polvilho de raiz de manioca, e nasce nas serras da Viração e dos Anis, escalvadas nas sucessivas erosões pluviais e eólias, banhando Salgadinho, Passagem e Cacimba de Areia, cidades novas, sedes de municípios produtores de excelente algodão "moc&oacute.
    O Espinharas banha, ainda, antes de chegar a Serra Negra, no Rio Grande do Norte, o novel município de São José de Espinharas, onde se localiza, talvez, o polígono das melhores terras pastoris do sertão, compreendendo as fazendas "Olho d'Água", "Trindade", "Laranjeiras", "Arara", "Lamarão", "Poço d'Antas", "Várzea de Jurema", "Farias", "Melancias", "Pau a pique", "Riacho Fundo", "Suécia", "Logradouro", "Maria Paz" (de baixo e de cima), "Pitombas", "Jerusalém" e "Dinamarca", estas duas já no Rio Grande do Norte.

    (Retalhos do sertão, págs. 1 e 2)


     

  • » WANDERLEY, VERNAIDE MEDEIROS
  •  

    Nasceu em Patos, filha de Dinamérico Wanderley de Sousa e Haydée de Medeiros Wanderley. Fez os estudos primários em Patos e o curso secundário na Academia Santa Gertrudes, em Olinda, Pernambuco. Após concluir os estudos universitários, fixou residência no Recife, de cuja movimentação cultural passou a participar. É autora de vários livros, com um dos quais (LITORGIA ou Poemas com rimas vermelhas) conquistou o Prêmio Othon Linch Bezerra de Mello, da Academia Pernambucana de Letras (1985) e o Prêmio Guararapes, da União Brasileira de Escritores, Secção do Rio de Janeiro (1986). Com um livro de literatura infantil, arrebatou o Prêmio Luís Jardim, da Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco. Participou de várias antologia de poesia, publicadas no Recife. é autora de um romance, ainda inédito.


    BIBLIOGRAFIA

    Tatuagem (Poesia), Edições Pirata, 1981, Recife.

    Litorgia ou Poemas com rimas vermelhas. s/e, 1987, João Pessoa.

    Duas histórias de guia (Literatura infantil), Companhia Editora de Pernambuco, 1991, Recife.

    Rota dos inocentes, Prefeitura da Cidade do Recife, 1992, Recife.

    ANTOLOGIA

    PATOS DAS ESPINHARAS

    A Dinaldo Wanderley, que encarna tudo isto. Era setembro mês da senhora da guia com festins e dobrados dias. Fazendeiros arrematavam (no pavilhão encarnado) o carneiro mais gordo da festa assado nos mandacarus de seus prados. O velhinho do algodão-doce fiando à manivela o sonho das crianças fazia explodir folguedos no carrossel Lima. Vestidos ornados de sianinhas e senhas cor de jasmim e caramelo era distribuídas (no máximo cinco) para a roda-gigante o avião-juju e cavalinho de preferência o todo branco que parecia saltar mais alto no coração. A serafina tocava para os querubins presos às saias da padroeira e era setembro mês da senhora da guia nas suas noites de repiques e novenários. Moças casadouras chegavam em bando cobertas de terços e preces aos anjos e olhos de demônio se acendiam e pecavam sob a proteção da virgem senhora. (LITORGIA ou: poemas com rimas vermelhas, pág. 36)

    5a. Passagem O DELÍRIO O mesmo delírio, em todas as noites: boca, ombros e as taras de Jonas. Eu falava em sonho. Eu sou um bicho solto Mas o amor era Bruno. E o espelho mentia. Vá, sua hora chegou, rasgue-se, ranja a boca de amor. Rasgue-se e cubra a ferida com flores. Vá. O amor é mentiroso. E os amantes, inconstantes demais. Em meu peito, a noite começava a existir pela luz mortiça do cais e a passagem por Jonas, como se fizesse um inferno perdido no poema do corpo. Vitrais começavam a surgir, jogando suas cores mais além. Em quantas direções? (Rota dos inocentes, pág. 41)


     

  • » SOUSA, MISAEL NÓBREGA DE
  •  

    AGUARDE


     

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