Flávio Sátiro

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Obras Publicadas

Obras Literárias

 

      Festa de Setembro (romance), Letras & Artes, 1996, João Pessoa, 2a. edição.

 

 "Seu livro tem alguma coisa que prende o leitor, despertando-lhe o interesse. Creio dever-se ao fato de tomar da vida sem pretensões outras senão a de narrar acontecimentos vividos. Por vezes o tom reflete as indecisões do estreante. Creio, porém, que se você continuar a escrever ganhará facilmente seu lugar na novelística brasileira" (Jorge Amado, em carta ao Autor).

"O autor parte da festa da padroeira em Patos e constrói um bem apanhado romance de costumes, na linha de um Manoel Antonio de Almeida, com a mesma simplicidade, a mesma graça. Há nele também um certo tom irônico que não se parece com a visão humorística de Manoel Antonio mas participa mais de um Eça, pela preocupação estilística, o uso rebarbativo de certos termos e expressões com a finalidade de ironizar o próprio texto.

Observa-se na literatura documentária do Brasil a diferença que há, por exemplo, entre Manoel Antônio de Almeida e Graciliano Ramos. As festas de Manoel Antônio são anotadas como são vistas na simplicidade encantada das pessoas participantes. Em Graciliano Ramos, a FESTA, que aparece em "Vidas Secas", é a visão particular do autor, pessimista, fazendo da Festa um pretexto para uma escalada de sofrimento e injustiça social. Falta-lhe a convivência humana. Bárbaro e isolado.

Esse rapaz da Paraíba, esse escritor, em tudo que o título tiver de mais nobre, esse escritor em costumes é como Manoel Antônio. A festa é pobre, é provinciana, não deve ser levada muito a sério, mas a festa é uma realidade afetiva, envolvendo a todos e todos dela participam pura e ingenuamente. Há mais honestidade nele, portanto, do que em Graciliano." (Virgínius da Gama e Melo)
"Li, ontem, de uma só assentada o pequeno romance de Flávio Sátiro Fernandes, "Festa de Setembro". O seu forte são os costumes, o ambiente, as tricas locais. Seu principal personagem é a própria cidade. Flávio consegue convencer como "criador" de uma cidade pessoa, cidade gente, cidade personagem" (Ernani Satyro).
"Festa de Setembro", livro de linguagem simples, mas de consciência crítica acentuada em relação aos fatos sociais. A festa da padroeira da cidade, motivo do enredo do livro, evidencia o jogo de interesses dos poderes econômicos e políticos locais. A narrativa obedece aos padrões tradicionais de se contar linearmente uma história com princípio, meio e fim. As personagens são flagrantes satíricos da política local que denunciam a corrupção das eleições e a ignorância do povo frente às fraudes eleitorais". (Do verbete "Fernandes, Flávio Sátiro", in Dicionário Literário da Paraíba)
“Festa de Setembro”, um belo título, fazendo até nos lembrar da canção popular do cantor Frank Sinatra – The September of my years (O Setembro dos meus anos) é o mais recente de todos os livros dos autores patoenses. Cor local em tudo, multifário, atraente, curioso. Flávio Sátiro Fernandes o autor. (Octacílio Nóbrega de Queiroz)
“Festa de Setembro” de Flávio Sátiro foge à vulgaridade do romance tradicional, retratando, com traços caricaturais, o ambiente de uma cidadezinha do interior paraibano no qual se movem fazendeiros, comerciantes, funcionários públicos, padres, juízes, promotores, advogados, professores e estudantes, que se reúnem, por ocasião da festa da padroeira local, para manifestar pequenos despeitos e pequenas intrigas. Explorando ao máximo a matéria-prima local e o elemento burlesco da conduta desses indivíduos, a experiência ficcional do escritor vale como o melhor documento da vida interiorana. (Gemy Cândido)

      A Cruz da Menina (romance), s/e, 1996, João Pessoa, 2a. edição).

 

          Que belo livro é A Cruz da Menina! (Josué Montello - da Academia Brasileira de Letras)

 

          Oh, desde aquele café do velho Jizé Jirónimo, com coalhada e rapadura, a gente começa a gostar do seu romance, sem desmerecer a coalhada com rapadura. (Herberto Sales - da Academia Brasileira de Letras)

 

          A Cruz da Menina é um romance bem construído e bem escrito. A Paraíba e, com sua terra, as nossas letras podem proclamar que contam com um romancista no verdadeiro sentido da palavra. (João de Scantimburgo - da Academia Brasileira de Letras)

 

          A Cruz da Menina revela um autor inspirado, como, aliás, revelam suas outras obras (Arnaldo Niskier - da Academia Brasileira de Letras)

 

          (...) uma narrativa de costumes do melhor quilate literário. Foi uma gostosura atravessá-la do início ao fim, integrado na substância dos seus personagens, todos tão repassados de veracidade que a mim mesmo pareceu que restaurva o velho sertão nordestino, que tanto conheci, quando nele vivi meus verdes anos jão tão distantes.

          Felicito-o por essa admirável contribuição à literatura brasileira, onde o regional aflora como história e como lenda, para melhor engastá-la no universalismo que é o alvo maior da subsistência dos nossos valores humanos mais genuinos. (Ascendino Leite - Romancista e crítio literário, membro da Academia Paraibana de Letras)

 

 

A CRUZ DA MENINA

Prólogo

 

 

O velho Jizé Jirónimo parecia não sentir o fardo de seus oitenta anos. Lépido e disposto, era o primeiro a se levantar e a dar início à labuta diária, em seu pequeno sítio, a cinco quilômetros dos Patos, aproximadamente. Não sofria das queixas que, costumeiramente, se acercam das pessoas de sua idade. Quando a claridade começava a rasgar a madrugada, já o encontrava no curral, tirando o leite que algumas vaquinhas lhe davam e que ele vendia na cidade à sua freguesia. Oitenta anos? indagavam as pessoas, surpresas, revelando incredulidade até. Não tem quem dê! - comentavam admiradas. Não tem quem dê, não! Não tem quem tire! - redargüia o velho Jizé Jirónimo, abrindo-se em largo sorriso, orgulhoso da idade que tinha e do vigor que demonstrava. Coçava, então, a cabeça, onde não se via um só fio de cabelo branco, sem qualquer tintura.

 

Naquele dia, porém, um sábado, ao se dirigir ao curral, ainda escuro como breu, o velho agricultor levava consigo uma ponta de desgosto e tristeza. Desde o dia anterior, constatara o desaparecimento da melhor e mais bonita ovelha de seu pequeno rebanho. Vasculhara todo o sítio, indagara dos vizinhos, todos amigos, procurara nas cercanias, mas não obtivera nenhum sinal da criação. Só podia ter sido furtada. Havia muito furto de gado, ultimamente, nas redondezas. Boi, vaca, bezerro, cavalo, jumento, cabra, ovelha, até galinha, nada escapava aos ladrões, que, afoitos cada vez mais, costumavam vender, na feira dos Patos, os animais subtraídos. Na segunda-feira vindoura, se a ovelha não aparecesse, Jizé Jirónimo iria bater a cidade todinha, para ver se descobria sua querida e valiosa criação, de raça. Foi pensando em tudo isso que realizou, naquela madrugada, o trabalho de ordenha. Voltou, depois, para casa, carregando o leite dos fregueses. Já o filho arreara o jumento, pronto para a viagem até a cidade. Hoje, eu vou levar o leite, disse para o filho. Queria espairecer, distrair-se, livrar-se da tristeza que o invadia. Não conseguia afastar a lembrança da ovelha raçada. A entrega do leite, talvez, o pudesse entreter, fazendo-o esquecer, por momentos, o triste fato. No fundo mesmo, o que ele desejava era desabafar, contar a amigos e conhecidos a sua desdita.

 

Sentou-se à mesa para o café. Coalhada com rapadura, cuscuz com leite, bolacha Regalia, especialidade da Padaria Esperança, de Seu Augusto Tavares, nos Patos, a melhor da cidade. "Asseio e presteza", estava escrito no frontão do estabelecimento. Por último, o café cheiroso, a acompanhar cada bolacha, coado com carinho e arte por sua mulher, que também o seguia no madrugar diário. Durante o café, Das Dores lhe tentava infundir confiança. A ovelha haveria de aparecer. Deus é grande. Rezara, antes de dormir, a Nossa Senhora da Guia. Tenho fé em Deus que, mais cedo ou mais tarde, ela volta - insistia, crédula. Jizé Jirónimo, entre um gole e outro, deixava-se encher das esperanças com que a mulher lhe acenava. Carregado delas, levantou-se, encaminhando-se para o terreiro da casa. O jumento tá pronto, pai - disse-lhe o filho. Jizé Jirónimo ajeitou-se como bem lhe permitia o vasilhame do leite e deu partida, rumo à cidade.

 

Durante todo o trajeto, o animal caminhando pelo aceiro da estrada de rodagem que levava dos Patos a Pombal, Jizé Jirónimo não se descurava da paisagem à sua frente. Àquela época do ano, a vegetação xerófita desnudara-se de folhas, os galhos secos estendendo suas mãos para os céus, como que a suplicar a chegada urgente das chuvas. Novembro estava se aproximando e, com ele, dezembro. Se o inverno fosse bom, antes do início do novo ano as primeiras chuvas cairiam e com elas se operaria o milagre da folhação, o verde inundando o campo, o gado se fartando na babugem forte. Porém, mesmo naquela época, fim de outubro, a paisagem tinha sua beleza. A vasta planície, em meio da qual se avistava a outrora chamada Imperial Vila dos Patos, refletia em tons claros e brilhantes a luz radiosa que o sol lhe derramava àquela hora da manhã. Ao longe, sobre a linha do horizonte, alteava-se a chapada da Borborema, que tomava diferentes nomes, conforme as regiões que atravessava: Serra do Teixeira, Serra das Espinharas, Serra das Preacas, Picotes, Pilões, Serrota, Aba, todas no rebordo oriental do planalto.

 

De vez em quando, um animal pequeno atravessava, correndo, a estrada. Preá, camaleão, raposa, gato selvagem, mocó, eram os que mais costumavam surgir nas horas primeiras da manhã. Cobras, também, apareciam, nos seus ziguezagues, desde as temíveis jararacas e cascavéis, até outras, menos perigosas ou inofensivas - cobras de veado, salamandras, cobras-verdes, papa-ovos. Nas incontáveis vezes em que fizera o percurso até a cidade, raro o dia em que Jizé Jirónimo não avistara um ou outro daqueles animais. Nada, contudo, se comparava ao concerto matutino que a passarada oferecia. O velho Jizé Jirónimo ouvia, absorto, a orquestração sublime. Conhecia cada canto e cada nota. Para ele era fácil distinguir os diferentes gorjeios. Galo-de-campina, canário, bem-te-vi, sabiá, juriti, concriz, e outros mais, enchiam a manhã com seus suaves trinados. Embalado com a melodia agreste, Jizé Jirónimo quando viu tinha chegado nos Patos, o lugarejo despertando preguiçosamente.

 

A primeira casa onde entregou o leite foi a do Major, como era conhecido o chefe político da localidade, seu compadre e amigo, apesar de rico e importante. Olhe o leite! - gritou no portão de trás, que logo se abriu, a pretinha Chica mostrando os trinta e dois, branquinhos como neve, a realçarem em sua face de ébano.

 

- Quem está aí? - indagou uma voz grave, ainda no interior da casa.

 

- É Seu Jizé Jirónimo - respondeu a pretinha, sem perder o sorriso.

 

- Bom dia, compadre Jizé - saudou o Major, aproximando-se do portão. Como vai? E a comadre? O afilhado tem dado notícias? - Queria saber do filho mais velho de Jizé Jirónimo, seu afilhado de batismo, que, casado, fora morar no sítio do sogro, no interior do Rio Grande do Norte.

 

- Vou bem e a patroa vai indo, graças a Deus. O menino, eu tive notícia dele por um amigo meu que veio de lá, sumana passada. Está sastisfeito, graças a Deus. Quando ele vier aqui, vem tomar a bença ao padrinho.

 

- Alguma novidade, compadre? - insistiu o Major, óculos na testa.

 

O compadre até parece que adivinha, pensou consigo o leiteiro. Contou-lhe do desaparecimento de sua melhor criação. Arrependeu-se. Melhor teria sido ficar calado. O Major danou-se a fazer perguntas, como era de seu feitio. Quando se dera o desaparecimento da ovelha? Como ele notara a sua falta? Já procurara nas vizinhanças? O animal era bonito? Quantos quilos pesava? Já dera parte ao Delegado? Precisava de algum adjutório junto àquela autoridade? E outras perguntas mais. Era assim o Major. Gostava de perguntar. Perguntava, às vezes, coisas sem nexo e sem qualquer razão de ser. Mas Jizé Jirónimo, compadre e amigo do Major, há muitos anos, além de seu correligionário político, conhecia as manhas do chefe. Sabia que com duas ou três perguntas ele se escafederia. Gostava de perguntar mas não gostava de responder.

 

- E as eleições, Major? Quem vão ser os candidatos? Quantos lugares o senhor vai dar à oposição no Conselho? - disparou Jizé Jirónimo, à queima-roupa.

 

Foi o quanto bastou para o Major deixá-lo em paz, acabando com o interrogatório. Sem responder a qualquer das indagações do leiteiro, despediu-se com um "até logo" e desapareceu no interior do casarão.

 

Jizé Jirónimo chegou à residência do coronel Geminiano Mendes, abastado comerciante e dono de um mecanismo de descaroçar algodão. O coronel chegara aos Patos há vários anos. Corria a versão de que andara metido em um movimento sedicioso no brejo paraibano, em fins do século passado e que, perseguido pela polícia, dera com os costados naquela cidade, onde casou e constituiu família. Aliás, em constituir família o coronel era perito. Já casara cinco vezes. Das quatro primeiras mulheres enviuvara, mas não era homem de cultivar a solidão, de viver no descampado das convivências. Das quatro companheiras tivera grande prole, toda ela já encaminhada na vida, até filho doutor e militar, integrados à medicina, ao bacharelismo, ao oficialato.

 

A quinta e última mulher do coronel era uma mulata que fora escrava de seu pai. Somente uma negra é capaz de agüentar o seu rojão, observara-lhe um médico do Recife, a quem consultara e a quem confidenciara que dava quatro ou cinco sem tirar de dentro. Acatando o conselho do facultativo pernambucano, o coronel Geminiano Mendes casou-se com Iluminata, negra fornida, de braços e pernas bem torneados. Iluminata vinha agüentando o rojão, conforme assegurara o médico do Recife. Só não lhe dera filho, maninha. Mas o coronel não desanimava. Talvez um dia ela ainda emprenhasse - manifestava-se, esperançoso.

 

Iluminata veio receber o leite. Seu Jizé desfiou a mesma cantilena sobre a ovelha desaparecida. A mulata dirigiu-lhe palavras de ânimo. O importante é ter fé, sentenciou, despedindo-se do leiteiro.

 

-Minha bença, Padrim Padre - cumprimentou Jizé Jirónimo o sacerdote velhinho que o recebeu à porta da casa paroquial, cinqüenta anos à frente do rebanho de fiéis da Paróquia de Nossa Senhora da Guia. Todos da cidade o chamavam de Padrim Padre. Pediam-lhe a bênção e ele a todos respondia com paciência - Deus abençoe!

 

- Não há de ser nada, sua ovelha haverá de aparecer, com a graça de Deus - dirigiu-se a Jizé Jirónimo, quando este lhe falou de sua aflição - e quando isso ocorrer haverá mais alegria em sua casa do que pelas outras ovelhas que estão no cercado - vaticinou, biblicamente.

 

- Bom dia, Dona Juvência - saudou Jizé Jirónimo, admirado de não ver o velho Manduri na porta de casa para receber o leite, como fazia todos os dias.

 

- Nem lhe conto - disse Dona Juvência, abaixando a voz e revelando: - O velho, hoje, está de lundu.

 

- Virgem Maria, será que está doente! - preocupou-se Jizé Jirónimo.

 

- Que nada, seu Jizé. É só lundu, eu conheço. Mais tarde ele melhora - concluiu Dona Juvência, governanta da casa de Seu Manduri.

 

O velho Manduri, espirituoso e gracejador, vez por outra tinha desses achaques do espírito. Ficava embirrado e nem parecia o conhecido proseador, a invectivar com seus chistes e pilhérias os figurões do lugar. Nem o Major escapava de suas caçoadas. Certa feita, com a chegada das chuvas de inverno, Manduri subiu ao telhado de sua casa para tirar goteiras que na noite anterior molharam salas e quartos. Quando ele, do alto onde estava, avistou o Major, que se aproximava com seu passo calmo, óculos na testa, pensou logo na inquirição que o chefe político iria fazer. Velho perguntador, tem dia que só pergunta besteira, pensou consigo. Naquela manhã, porém, o Major não passou da primeira indagação. Com a resposta que o amigo irreverente lhe deu, ele escapuliu em direção à Mesa de Rendas, de que era o administrador. - Bom dia, Manduri, que está fazendo aí em cima? - Um açude, Major. Havia um sem número de anedotas desse tipo com Manduri. Naquela manhã, contudo, ele estava de lundu. - Quem tem motivo para estar de lundu sou eu, Dona Juvência - observou Jizé Jirónimo, dando conta do desaparecimento da ovelha. A mais bonita, a mais mimosa, Dona Juvência - completou.

 

- É uma pena, seu Jizé, mas não se aperreie, não. Ela vai aparecer.

 

- Queira Deus - despediu-se o leiteiro.

 

Dirigiu-se para a casa de Doutor Imperiano, Juiz de Direito, há mais de trinta anos. A empregada veio receber o leite, mas o Juiz não deixou de dar dois dedos de prosa, como de costume. Gordo, uma pança enorme, suspensórios a segurarem a calça, carregava o apelido de Barriga de Soro. Talvez o excesso de peso fosse o principal fator que o impedia de tocar para a frente os processos que lhe chegavam às mãos. A maior parte do dia passava em uma rede, armada no quarto dos fundos de sua casa, a ler jornais do Rio de Janeiro e do Recife, que chegavam por via postal. Diariamente, seu Porfírio, agente dos Correios, trazia os pacotes de jornais destinados ao Juiz. Pelas prateleiras da estante, próximo à rede, e até pelo chão, amontoavam-se os processos sem qualquer despacho, eterna dor de cabeça dos advogados que se aventuravam a postular na Comarca. Católico praticante, assistia a missa todos os dias, acompanhado de Dona Quitéria, santa criatura, os dois a formarem um casal de beatos militantes. Àquela hora, Doutor Imperiano estava de saída para a igreja, mas ainda deu os dois dedos de prosa, tempo suficiente para tomar conhecimento da desdita de Jizé Jirónimo. Não se preocupe, não, seu Jizé! Eu e Quitéria vamos rezar para que sua ovelha apareça - prometeu o magistrado.

 

- Deus queira, Doutor.

 

Já na saída da cidade, no caminho de volta, Jizé Jirónimo fez a última entrega, na casa de Seu Benedito, chefe da Usina de Luz. Apeou-se do jumento, bicho disposto, companheiro leal, irmão de trabalho, como costumava se referir ao animal.

 

- Olhe o leite! - gritou.

 

Dona Raimunda o veio atender, bons dias pra cá, bons dias pra lá, a conversa desaguando, logo, no desaparecimento da criação. A freguesa lamentou, fez votos de que o leiteiro encontrasse a lanzuda o mais depressa possível. Seu Benedito não estava em casa. Já fora para a Usina receber um carregamento de óleo, que chegara pela madrugada.

 

- Ah, seu Jizé, nem lhe conto - disse-lhe Dona Raimunda, preocupada. O senhor não sabe aquela menina aqui de casa? - perguntou.

 

- Sei, sim, Dona Raimunda, como havera de não saber - explicou seu Jizé Jirónimo. - Não é ela que recebe o leite todo dia, de manhãzinha? - acrescentou.

 

- Isso mesmo. Pois nem lhe conto. Desde anteontem que ela está desaparecida.

 

- Virgem Maria, Dona Raimunda. Agora se aconteceu alguma desgraça com a pobrezinha!

 

- Disseram a Benedito que ela tinha sido vista com uns ciganos, lá pras bandas do riacho do Frango. Benedito fretou o carro de Isidro e foi lá. Chegou a ir até Santa Gertrudes mas nada da menina.

 

- Será que aconteceu alguma desgraça com a pobrezinha - repetiu o leiteiro.

 

- Sei não, seu Jizé, nem sei o que pensar. Também aquela menina era muito trelosa. Eu e Benedito, a gente vivia pelejando para dar jeito a ela e nada... Seu Jizé, se o senhor tiver notícia de Francisca me avise.

 

- Aviso, sim, Dona Raimunda, pode ficar sossegada. Bom dia pra senhora e pra Seu Benedito.

 

Na viagem de volta, o velho Jizé Jirónimo, mais descontraído, deixava-se tomar das esperanças com que lhe haviam acenado as pessoas com quem conversara. E as revia, com leve sorriso. O Major com suas perguntas insistentes, mas furtando-se a responder a qualquer indagação que lhe fosse feita. Dona Iluminata, a ex-escrava e, agora, esposa do coronel Geminiano Mendes. Seria verdade o que o povo dizia do coronel, que ele dava quatro ou cinco sem tirar de dentro? Duvidava. Padrim Padre, este era um santo, cinqüenta anos como vigário, já cansado, sem forças, quase, para conduzir o seu rebanho. Fora ele quem o casara com Das Dores e batizara todos os filhos do casal. Doutor Imperiano... uma pessoa só podia ser boa até ali, melhor não podia haver. Havia, sim, retificava-se, depressinha, Jizé Jirónimo, lembrando-se de Dona Quitéria, esposa do Juiz, uma verdadeira santa, só faltando para tanto o altar e o resplendor. Lamentava-se Jizé Jirónimo de não ter visto Manduri. Gostava de ouvir o velho, com suas piadas, suas ironias, suas irreverências, andando às turras, agora, com os Pires, família numerosa cujos membros eram metidos a arruaceiros. Mas Manduri naquele dia, dissera Dona Juvência, estava de lundu, apoquentado, em seu quarto, sem sair de casa, sem ânimo para nada, amofinado. Não quisera perguntar o motivo dos queixumes de Manduri. Por fim, Seu Benedito e Dona Raimunda, angustiados com o desaparecimento da menina. Aperreio mil vezes maior do que o seu, com a falta da ovelha, devia ser o do casal com o sumiço de Francisca. A menina era muito trelosa, assegurara Dona Raimunda. Talvez tivesse fugido, se metido com os ciganos. Há poucos dias, ele mesmo vira um grupo deles, quando passavam pela rodagem, com destino aos Patos.

 

Assim pensando, inteiramente distraído, seu Jizé não viu o tempo passar e quando menos esperou estava em casa. Gritou pela mulher, que acorreu, pressurosa:

 

- Que é isso, criatura de Deus, pra que tanto alarme?

 

- Que alarme, que nada! Cadê a ovelha, apareceu?

 

- Apareceu coisa nenhuma - respondeu a mulher, desanimada.

 

O filho estivera no roçado, dera uma busca lá pelo açude e nem sinal...

 

Jizé Jirónimo sentou-se em um tamborete, o cigarro de palha no canto da boca, o olhar no chão, matutando.

 

- Ô Jizé! - chamou Das Dores, à porta de casa. Tem uns arubus avoando por riba daquele lajeiro. Será alguma carniça?

 

- Valha-me Deus! Agora se é a lanzuda que morreu! - Olhou na direção apontada pela mulher. As aves voavam em círculos, a umas quatrocentas braças de sua casa. Jizé Jirónimo reuniu força e ânimo para ir ao local. Não queria nem pensar na hipótese de ser a sua ovelha. Seria um choque muito grande para ele. Apesar de tudo, marchou em direção ao lugar. Pela posição em que se achavam os urubus, o ponto por eles visado era um pequeno serrote, onde algumas pedras formavam cavidades profundas. Jizé conhecia muito bem o sítio. A criação, certamente, caíra ali e não mais conseguira sair. Quebrara, sem dúvida, uma perna e não pudera se levantar nem tampouco se retirar do local, morrendo pouco depois. Era o que podia imaginar. Uma dor trancava-lhe o peito, fazendo mira em seu coração. Olhando para as reentrâncias das pedras, já sentindo o odor fétido que de lá emanava, custou a Jizé Jirónimo atinar com o que realmente ali caíra. Mas logo teve uma certeza. Não era a ovelha. Forçando mais a vista, percebeu que o corpo caído não era de animal, mas, ao contrário, um cadáver humano, com certeza, de menina, a julgar pelo tamanho e pelos panos que o cobriam. Jizé Jirónimo benzeu-se, fazendo o Em nome do Padre e pôs-se a descer o serrote, correndo, e quase se esparramando ao chão. Chegou em casa esbaforido, gritando pela mulher, que já o aguardava, aflita.

 

- Valha-me, Nossa Senhora! Parece que viu alma, Jizé.

 

- Pior, Das Dores, pior! Tem um defunto morto, lá nas pedras do serrote, já apodrecendo.

 

- Virge Maria, quem será? Tome um copo dágua, homem, se acalme, não se avexe não.

 

Enquanto tomava água, Jizé Jirónimo pensava no que fazer. Mandou o filho, que já voltara do roçado, selar o cavalo e ir a todo galope, à cidade, comunicar o fato ao Delegado. Fosse no cavalo, que era mais ligeiro. O Delegado devia estar em casa. Não dissesse nada a ninguém, só a ele. Dava as determinações, ainda arfante, o coração lanceado, batendo forte. Mais calmo, passou a comentar com a mulher a ocorrência. Quem seria a menina? Como chegara ali? Talvez não sabendo andar pelo rochedo, caíra naquela greta e não pudera mais sair ou mesmo morrera logo ao cair. A mulher, mais suspicaz, aventou uma hipótese.

 

- Isso tá me parecendo outra coisa, Jizé. Essa menina só pode ter sido jogada lá, por alguém.

 

- Será? - perguntava, incrédulo, Jizé Jirónimo.

 

A suposições variadas se entregava o casal quando foi surpreendido por um forte e conhecido balido. Precipitaram-se marido e mulher para o terreiro e quase não acreditavam no que viam. Sã e salva, bonita como nunca, a ovelha, a lanzuda, a criação, a ovina, em carne e osso, robusta e disposta, como quem não passou por maus tratos ou necessidades. Não contiveram as lágrimas. Abraçaram-se, rindo e chorando ao mesmo tempo, emocionados a mais não poder. Milagre! Milagre! gritavam. Apertaram a criação em estreito abraço, afagando-a, alisando-a, beijando-a. E mais tempo teriam passado naquelas efusões não fosse a chegada de alguns soldados do destacamento policial.

 

Rumaram todos para o serrote, à exceção de Das Dores.

 

- Minha natureza não dá pra ver essas coisas - desculpou-se. - Me dá logo uma gastura.

 

Ao fim da tarde, os despojos da menina foram levados para a cidade.

 

 (Fim do PRÓLOGO)

 

 

      Geografia do Corpo (poesias), Unigraf, 1988, João Pessoa.

 

 “Geografia do Corpo" privilegia o fazer do texto, ora concebido como experiência individual, ora fertilizado pelo cotidiano. De linguagem concisa e estrofes densas, seus poemas exemplificam a nova realidade literária em que se toma consciência da relação arte/existência, arte/contexto. Seu esforço pela precisão na composição do discurso transfigura o universo social, do ponto de vista estético. É o artista refletindo sobre a arte e o seu próprio trabalho, construindo uma poesia racional, anti-retórica, atenta ao brilho e à textura da palavra". (Do verbete "Fernandes, Flávio Sátiro", in Dicionário Literário da Paraíba)

 

Augusto dos Anjos e a Escola do Recife - Conferência (1985).

O Pensamento Jornalístico de Epitácio Soares - Discurso de posse na Academia Paraibana de Letras, APL, 1990, João Pessoa.

 

O Passarinho e a Flauta (Poesias), Sal da Terra, 2008, João Pessoa.

 

 

VINTE ANOS DE POESIA
 
 
 
 
Sérgio de Castro Pinto
(Da Academia Paraibana de Letras)
 
 
 
 
 
A maioria dos poemas do livro “O passarinho e a flauta”, de Flávio Sátiro Fernandes, parece corroborar o princípio segundo o qual “dizer é condensar”. Mas não só ratificam este conceito como outros que guardam uma relação concorde e simétrica com as vanguardas dos anos 50 e 60, ou seja, o Concretismo e seus desdobramentos.
 
Com efeito, a poesia de Flávio possui algumas ressonâncias do movimento criado pelos irmãos Campos e Décio Pignatari. Ressonâncias, porém, do que as vanguardas acrescentaram à lírica brasileira em termos de minimalismo, concisão, economia verbal. Sim, porque os poemas de Flávio Sátiro Fernandes não aderem ao apelo visual do concretismo, embora utilizem, aqui e ali, a paranomásia, figura de linguagem usada à exaustão pelos chamados poetas experimentais da década de 60: “A palavra lavra./ A palavra lava a alva pala./ A palavra avara apara a vara.// Vara, varal para a palavra.// A palavra parla./ A palavra palra./ A parva palavra vara a vala./ A pá lavra a lapa./ A palavra.”
 
Sátiro tampouco aderiu à dicção sisuda e impessoal das vanguardas, para tanto se valendo do humor e da ironia, componentes sem os quais Manuel Bandeira – segundo depoimento do poeta pernambucano em “Itinerário de Pasárgada” - não teria neutralizado “o gosto cabotino da tristeza para se reajustar ao mundo dos sãos.” E muito menos Quintana teria se safado do seu sentimentalismo congênito, posto que, não adicionasse o humor e a ironia aos seus poemas, teria tudo para escrever sob a égide da emoção pura e simples.
 
Mas além de tributário das vanguardas, o autor de “O passarinho e a flauta” também o é do Modernismo de 22. Que o diga o poema “O Ponto de Cem Reis”, em que o voyeurismo do eu lírico flagra um logradouro que, antropomorfizado, “é a cara do funcionário público aposentado”, pois “veste a roupa do funcionário,/ caça as sandálias do funcionário,/ adormece com o funcionário,/ ouve o funcionário,/ fala pelo funcionário”.
 
A par dos poemas inéditos que integram “O passarinho e a flauta”, outros doze compõem este livro, todos extraídos de “Geografia do corpo”, lançado em 1988, pela Unigraf. Pois, bem, com este volume que ora vem a público – ao qual podemos denominar de uma antologia breve, brevíssima -, Flávio Sátiro Fernandes registra vinte anos de poesia. Vinte anos de uma obra ainda em progresso, em pleno percurso ascensional.

 

 

Palavras ao Vento (Discursos), Inprell, 2005, João pessoa, 248 págs.

 

Subsídios para a História do Ginásio Diocesano de Patos, Editora Sal da Terra, João Pessoa, 2008 (2º  edição); s/e, 2000, João Pessoa, 133 págs. (1º edição);

 

Na Rota do Tempo, (Datas, fatos e curiosidades da história de Patos), Inprell, 2003, João Pessoa, 440 págs.

 

APRESENTAÇÃO

 

A passagem do centenário da elevação da antiga Vila dos Patos à categoria de cidade, condição dada pela Lei nº 200, de 24 de outubro de 1903, animou-nos à elaboração deste despretensioso trabalho, que não tem outro intuito senão o de  contribuir com os que porventura desejem, de maneira mais aprofundada, fazer a história desta terra que, passados cento e setenta anos de sua emancipação política e cem anos de sua elevação a cidade, representa um exemplo de trabalho, de luta, de resistência às adversidades do meio, teimando em crescer, insistindo em progredir, obstinando-se em elevar-se entre as comunas do setentrião brasileiro, notadamente, aquelas que se situam no semi-árido nordestino, sofrendo, talvez, mais que todas, a inclemência de um sol que jamais foi capaz de tolher seus passos para o futuro.

      O método cronológico utilizado pareceu-nos o mais apropriado a este trabalho, não só porque adequado ao seu caráter modesto de mero contributo a futuras elaborações historiográficas, de quem pretenda incursionar nos domínios da história local, mas, notadamente, pela exigüidade de tempo de que dispúnhamos, ante a proximidade da data centenária, não nos permitindo, assim, trabalho sistematizado e de melhor ordenação metodológica.
      Mesmo assim, sem o vezo de qualquer falsa modéstia, cremos que valeu o esforço despendido, sobretudo por termos podido carrear para as páginas deste livro algumas informações que, embora conhecidas dos estudiosos e dos mais dedicados à história de nossa terra, são desconhecidas do grande público, dos estudantes, dos curiosos, daqueles que, costumeiramente, ficam a indagar sobre datas, fatos e curiosidades da história das Espinharas.
      Este trabalho não é um trabalho acabado ou fechado, que contenha tudo o que se queira saber sobre a história de Patos. Ao contrário, pela escassez do tempo de que dispusemos para sua elaboração e pelas várias outras atividades a nosso cargo, impedindo-nos de uma dedicação exclusiva à sua confecção, NA ROTA DO TEMPO contempla, com certeza, omissões, falhas, faltas e lacunas que a tornam incompleta ou inacabada e, conseqüentemente, a fazem, ao mesmo tempo, uma obra aberta, ou seja, pronta a receber as correções, as sugestões, as ampliações que ela esteja a merecer, de tal modo que, em futuro, próximo ou remoto, possamos dar-lhe uma versão ampliada, revisada e aperfeiçoada.
      Caberiam, aqui, agradecimentos aos que nos ensejaram o conhecimento de importantes documentos e jornais, existentes em diferentes instituições oficiais ou privadas que os guardam e de onde pudemos obter muitas das valiosas informações que estampamos nas páginas deste livro. No entanto, o receio de omissões injustificáveis nos fazem agradecer a todos eles de maneira genérica, sem a citação de nomes.
      Ficaremos gratificados se esta obra tiver, realmente, efeito no conhecimento de nossa história por parte dos estudantes e do povo em geral, a quem ela, sem dúvida, se volta.
 
                                                                           João Pessoa/Outubro/2003
 
                                                                              Flávio Sátiro Fernandes

 

                         Veja algumas datas, fatos e curiosidades da história de Patos:

 

1613
 
O gentio Pega tem como Rei o índio PECCA.
 
1670
 
4 de fevereiro – O capitão Francisco de Abreo de Lima, o capitão Antonio de Oliveira Ledo, Costódio de Oliveira Ledo e o Alferes João de Freitas da Cunha, José de Abreo, Luís de Noronha, Antonio Martins Pereira, Estevão de Abreo de Lima, Antonio Pereira de Oliveira, Sebastião da Costa e Gaspar de Oliveira, obtêm uma data de terra na ribeira das Espinharas, sendo tal sesmaria a primeira de que há notícia tenha sido concedida nesta região, cujo teor é o seguinte: (...)
 
1673
 
Os irmãos OLIVEIRA LEDO, juntamente com o seu cunhado Manuel Barbosa de Freitas, obtêm do Governador Geral do Brasil uma data e sesmaria que começa das vertentes da serra do Teixeira, pelo rio das Espinharas abaixo. A extensão da data chega à barra do aludido rio, no Piranhas. Tem 6 léguas de largura, sendo 3 para cada banda do Espinharas.
 
1680
 
22 de fevereiro – Neste ano, Sebastião de Oliveira Ledo percorre o rio Espinharas. Vai das cabeceiras às “extremas”.
 
1720
 
24 de janeiro – O sargento-mor Manuel Marques de Sousa obtém do governador Antonio Ferrão Castelo Branco a sesmaria de nº 168, dizendo que “possuindo muito gado na ribeira das “Pinharas”, tem o suplicante um sítio chamado Trincheiras, e porque nas ilhargas do dito sítio para banda do poente, no sítio do Pau-a-Pique estão terras devolutas, que servem de logradouro para o sítio do suplicante, quer por isto haver três léguas de comprimento e uma de largura, começando do poço das Cajazeiras da banda de baixo pelo dito rio Pau-a-Pique acima, buscando o sul para o comprimento e a légua de largo pegando das ilhargas do suplicante”.
 
6 de julho – O ten. Cel. Domingos Dias Antunes, morador no sertão desta capitania, obtém do governador Antônio Ferrão Castelo Branco a sesmaria de nº 173, dizendo que “tendo descoberto à sua custa uns olhos dágua em uma sorte de terras devolutas, que correm da serra das Trincheiras para o rio da Espinhara ou, para melhor declarar, para as cabeceiras do dito rio, cuja sorte de terras parte pela parte do norte com a data dos Oliveiras e pela parte do sul com a data de Isidoro Ortiz e seu irmão Estêvão Ferreira e pela parte do leste com terras e data que se fez ao sargento-mor Mathias Vidal, e pela do oeste com terras e datas dos ditos Oliveiras e tinha muitos gados de criar sem terras, pelo que requeria requer e obtém, três léguas de terra de comprimento e uma de largura no dito sítio”.
 
1742
 
21 de fevereiro – O capitão Antônio Dias Antunes, morador no sertão das Espinharas, obtém do governador Pedro Monteiro de Macedo a sesmaria de nº 292, dizendo que “à custa de sua fazenda tinha descoberto um olho dágua no riacho da Mabanga, a que chamam olho dágua Gangorra, o qual estava devoluto e parte pela parte do norte com terras do tenente coronel Domingos Dias Antunes, pela parte sul com terras dos Oliveiras e pela parte do leste com terras dos padres da Companhia de Jesus e pela parte do oeste com ditos Oliveiras e com o dito Domingos Dias Antunes, e por isto requeria três léguas de comprido e uma de largo para criar seus gados, começando do dito olho dágua para cima as ditas três léguas”.
 
1762
 
18 de outubro - Antônio Ferreira da Silva, morador no Piancó, obtém do governador Francisco Xavier de Miranda Henrique a sesmaria de nº 588, dizendo que “descobriu terras devolutas entre o Sabugi e Espinharas, na qual há um riacho chamado dos Bois que nasce na serra das Melancias e faz barra nas Espinharas entre a serra Negra e a Travessia, e no dito riacho há uma cacimba chamada Maria Paz e como necessita de terras, pretende por sesmaria no referido lugar, três léguas de comprido e uma de largo fazendo peão na dita cacimba – Maria Paz – légua e meia para cima e légua e meia para baixo, com meia légua para cada lado, confrontando pelo nascente com os sítios Jardim e Salgado, terras do defunto Domingos Siqueira e hoje de seu irmão; pelo poente com terras do Pau-a-Pique do Dr. Manuel Teixeira sucessor do defunto João Araújo Lima e com terras do mesmo defunto Domingos Siqueira da fazenda S. José e com terras da fazenda Travessia; pelo norte com terras da mesma Travessia e pelo sul com terras do mesmo defunto Domingos Siqueira, fazenda de S. José”.
 

 

 

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